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Cinco pesquisas recebem R$ 2,5 milhões para transformar dados climáticos em decisões econômicas no Brasil


Projetos vão produzir evidências e ferramentas para apoiar decisões de governos, empresas e investidores diante dos impactos econômicos das mudanças climáticas
 

Créditos: Pixabay

Cinco projetos de pesquisa foram selecionados pelo HUB de Economia e Clima, iniciativa do Instituto Clima e Sociedade (iCS), para receber financiamento e apoio pelo edital Clima na Economia: Integrando a Questão Climática à Agenda Econômica, que destina um total de até R$ 2,5 milhões à produção de conhecimento sobre a relação entre economia e mudanças climáticas no Brasil. As pesquisas selecionadas abordam desde os efeitos econômicos de desastres climáticos e os desafios da agricultura familiar até política fiscal verde, investimentos públicos resilientes e adaptação climática na Amazônia.

O resultado encerra um processo de seleção que recebeu 403 propostas de todo o país e chegou a 11 projetos finalistas. A partir de agora, os cinco selecionados avançam para a etapa de financiamento e apoio ao desenvolvimento das pesquisas, com foco na produção de conhecimento orientado à ação e capaz de subsidiar a tomada de decisão de governos, empresas e investidores.

Para Sarah Irffi, coordenadora do HUB de Economia e Clima, a proposta do HUB consiste em ampliar a disseminação de conhecimento qualificado sobre a relação entre clima e economia, tornando informações e pesquisas acessíveis a diferentes públicos e contribuindo para uma compreensão mais ampla, pela sociedade, dos impactos e desafios associados às mudanças climáticas.

“Receber mais de 400 propostas mostrou não apenas o interesse crescente pelo tema, mas também a diversidade de questões econômicas que precisam ser enfrentadas diante das mudanças do clima. Agora, queremos apoiar pesquisas que consigam aproximar o conhecimento científico das decisões concretas, produzindo evidências que possam ser incorporadas por gestores públicos, empresas e investidores”, destaca.  

De desastres no Sul à adaptação na Amazônia  

Entre os projetos selecionados está uma pesquisa da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) sobre os impactos microeconômicos de desastres hidrológicos no Rio Grande do Sul. O estudo investiga como esses eventos afetam a migração, o mercado de trabalho e as finanças municipais, gerando evidências para políticas de adaptação, qualificação profissional e planejamento fiscal.
 

O Instituto Federal Goiano (IF Goiano) foi selecionado a partir de uma pesquisa sobre sustentabilidade e tomada de decisão econômica na agricultura familiar do Centro-Oeste. O trabalho vai criar ferramentas para que o poder público, cooperativas e instituições financeiras incorporem riscos climáticos às decisões, incluindo simulador, indicadores, painel digital e recomendações para políticas públicas e crédito rural.
 

Na área macroeconômica, o Instituto de Ciência Tecnológica, Pesquisa, Inovação, Educação e Exportação (ICTEXP) desenvolve um modelo para avaliar os efeitos de políticas fiscais e climáticas sobre indicadores como PIB, emprego, arrecadação, emissões e desigualdade. A proposta inclui a disponibilização pública do modelo e de um simulador para apoiar análises relacionadas à precificação de carbono.

Já a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) trabalha na criação de um sistema de apoio à decisão para investimentos públicos eficientes e resilientes. Desenvolvida inicialmente em parceria com gestores de Natal, a ferramenta utilizará inteligência artificial para integrar informações territoriais, climáticas e econômicas e apoiar decisões de investimento, com eventual replicação em outros municípios.
 

Completa a lista um projeto da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), voltado à adaptação climática na Amazônia. A iniciativa amplia um observatório que reúne informações sobre assentamentos rurais, orçamento e capacidades institucionais dos municípios, transformando os dados em indicadores, diagnósticos, paineis e recomendações de apoio ao planejamento climático.
 

“Existe uma demanda por informações que permitam compreender os custos das mudanças climáticas. O objetivo é que as pesquisas não terminem na publicação de um estudo, mas ajudem a qualificar políticas que já estão sendo implementadas no país”, conclui Sarah Irffi.

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