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Incêndios florestais ultrapassam 600 no primeiro semestre em Goiás

Calor intenso exige cuidados redobrados com o rebanho

A estiagem prolongada no Centro-Oeste contribui para a queda da umidade e para o aumento de queimadas. Segundo o Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás, algumas regiões do Estado já acumulam dois meses sem chuvas significativas. O período de estiagem costuma se intensificar entre agosto e outubro. Esta condição pode ampliar os impactos do tempo seco sobre a população e favorecer a ocorrência de queimadas.

Com esse tempo seco, Goiás já registrou 658 incêndios florestais entre 1º de janeiro e 24 de julho, segundo dados do Corpo de Bombeiros Militar. Desse total, 626 ocorrências atingiram áreas públicas ou particulares e outras 32 foram contabilizadas em áreas protegidas.  Os municípios de Rio Verde e Pontalina já acusam prejuízos sem precedentes nas lavouras e áreas de pastagens.

Os próximos dias devem ser marcados por temperaturas acima da média em diversas regiões. Para quem trabalha com pecuária, esse cenário pede um olhar mais atento para o manejo dos animais. O calor intenso não afeta apenas o bem-estar do rebanho. Pode comprometer o ganho de peso, reduzir a produtividade, prejudicar a reprodução e aumentar o risco de problemas de saúde.

Quando a temperatura sobe demais, os animais gastam mais energia tentando regular a própria temperatura. Como consequência, comem menos, passam mais tempo parados em busca de sombra e tendem a apresentar queda no desempenho.

Conforme o médico veterinário do Sindicato Rural de Rio Verde, Juliano Aquino, em períodos prolongados de calor, os prejuízos podem aparecer rapidamente, sobretudo em sistemas mais intensivos.

 “Alguns cuidados são essenciais nesse período como oferecer água limpa e o tempo todo, garantir áreas de sombra, seja por meio de árvores ou estruturas artificiais, principalmente nos horários de maior incidência do sol. Evitar manejos como vacinação, transporte, apartação e pesagem, durante as horas mais quentes do dia e a alimentação merece atenção redobrada. Pois o calor o consumo de matéria seca, por isso é importante acompanhar de perto o comportamento do rebanho e, se necessário, ajustar o fornecimento da dieta”, observa.

O veterinário reforça que medidas simples, adotadas no momento certo, fazem toda a diferença para minimizar os efeitos das altas temperaturas. “Além de preservar o bem-estar dos animais, um manejo adequado ajuda a manter a produtividade da propriedade e evita prejuízos que, muitas vezes, só são percebidos quando o desempenho do rebanho já foi comprometido”, conclui.

Para o gerente do Centro de Operações Integradas da Equatorial Goiás, Vinicyus Lima, a complexidade operacional reforça a necessidade de conscientização mútua. “Uma queimada nunca é um fato isolado. Quando o fogo atinge a vegetação sob as nossas linhas de transmissão, o impacto se estende por quilômetros, interrompendo serviços essenciais em hospitais, comércios e residências que dependem da energia elétrica. Combater os focos de incêndio e conscientizar a população sobre os riscos desse período de estiagem é um dever cívico e de segurança pública para garantir a estabilidade do Estado”, explica.

Imagem: Eduardo Branquinho

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