Futuro da melancia: com genética avançada, Goiás lidera setor e ganha nova unidade de beneficiamento

O cultivo de melancia está em expansão em Goiás, estado que nos últimos anos superou a Bahia e assumiu a liderança na produção da fruta, com 270 mil toneladas anualmente. No cenário brasileiro, a melancia ocupa o quinto lugar entre as frutas mais cultivadas, somando cerca de dois milhões de toneladas por ano. Globalmente, o Brasil consolida sua relevância ao ocupar a quinta posição no ranking mundial, segundo dados do IBGE.
Diante desse crescimento e da necessidade de acompanhar os desafios e oportunidades de um mercado em constante evolução, iniciativas voltadas à inovação, ao compartilhamento de conhecimento e à integração da cadeia produtiva ganham ainda mais relevância. Neste contexto, a 3ª edição do Tech Show Melancia atuou como um encontro estratégico para abordar o futuro da produção da fruta. O evento reuniu mais de 200 participantes entre os dias 28 e 31 de julho, em Jussara e Santa Fé de Goiás.
No encontro, especialistas e representantes da cadeia contribuíram para fortalecer o modelo integrado e ampliar o acesso a práticas mais modernas e sustentáveis. O evento foi realizado na propriedade do agricultor Washington Ferras, que inaugurou uma unidade de beneficiamento para a melancia. A expectativa é que o local processe até 50 toneladas da fruta por dia, marcando um novo patamar de profissionalização e agregação de valor à cadeia da melancia no Estado.
O investimento acompanha a expansão da atividade na propriedade, impulsionada pela adoção de híbridos de alto valor agregado. Washington produz melancia em 350 hectares, sendo mais de 80% da área dedicada às variedades Pingo Doce e Brabba. Com perfis distintos, as variedades ajudam a atender diferentes demandas do mercado consumidor e têm contribuído para o avanço da cultura no país.
Um dos casos de sucesso no varejo nacional, a melancia Pingo Doce registrou crescimento de produção de 25% nos últimos três anos, refletindo o avanço do segmento de melancias especiais. Já a demanda pela variedade convencional Brabba, lançada em 2023, cresceu mais em mais de dez vezes no período. Com características distintas, os dois híbridos ampliam as possibilidades de comercialização para o produtor, permitindo atender diferentes perfis de clientes e canais de venda.
No caso da Pingo Doce, praticidade e conveniência são fatores decisivos na hora da compra. Por ser uma opção menor, com doçura superior, textura firme e rastreabilidade, ela tem conquistado consumidores exigentes e atraído produtores para um novo modelo de negócio que permite a verticalização do processo de produção e beneficiamento.
No mercado brasileiro há oito anos, a Pingo Doce é inspirada em um caso de sucesso do mercado europeu. Na Espanha, o consumo de melancia está relacionado ao desenvolvimento de uma variedade com características semelhantes à do Brasil, já que o modelo de negócio foi adaptado para uma estratégia que reforça a integração entre os elos de toda a cadeia.
Por outro lado, a variedade Brabba é voltada para o público que busca a melancia tradicional. Para o agricultor, a vantagem deste híbrido está na produtividade, com a possibilidade de produzir uma fruta com mais de 12 quilos que permite melhor remuneração pelo produto.
Essa combinação entre alta produtividade e valorização comercial ajuda a explicar o destaque da Brabba no mercado. Com maior rentabilidade, frutos maiores, qualidade interna da polpa e bom desempenho de cultivo no outono e inverno, a variedade se destaca entre as opções de produção disponíveis no mercado atual. A demanda expressiva por esse híbrido indica que as melancias convencionais também têm potencial de crescimento.
É neste cenário de alta eficiência que a BASF Soluções para Agricultura, por meio da sua marca de sementes e hortaliças Nunhems®, tem atuado como provedora de inovação agronômica, entregando sementes híbridas de alto valor agregado que demandam infraestruturas mais modernas para o beneficiamento e distribuição.
Para a companhia, o crescimento do mercado demonstra que a tecnologia tem sido fundamental para futuro da cultura. “Quando desenvolvemos uma genética de alto desempenho, nós também impulsionamos a modernização de toda a cadeia. Ver parceiros como o Washington, investindo em infraestruturas de pós-colheita, nos dá a certeza de que nossas variedades, como a Pingo Doce e a Brabba, estão cumprindo o seu papel de gerar rentabilidade no campo e ditar o padrão de qualidade no mercado”, avalia Diego Lemos, Gerente de Cultivos da BASF/Nunhems.
Mais eficiência do campo ao consumidor
Toda essa transformação reflete a tendência de verticalização da produção de melancia no país. Mais do que aumentar a produtividade no campo, produtores como Washington Ferras estão investindo em estruturas próprias de beneficiamento para ganhar eficiência operacional, agregar valor à fruta e encurtar a distância entre a colheita e o consumidor final.
“O investimento surgiu de uma necessidade que vimos dentro da propriedade. Produzir com qualidade é fundamental, mas percebemos que era preciso investir em estrutura, tecnologia e eficiência para acompanhar o crescimento da produção e atender melhor às exigências do mercado. Além de beneficiar a nossa propriedade, esse movimento também fortalece toda a cadeia produtiva de melancia do estado”, comenta o agricultor.
Na prática, os benefícios desse modelo vão além do beneficiamento da fruta e se refletem diretamente na logística e na qualidade do produto que chega ao consumidor. Com o packing house operando, o tempo médio entre a colheita no campo e a chegada da fruta à mesa do consumidor, que historicamente levava seis dias, será reduzido para até a metade do tempo. Essa agilidade proporcionada pela estrutura prolonga o frescor e o shelf-life (tempo de prateleira) da fruta, com redução estimada de 10% nas perdas pós-colheita.
“O futuro do cultivo da melancia está sendo construído a cada dia, com muita tecnologia e inovação. Mais do que um evento técnico, o Tech Show refletiu o compromisso com o fortalecimento das parcerias para o avanço de um setor cada vez mais competitivo, tecnológico e sustentável. Ver de perto o investimento do produtor neste modelo de negócio nos dá a certeza de que estamos no caminho certo”, afirma Beatriz Accorsi, gerente de Marketing de Cultivos e de Frutas e Vegetais da BASF Soluções para Agricultura.