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Tarifaço provoca novas preocupações ao Brasil. A Fieg emite nota observando que o impacto será menor em Goiás

Wandell Seixas

A tarifa adicional de 25% em parte dos produtos brasileiros implantada pelo governo dos Estados Unidos, alegando supostas práticas desleais no comércio por parte do Brasil, trouxe novas preocupações político-econômicas. O tarifaço, como passou a ser chamado, afeta diversos setores, especialmente o agro, onde atinge o Estado de Goiás. Em Goiânia, a Federação das Indústrias emitiu nota a respeito, abrangendo outras entidades classistas patronais do Estado.

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) diz que a tarifa prejudica as economias de ambos os países.  O governo federal anunciou que retomará o programa de apoio aos setores empresariais atingidos pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos.  O governo brasileiro rejeita as justificativas usadas para a taxação. As novas tarifas passam a valer a partir do dia 22 de julho.

Estimativas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam um total de 2,4 mil empresas nacionais diretamente atingidas pelo tarifaço, que respondem juntas por 18% das exportações brasileiras com destino aos EUA, o que corresponde a transações estimadas de US$ 7,4 bilhões.

            Mais da metade da pauta de exportações do Brasil aos EUA, como carnes, café, óleos e itens de aviação, foi poupada da taxação por decisão norte-americana desta vez. A participação dos EUA nas exportações brasileiras, que era de 12,1%, até o ano passado, caiu para 9,4% em 2026, e o governo continuará a fomentar uma política de diversificação de mercados para esses produtos.

Entidades representativas do setor cafeeiro, entre elas, a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), celebraram o fato do café brasileiro ter ficado de fora desta tarifação. Elas destacam o trabalho feito em defesa do setor desde do primeiro tarifaço, em 2025.

Goiás deve sentir impacto menor das novas tarifas dos EUA, aponta a Fieg

As novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos às importações brasileiras devem ter impacto mais moderado sobre Goiás do que sobre o restante do País. A avaliação consta na Nota Técnica divulgada nesta quinta-feira (16) pela Gerência de Desenvolvimento Industrial (Gedin) da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), que analisa os efeitos das tarifas norte-americanas sobre as exportações brasileiras e goianas.

Segundo o documento, embora os Estados Unidos representem um dos principais destinos das exportações goianas – com US$ 641 milhões embarcados em 2025 –, a lista de produtos isentos da tarifa adicional de 25% contempla itens de grande peso na pauta estadual, como carnes e soja. Com isso, a tendência é de que as novas medidas funcionem mais como um freio ao crescimento das exportações do que como um fator de retração significativa nas vendas.

A Gedin-Fieg estima que o valor exportado por Goiás ao mercado norte-americano permaneça próximo da média atual, em torno de US$ 80 milhões por mês. O comportamento difere do observado em âmbito nacional, onde a expectativa é de redução entre 10% e 15% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, o equivalente a aproximadamente US$ 360 milhões por mês ou US$ 4,3 bilhões por ano.

A análise mostra ainda que a experiência do “tarifaço” aplicado em 2025 reforça essa projeção. Enquanto as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram cerca de 22% durante a vigência das barreiras daquele período, Goiás registrou apenas uma estabilização das vendas externas, com redução média de 3%, retomando o crescimento após a suspensão das medidas, em fevereiro deste ano.

No plano nacional, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que a nova tarifa de 25% agrava um cenário que já vinha pressionando o comércio bilateral. Segundo a entidade, 20 dos 27 Estados brasileiros reduziram as exportações para os EUA no primeiro semestre, movimento que compromete a competitividade da indústria brasileira e amplia a insegurança para empresas dos dois países.

PIX e outros temas entram na negociação

A Nota Técnica destaca que as barreiras comerciais extrapolam a discussão tarifária e fazem parte de uma negociação mais ampla entre os dois governos. Além da tarifa adicional de 25%, permanece em análise pelos Estados Unidos uma sobretaxa de 12,5%, vinculada a investigações comerciais conduzidas pelo governo norte-americano.

Entre os temas apontados pelos Estados Unidos nas negociações estão o Pix, a tributação de empresas de tecnologia, questões ligadas a minerais críticos e terras raras, além de outros assuntos comerciais. Na avaliação da Gedin-Fieg, esses pontos podem influenciar as próximas rodadas de diálogo entre os dois países.

Para Goiás, o documento observa que justamente a pauta de minerais críticos e terras raras pode abrir espaço para futuras iniciativas de cooperação e investimentos norte-americanos, caso as negociações avancem. Ainda assim, a Nota Técnica recomenda cautela nas projeções, diante das mudanças frequentes na política comercial adotada pelo governo dos Estados Unidos.

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