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Vale do Araguaia: Agropecuária ocupa espaço no lugar das praias

Wandell Seixas

O Vale do Araguaia, tradicionalmente explorado pela prática do turismo ante suas praias cristalinas e pela pesca com o uso do anzol, vai se tornando uma nova fronteira agropecuária. A região integra os estados de Goiás, Mato Grosso e Tocantins, e sobressai pela surpreendente expansão da agricultura, com o cultivo de grãos, onde se destaca a soja, o milho. O gergelim e o algodão passam por processo de introdução em caráter experimental em áreas de mil hectares e 350 hectares respectivamente. Além da pecuária, em larga escala, impulsionada por grandes extensões de terra e alta tecnologia no meio rural.

O secretário de Desenvolvimento Econômico de Barra do Garças (MT), José Bispo dos Santos, é um dos experts na atividade agropecuária, acompanha com entusiasmo esse crescimento regional. Para ele, a região dispõe de terras férteis a preços convidativos, que atraem investimentos fortes. “Somente na região de Barra do Garças a área cultivada com grãos e algodão ocupa 90 mil hectares”, com possibilidade de crescimento. a pecuária de corte não fica atrás. Bispo ressalta a presença de confinamentos de até 60 mil cabeças, o que atrai frigoríficos do porte do JBS.

            Só a porção goiana do Vale já responde por aproximadamente 10% da produção de soja e 15% do milho do Estado. O Tocantins é responsável por 15% da safra de arroz nacional e é a maior produtora de melancia do Brasil. A pecuária é uma das mais produtivas do país. Abriga empreendimentos rurais de proporções continentais, como a Fazenda Nova Piratininga em São Miguel do Araguaia (GO), que possui mais de 230 mil hectares e um rebanho superior a 120 mil cabeças de gado. Ronaldo Caiado, criador da UDR, ex-governador de Goiás e candidato à Presidência da República, é pecuarista em Nova Crixás.

O Araguaia e seus afluentes levam milhares de pescadores anualmente ao município de Nova Crixás. Esses turistas em busca de lazer, sempre visitam as praias que se formam durante os meses de seca, que geralmente, ocorre de junho a setembro. Sabendo da importância de tais atividades para o município, a prefeitura municipal, juntamente com Semarh criaram o programa Araguaia Limpo, que todos os anos recolhem milhares de toneladas de lixo das margens e do leito do rio.

No Vale do Araguaia existe 1,2 milhão de hectares de várzeas tropicais planas, com alto teor de matéria orgânica, em condições de serem utilizadas para irrigação. Conforme o secretário José Bispo, 140 mil hectares de áreas degradadas são reaproveitadas. Os produtores são orientados pelos organismos específicos a respeitar as leis ambientais, sob pena de sofrerem sanções de mercado.

A França, temendo a concorrência brasileira no fornecimento de carnes, os pecuaristas ficam de orelha em pé e qualquer transgressão no segmento, denuncia os pecuaristas brasileiros. E com o seu poder de influência mediática culmina por alertar a Europa onde se situa. A China, um crescente mercado de consumo da carne bovina brasileira, também não fica atrás. E veja bem: são mais de um bilhão de pessoas que vão se inserindo nos novos hábitos alimentares, onde o bife ou o próprio churrasco começam a fazer parte do cardápio. Na realidade, o chinês está optando gradual e rapidamente pelo meio urbano.

Mas, voltando à produção agropecuária propriamente dita, o Vale do Araguaia também acompanha os passos do uso gradual da alta tecnologia. Isso inclui as máquinas e implementos de última geração com seu sistema multiuso. Hoje em dia, esses equipamentos cortam, debulham e separa grãos em tempo recorde. A tecnologia está mudando a maneira como os humanos operam as máquinas, pois sistemas de monitoramento por computador, localizadores GPS e programas de autodireção permitem que os tratores e implementos mais avançados sejam mais precisos e menos dispendiosos no uso de combustível, sementes ou fertilizantes. Atualmente, as fábricas procuram substituições de peças de forma rápida para impedir eventuais prejuízos devido a máquinas paradas nas fazendas.

Há ainda o uso dos drones amplamente utilizados para a pulverização de defensivos e fertilizantes, monitoramento de pragas e demarcação de plantio. Essas aeronaves se destacam por evitar o amassamento das culturas, economia de água e insumos, e permitir aplicações precisas em terrenos irregulares.

Graças a essa impulsão do agronegócio no Vale, as cidades ribeirinhas do Araguaia favorecem a prática do turismo. E os hotéis, pousadas são os mais beneficiados. Na época de férias é difícil encontrar hospedarias em cidades como Aruanã, Aragarças, Barra do Garças, entre outras. A pessoa interessada em curtir o Araguaia tem que reservar com antecedência. Até as praias ficam superlotadas de barracas ou abrigos de lona, sujeitos à carência de higiene e até conseqüente poluição das águas.  A gastronomia também faz a diferença. O peixe fresco entra no cardápio, podendo ser tucunaré na chapa; pirarucu, piraíba, pacu, etc.

Em Barra do Garças, também desperta a atenção do turista suas águas quentes nas proximidades da cidade. À margem do rio tanto em Barra do Garças, Aragarças, Aruanã, entre outras, há os barcos para quem quer dar um passeio.  Neto, por exemplo, é um guia turístico, que dispõe de barcos no porto Baé. Em Aruanã, seu Elias também é um veterano barqueiro que assegura confiança no leme e sempre exige o uso do colete salva-vidas. Os barcos na navegação estão sujeitos a possíveis encontros inesperados em bancos de areia, pedras em cachoeiras, pau à meia água, entre outros. Por isso, esses cuidados à parte.

Um passeio de barco é a oportunidade para explorar paisagens incríveis. Inclusive de aves como garças voando ou à beira do rio, tartarugas tomando sol em alguma galha de arvore ou sobre pedras à tona d’água. Ou ainda iguanas penduradas nas árvores.

Os preços desses passeios e roteiros variam muito, dependendo do destino. Vi um grupo de quatro pessoas pagando R$150,00 por um giro de mais ou menos meia hora. Esses preços são fora da temporada. Enfim, a região oferece negócios que envolvem a terra, o boi, os grãos e o turismo, hoje incrementado em decorrência do agronegócio.

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