Gasolina sobe em Goiânia e impulsiona inflação

Wandell Seixas
Goiânia registrou inflação de 0,77% em maio de 2026, resultado 0,19 ponto percentual acima da média nacional (0,58%), segundo o IPCA divulgado pelo IBGE. O principal responsável pela pressão foi o grupo Transportes, que avançou 1,80% na Capital. O avanço está na contramão do dado nacional, onde o grupo recuou 0,46%.
O movimento foi puxado pela gasolina, que subiu 4,54% em Goiânia enquanto caía 1,46% no Brasil, uma diferença de 6 pontos percentuais. O etanol seguiu o mesmo caminho: alta de 1,98% frente à queda de 6,20% na média nacional. Com peso superior a 6,6% na cesta goianiense, a gasolina sozinha respondeu por grande parte da inflação do mês de maio, sendo o subitem da cesta com o maior impacto no crescimento dos preços.
O segundo maior vetor da inflação goianiense em maio veio das prateleiras do supermercado. O grupo Alimentação e Bebidas subiu 1,38%, resultado ligeiramente acima da média nacional (1,33%). Dentro do grupo, a alimentação no domicílio avançou 1,72%, puxada pelo encarecimento de produtos presentes no dia a dia das famílias. A batata-inglesa registrou a maior alta individual entre os alimentos rastreados em Goiânia: +51,01% no mês, um salto que impactou diretamente quem faz compras no varejo. Também subiram de forma expressiva o feijão-carioca (+11,66%), a cebola (+9,54%) e o tomate (+6,63%).
Nem tudo, porém, foi pressão sobre o orçamento na alimentação. Os ovos de galinha registraram queda expressiva de 6,48%, sendo um dos principais itens de alívio. As frutas recuaram 1,37%, com quedas em banana-prata (-3,93%), maçã (-1,88%) e laranja-pêra (-2,63%).
As hortaliças também cederam 3,75%, com destaque para a queda da alface (-4,78%) e do repolho (-2,56%). A alimentação fora do domicílio avançou de forma mais moderada, com alta de 0,45%, refletindo o aumento em refeições (0,51%) e lanches (0,45%).
O grupo de carnes subiu 1,05% em maio, mas o que torna o resultado especialmente relevante para a capital goiana é o peso que esses cortes têm na cesta local. O contrafilé, por exemplo, representa 1,82% do consumo goianiense, mais de três vezes o peso que ocupa na média nacional (0,49%). Isso significa que cada alta nos cortes bovinos penaliza o orçamento do goianiense de forma proporcionalmente maior do que na maioria das cidades brasileiras.
No mês, o contrafilé subiu 2,08% e a alcatra avançou 2,16%, enquanto músculo (+1,13%) e lagarto (+0,61%) também registraram altas. No acumulado dos últimos 12 meses, o contrafilé já soma 9,83% de encarecimento em Goiânia, resultado que reflete uma pressão persistente sobre um dos itens mais consumidos na mesa goianiense. Como alívios dentro do grupo, figuram carne de porco (-1,08%), o cupim (-1,3%) e o acém (-0,28%).
Conta de luz recua
O grupo Habitação foi o principal fator de contenção da inflação goianiense em maio, registrando queda de 0,57%. A diminuição representa movimento oposto ao do Brasil, onde o grupo subiu 1,22% no mesmo período. A diferença entre os dois resultados é de quase 2 pontos percentuais, o que revela o papel central que os custos domésticos tiveram no sentido de aliviar o bolso do goianiense neste mês.
O destaque positivo foi a energia elétrica residencial, que recuou 1,50% em Goiânia. No Brasil, ao contrário, a conta de luz subiu 3,67% — uma diferença de mais de 5 pontos percentuais. Com peso de 4,29% na cesta goianiense, a queda da energia elétrica evitou que a inflação do mês fosse ainda mais pressionada.
O aluguel residencial também contribuiu positivamente, recuando 0,86% na capital goiana em maio, enquanto no Brasil houve alta de 0,23%. O gás de botijão cedeu 0,22% em Goiânia, alívio adicional para as famílias que utilizam o botijão para cozinhar. O vestuário reforçou o quadro de contenção, com queda de 0,57% em Goiânia, movimento oposto ao do Brasil, onde o grupo subiu 0,62%.