Golpe digital: Todo cuidado é pouco

O golpe digital entrou na moda com as vítimas se multiplicando no País. Em Goiânia não é diferente. As vítimas seguem os trâmites legais recomendados. Registram o Boletim de Ocorrência na Delegacia Civil numa tentativa de reaver perdas. Mas, sofrem com a lentidão nas investigações. É visível a dificuldade em rastrear transações cibernéticas que dificultam a recuperação de valores. O Brasil registrou mais de 750 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos, liderando de forma expressiva o volume de ameaças digitais na América Latina.

O sistema financeiro envolvido protela ao máximo as pessoas. Ao que transmitem a idéia de desistência por parte da vítima. A reportagem acompanhou um caso específico de um cliente que demandou exatas três horas de explicações e resultou em nada, pelo menos aparentemente. Os operadores do banco se alternavam e a vítima tinha que repetir várias vezes o acontecimento.

A compra com a utilização do cartão clonado ocorreu na capital paulista, a entrega da mercadoria comprada tinha naturalmente o telefone e endereço, mas o banco que pratica o shop na prática não fez nada. O cliente verdadeiro reside em Goiânia e foi mais uma vítima de mais de R$30 mil em compras.

Segundo a Febraban, os criminosos clonam contas, roubam o perfil ou criam um novo com a foto de um conhecido para pedir dinheiro empregado sob falsas urgências. As práticas criminosas ocorrem, ainda, com as falsas vendas. Anúncios de produtos com preços muito baixos em sites falsos ou redes sociais. O pagamento é feito, muitas vezes via Pix, mas a mercadoria nunca é entregue. 

 Golpistas ligam ou mandam mensagens fingindo ser do suporte do banco. Eles induzem a vítima a fazer transferências, Pix ou fornecer senhas sob o pretexto de cancelar uma compra fraudulenta. Enviam de mensagens de texto, e-mails ou links falsos que imitam instituições conhecidas, como bancos ou órgãos do governo, para roubar senhas e dados pessoais. 

Mais vulneráveis

Mesmo que o senso comum aponte que os mais vulneráveis estariam mais expostos a golpes virtuais, especialmente os idosos, as pesquisas não comprovam isso. No ano passado, uma ampla consulta do DataSenado, que entrevistou quase 22 mil pessoas, indicou que os mais afetados são jovens entre 16 e 29 anos, que correspondem a 27% das vítimas. A faixa com mais de 60 anos, considerada vulnerável por ter migrado para uma realidade totalmente nova, digital, já na idade adulta, representa 16% delas.

O coordenador do Instituto DataSenado, Marcos Ruben de Oliveira, explica que os resultados da pesquisa “não evidenciam que os idosos sofrem mais golpes”, ainda que haja maior participação dos jovens na população brasileira.

O Projeto de Lei nº 446/2026, de autoria do deputado Ricardo Abrão (PSDB-RJ), que institui a Lei Nacional de Proteção Digital da Pessoa Idosa contra golpes e fraudes eletrônicas na Câmara dos Deputados.

Principais Pontos da Proposta: Determina que bancos façam um crédito provisório à vítima idosa em até 48 horas após registro de fraude consistente, tornando-se definitivo se comprovado o golpe.

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