Preço dos imóveis sobe até 50% em Goiânia; veja os bairros que mais valorizaram e os que perderam valor

Condomínios de alto padrão e bairros populares registraram as maiores altas nos preços pedidos; Setor Oeste e Setor Gentil Meireles lideram as quedas
Os bairros de Goiânia apresentaram variações expressivas nos preços pedidos de venda de imóveis residenciais no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025.
Levantamento da Loft, empresa de tecnologia e serviços financeiros para imobiliárias, analisou mais de 45 mil anúncios publicados nas principais plataformas digitais da cidade e identificou um mercado polarizado: enquanto condomínios de luxo e bairros populares periféricos valorizaram com intensidade, setores tradicionais de médio e alto padrão registraram quedas.
O estudo considerou bairros com ao menos 50 anúncios ativos no período, resultando em 102 bairros analisados.
“Goiânia apresenta uma dinâmica particular: os extremos do mercado, ou seja, os condomínios de altíssimo padrão e os bairros populares em expansão valorizam com força, enquanto os setores tradicionais de médio e alto padrão mostram acomodação ou queda. Isso indica uma bifurcação do mercado, com a demanda se concentrando nos polos da pirâmide de preços”, afirma Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft.
O Residencial Aldeia do Vale registrou a maior valorização com alta de 50,2%. No bairro, o preço médio dos imóveis saltou de R$ 5,5 milhões para R$ 8,3 milhões, o mais alto da cidade.
Na sequência, aparecem Vila João Vaz, com alta de 45,6% no preço médio dos imóveis, Residencial Monte Pascoal, com avanço de 40,7%, Setor Três Marias (+39%) e Setor Grajaú (+37,9%).
Completam o ranking dos 10 bairros com maior aumento no preço médio pedido Córrego Fundo (+37,4%), Setor Santos Dumont (+36,3%), Setor Sul (+33,1%), Parque Anhanguera II (+31,7%) e Setor Leste Vila Nova (+30,2%)
jan–jun 2025 x jan–jun 2026
| Bairro | Tíquete médio 2025 (R$) | Tíquete médio 2026 (R$) | Variação (%) |
| Res. Aldeia do Vale | R$ 5.575.267 | R$ 8.375.553 | +50,2% |
| Vila João Vaz | R$ 587.385 | R$ 855.348 | +45,6% |
| Res. Monte Pascoal | R$ 235.229 | R$ 330.930 | +40,7% |
| Setor Três Marias | R$ 682.842 | R$ 948.932 | +39,0% |
| Setor Grajaú | R$ 265.926 | R$ 366.828 | +37,9% |
| Córrego Fundo | R$ 361.447 | R$ 496.738 | +37,4% |
| Setor Santos Dumont | R$ 536.054 | R$ 730.493 | +36,3% |
| Setor Sul | R$ 1.314.067 | R$ 1.749.469 | +33,1% |
| Parque Anhanguera II | R$ 597.970 | R$ 787.314 | +31,7% |
| Setor Leste Vila Nova | R$ 448.741 | R$ 584.074 | +30,2% |
Fonte: Loft, com base em anúncios nas principais plataformas digitais na cidade
O estudo indicou também os bairros onde o preço médio dos imóveis recuou no primeiro semestre.
O Residencial Jardins Munique (-23,5%) e o Residencial Cidade Verde (-22,9%) registraram as maiores quedas. Setor Gentil Meireles (-22,7%) e Residencial Morumbi (-20%) também figuram com recuos relevantes.
Chama a atenção, nessa lista, o Setor Oeste (-9,3%), na nona posição, um dos mais tradicionais de Goiânia.
“O mercado goiano mostra uma bifurcação clara: de um lado, a demanda por imóveis de altíssimo padrão segue aquecida; de outro, setores tradicionais que já valorizaram muito nos últimos anos passam por uma correção. Esse movimento pode refletir um reequilíbrio natural após ciclos de alta intensa”, afirma Takahashi.
jan–jun 2025 x jan–jun 2026
| Bairro | Tíquete médio 2025 (R$) | Tíquete médio 2026 (R$) | Variação (%) |
| Res. Jardins Munique | R$ 5.395.000 | R$ 4.125.240 | -23,5% |
| Res. Cidade Verde | R$ 906.353 | R$ 698.724 | -22,9% |
| Setor Gentil Meireles | R$ 1.425.135 | R$ 1.101.823 | -22,7% |
| Res. Morumbi | R$ 735.956 | R$ 588.509 | -20,0% |
| Vila Maria Dilce | R$ 734.885 | R$ 592.053 | -19,4% |
| Parque Santa Rita | R$ 728.392 | R$ 625.681 | -14,1% |
| Jardim Petrópolis | R$ 640.058 | R$ 557.797 | -12,9% |
| Res. Santa Fé | R$ 395.814 | R$ 357.186 | -9,8% |
| Setor Oeste | R$ 1.412.304 | R$ 1.280.505 | -9,3% |
| Conjunto Vera Cruz | R$ 980.019 | R$ 895.660 | -8,6% |
Fonte: Loft, com base em anúncios nas principais plataformas digitais na cidade
O Setor Bueno domina o volume de anúncios na capital, com 7.163, quase o dobro do segundo colocado, Setor Marista (4.097). No período, ambos registraram variação próxima de zero (-0,5% e -0,1%) nos preços, indicando estabilidade nos setores mais líquidos da cidade.
Jardim Goiás (2.073 anúncios) e Setor Central (831 anúncios) se destacam por combinar volumes representativos com valorização expressiva. Parque Amazônia (2.063 anúncios) e Bairro Jardim América (1.985 anúncios) também apresentam resultados positivos com oferta robusta.
jan–jun 2026
| Bairro | Anúncios 2026 | Tíquete médio 2026 (R$) | Variação (%) |
| Setor Bueno | 7.163 | R$ 1.194.881 | -0,5% |
| Setor Marista | 4.097 | R$ 1.843.366 | -0,1% |
| Setor Oeste | 2.160 | R$ 1.280.505 | -9,3% |
| Jardim Goiás | 2.073 | R$ 1.342.248 | +27,3% |
| Parque Amazônia | 2.063 | R$ 672.274 | +12,0% |
| Bairro Jardim América | 1.985 | R$ 1.084.954 | +13,2% |
| Jardim Atlântico | 1.330 | R$ 981.787 | +11,0% |
| Setor Pedro Ludovico | 1.026 | R$ 767.631 | +9,7% |
| Setor Central | 831 | R$ 728.083 | +29,1% |
| Vila Rosa | 818 | R$ 526.651 | +6,3% |
Fonte: Loft, com base em anúncios nas principais plataformas digitais na cidade
Metodologia
O levantamento considera anúncios residenciais de venda publicados nas principais plataformas imobiliárias digitais, tratados pela Loft para remoção de duplicidades e inconsistências. Foram comparados os anúncios ativos entre janeiro e junho de 2025 e de 2026.
Para a análise por bairro, foram considerados apenas bairros com ao menos 50 anúncios ativos no semestre de 2026. O tíquete médio de cada bairro foi calculado como média ponderada pelo volume de anúncios em cada mês do período.
Bairros onde a variação no tamanho médio dos imóveis anunciados superou 30% entre os dois períodos, ou onde o volume de anúncios em 2025 foi insuficiente para produzir uma média representativa, foram excluídos da análise.
Ana Freitas
ana.freitas@fariello.com.br