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AGOS recomenda a não comercialização de azeites impróprios para consumo

Wandell Seixas

A orientação aos supermercados associados nas cidades de Goiás é muito clara: não comercializar nenhum produto que seja considerado impróprio para o consumo. Segurança alimentar é uma prioridade para o setor. Esta declaração é do presidente da Associação Goiana de Supermercados (AGOS), Sirlei Antonio do Couto, a respeito de determinação judicial em ação civil publica movida pelo Ministério Público sobre a comercialização de azeites.  

O Ministério da Agricultura, através de seu laboratório de análises sensoriais, examinou uma série de azeites vendidos nos supermercados brasileiros como extravirgem. Segundo os laudos, rótulos de marcas como Andorinha, Gallo, Borges, Gomes da Costa, Filippo Berio e Carrefour, entre outras, apresentadas como extravirgem, foram identificadas na realidade como azeites virgens. Já rótulos de marcas como Costa D’Oro e Terras de Camões foram classificadas pelo laboratório oficial como lampantes, considerados impróprios para consumo.

No caso dos azeites, observa Sirlei, “a realidade da maioria dos supermercados goianos associados à AGOS é um mix mais enxuto, especialmente entre pequenos e médios estabelecimentos. Isso faz com que esses varejistas trabalhem, em geral, com marcas já consolidadas no mercado e fornecedores de confiança, reduzindo significativamente o risco de adquirir produtos de origem duvidosa”.

Segundo o presidente da AGOS, “até o momento, não tivemos relatos de associados que precisaram retirar das gôndolas produtos enquadrados nessa situação. Ainda assim, acompanhamos atentamente as informações divulgadas pelos órgãos de fiscalização e reforçamos a orientação para que os supermercados sigam rigorosamente todas as determinações dos órgãos competentes, retirando imediatamente qualquer produto que venha a ser considerado irregular”.

As análises sensoriais realizadas pelo Ministério da Agricultura em azeites comercializados no Brasil reacenderam o debate sobre a qualidade dos produtos oferecidos aos consumidores. Na avaliação do Ibraoliva, os resultados reforçam a necessidade de ampliar o controle sobre os produtos importados comercializados como extravirgem, garantindo que a classificação informada nos rótulos corresponda às características efetivamente encontradas no produto.

O presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, disse que os resultados confirmam denúncias feitas pela entidade, que representa os produtores brasileiros. “Os laudos técnicos confirmam denúncias feitas reiteradamente pela instituição. São azeites velhos, com defeito, descartados pelos europeus, que chegam às prateleiras dos supermercados como extravirgem e são, na verdade, virgens, azeites de baixa qualidade que não podem ser comparados com o azeite extravirgem superpremium produzido no Brasil”, afirma.

Obino diz que os resultados ajudam a explicar a diferença de preço em comparação com o azeite brasileiro. “São azeites normalmente com ranço, mofo, sem frutado, que provavelmente ficam armazenados por anos e depois são despejados no mercado brasileiro”, afirma. E conclui: “E óbvio que este tipo de azeite tem que ser mais barato que o azeite extravirgem de verdade produzido no Brasil”.

A nutricionista Isabel Kasper explica que a classificação do azeite não representa apenas uma diferença comercial, mas também está relacionada às propriedades nutricionais do alimento. Segundo ela, todo azeite de oliva apresenta predominância de ácido oléico, uma gordura monoinsaturada associada à proteção cardiovascular. Entretanto, o azeite extravirgem reúne um diferencial importante.

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