Goiânia supera a marca de 1,5 milhão de habitantes e o verde dá vida à cidade fundada por Pedro Ludovico

Goiânia completa neste 24 de outubro 93 anos de fundação. Pedro Ludovico, um medido por formação, resolveu mudar a capital de Vila Boa, hoje cidade de Goiás, para o Planalto Central do Brasil. Provocou uma verdadeira revolução urbana e arquitetônica na nova cidade. O Palácio das Esmeraldas, o Cine Teatro Goiânia, números e não nomes para as ruas e praças simbolizam as novas configurações.
O verde, tão cobrado na atualidade, sempre deu vida a Goiânia. Ruas e avenidas arborizadas, inúmeros parques complementam os jardins vicejantes. E lembrar que Pedro Ludovico acompanhou toda essa construção montado num cavalo (foto). Hoje, campus universitários e outros centros culturais contribuem para a formação do goianiense. A capital goiana também detém uma economia diversificada, onde prevalece a cadeia do agronegócio.

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), Goiânia superou a marca de 1,50 milhão de habitantes em 2025. O número representa um aumento de 0,5% em relação ao ano anterior. Em Goiás, foram registrados 7,42 milhões de residentes, valor 1,0% maior que em 2024. O Brasil, por sua vez, já conta com 211,85 milhões de pessoas, com variação de 0,4% no mesmo período.
Na análise por sexo, observa-se que a proporção de mulheres supera a de homens nas populações brasileira, goiana e goianiense. No País e Estado, elas correspondem a 51,2% da população. Em Goiânia, o percentual é ligeiramente maior (52,4%).
Percentual de idosos volta a crescer

Pedro Ludovico , dona Gercina, primeira dama, Altamiro de Moura Pacheco e outras figuras de pro da sociedade goianiense
Considerando-se a estrutura etária da população entre 2012 e 2025, é notável o crescimento da população com 60 anos ou mais de idade. Em Goiânia, o levantamento mais recente da PNAD Contínua apura que, em 2025, ela correspondia a 16,6% da população total, 2,5 pontos percentuais a mais que no ano anterior (14,1%) e 7,1 pontos percentuais acima do registrado em 2012, quando teve início a série histórica. Apesar do avanço em 2025, porém, a proporção representada pelos idosos já alcançou números ainda mais expressivos em 2022 (16,9%) e 2023 (17,9%).
O aumento da população com 60 anos ou mais de idade também é observado no estado e no país. Em Goiás, ela representava 8,8% dos residentes em 2012. Desde então, sua participação cresceu 5,6 pontos percentuais, atingindo 14,4% em 2025. No Brasil, os idosos já correspondem a 16,6% do total de indivíduos, segundo o último levantamento.
Observa-se, ainda, que o percentual de mulheres – que já é superior ao de homens quando analisado perante a população total – fica ainda maior quando se considera apenas a população idosa. Entre os indivíduos com 60 anos ou mais, em 2025, elas representavam 60,6% em Goiânia, 55,6% em Goiás e 55,9% no Brasil.
Paralelamente, a população abaixo de 20 anos tem diminuído. Entre 2012 e 2025, ela caiu de 28,2% para 21,7% em Goiânia. No estado, a queda foi bastante similar, com diferença de 6,4 p.p. entre 2012 (33,5%) e 2025 (27,1%). No país, por sua vez, ela saiu de 32,5% (2012) para 26,4% (2025).
Imigrantes de fora do Estado

Jornalistas Lorimá Dionísio, Wandell Seixas, Nana, o escritor Jorge Amado, Mesquita, Pedro Ludovico e o netinho
Segundo o Censo Demográfico, em 2022, 26,1% da população goianiense era composta por brasileiros que não nasceram em Goiás. O percentual representa 372,8 mil residentes na capital que vieram, principalmente, do Maranhão (15,2%), de Minas Gerais (15,0%), de Tocantins (13,5%) e da Bahia (11,5%).
O levantamento sinaliza um aumento da proporção de imigrantes nascidos em outros estados na população da capital goiana. Em 2010, ela não alcançava um quarto da população (24,8%) e era originária, sobretudo, de Minas Gerais (18,9%), da Bahia (14,1%) e do Tocantins (13,2%). O Maranhão, Estado responsável pela maioria dos imigrantes goianienses na ocasião do Censo Demográfico de 2022, era apenas o quarto estado que mais possuía migrantes em Goiânia em 2010 (12,6%).
Goiânia tem a quinta maior área urbanizada do Brasil
O IBGE divulgou, em agosto deste ano, o estudo Áreas Urbanizadas do Brasil 2022. Segundo ele, com 304,42 km² de áreas urbanizadas, Goiânia ocupa a quinta posição no ranking nacional para o quesito. À frente da capital goiana estão apenas São Paulo (911,08 km²), Brasília (633,24 km²), Rio de Janeiro (620,43 km²) e Curitiba (331,81 km²).

Jardim Botânico, um dos parques de Goiânia
O estudo Áreas Urbanizadas do Brasil mapeia a materialização espacial do fenômeno urbano por meio da interpretação visual de imagens de satélite. Para isso, o território é classificado em quatro tipos principais: Áreas Urbanizadas, Loteamentos Vazios, Outros Equipamentos Urbanos e Vazios Intra-urbanos, possibilitando retratar a configuração e a expansão das cidades brasileiras.
O destaque de Goiânia também se reflete na posição de outros municípios goianos. Aparecida de Goiânia aparece como a segunda maior área urbanizada do estado e ocupa a 23ª colocação nacional, com 137,81 km². Em seguida, no ranking estadual, vêm Anápolis (101,14 km²), na 45ª posição do país; Luziânia (83,89 km²), na 65ª; e Caldas Novas (55,65 km²), na 128ª.
Goiás, por sua vez, possuía 2.080,2 km² de áreas urbanizadas em 2022, a maior extensão entre os estados do Centro-Oeste. Com esse resultado, o Estado ocupou a primeira posição no ranking regional, à frente de Mato Grosso (1.256,7 km²), Mato Grosso do Sul (864,9 km²) e Distrito Federal (633,2 km²).
Segunda capital mais arborizada do Brasil

Avenida Goiás e o histórico relógio
De acordo com o Censo Demográfico 2022, 89,6% dos moradores de Goiânia residem em logradouros que possuem uma ou mais árvores. Com isso, a Capital é a segunda mais arborizada do País, atrás apenas de Campo Grande (91,4%).
O índice é resultado da Pesquisa Urbanística do Entorno dos Domicílios, o maior e mais completo levantamento georreferenciado dos dez elementos urbanísticos pesquisados no Brasil: capacidade de circulação da via, pavimentação da via, existência de bueiro ou boca de lobo, iluminação pública, ponto de ônibus ou van, vias sinalizadas para bicicletas, calçada ou passeio, presença de obstáculo na calçada, rampa para cadeirante e arborização.
No levantamento anterior, realizado pelo Censo Demográfico 2010, Goiânia (88,8%) e Campo Grande (96,3%) também se posicionavam como as duas capitais mais arborizadas do país. Em terceiro lugar, contudo, aparecia Belo Horizonte (81,4%), que caiu para a sétima colocação em 2022 (75,3%).
Em relação às unidades federativas, Goiás figurou como a quarta mais arborizada (81,8%). As três primeiras posições foram ocupadas por Mato Grosso do Sul (92,4%), Distrito Federal (84,2%) e Paraná (82,6%). Considerando o resultado obtido em 2010, quando o índice goiano (76,8%) foi apenas o sétimo do País, observa-se um avanço estadual nesta última pesquisa. No Brasil, o percentual de moradores residentes em vias arborizadas ficou em 66,0%.
Menor número de moradores em favelas
Dados do Censo Demográfico 2022 mostram que Goiânia tinha 25.616 moradores residentes em favelas e comunidades urbanas, colocando a capital goiana entre as capitais brasileiras com os menores contingentes populacionais nessas áreas. Entre as 27 capitais, apenas Campo Grande (7.862 habitantes) e Boa Vista (16.009) registraram números inferiores aos de Goiânia. Na outra extremidade do ranking, as maiores populações residentes em favelas e comunidades urbanas foram observadas em São Paulo (1,72 milhão de habitantes), Rio de Janeiro (1,35 milhão) e Manaus (1,15 milhão).
Em Goiânia, a população residente em favelas e comunidades urbanas é composta majoritariamente por pessoas pardas, que somaram 14.691 moradores. Em seguida aparecem as pessoas brancas (7.575) e pretas (3.261). Quanto à distribuição por idade, os maiores contingentes estão nas faixas de 20 a 24 anos, com 2.204 moradores, 15 a 19 anos (2.044) e 35 a 39 anos (2.014). Também se destacam os grupos de 40 a 44 anos (1.983 habitantes), 25 a 29 anos (1.977) e 5 a 9 anos (1.972).
A maior favela ou comunidade urbana de Goiânia em número de moradores é Quebra Caixote, com 2.340 habitantes. Na sequência aparecem Residencial JK (1.454 moradores), Vila Bandeirantes (1.375), Jardim Novo Mundo XXII (1.222) e Emanuelli (1.154).
Também ultrapassa mil moradores a comunidade Fazenda Guarantã (1.022 habitantes), enquanto Vila Roriz (955), Parque Industrial (829), Vila Monticelli (791) e Colônia Santa Marta (736) completam o grupo das dez maiores favelas e comunidades urbanas da capital goiana em população residente.
Quarta menor taxa de desemprego

Ceasa Goiânia, uma das centrais de abastecimento de alimentos
De acordo com a PNAD Contínua, a taxa de desocupação em Goiânia foi de 3,6% no 2º trimestre de 2026. O percentual corresponde ao segundo menor já registrado para um 2º trimestre, acima somente do índice de 3,3% assinalado em 2025 e 2014.
Em termos absolutos, ele corresponde a 32 mil pessoas de 14 anos ou mais de idade desocupadas na capital. No Brasil, o índice mais recente (5,4%) foi o menor já apresentado em um 2º trimestre. A taxa de desocupação, popularmente conhecida como taxa de desemprego, representa o percentual de pessoas desocupadas em relação àquelas que compõem a força de trabalho em determinado período.
Entre as capitais brasileiras, segundo o resultado mais recente, Goiânia foi a quarta com menor taxa de desocupação. Apenas Cuiabá (2,3%), Palmas (2,6%) e Campo Grande (3,1%) atingiram percentuais inferiores.
A PNAD Contínua também investiga as atividades que mais empregam trabalhadores. No 2º trimestre de 2026, dentre as 855 mil pessoas ocupadas em Goiânia, o maior contingente estava no grupamento de Trabalhadores dos serviços, vendedores dos comércios e mercados (24,0%), que reuniu 206 mil pessoas. Na sequência apareceram os Profissionais das ciências e intelectuais, com 157 mil pessoas (18,3%); os Técnicos e profissionais de nível médio, com 103 mil (12,0%); e os Trabalhadores qualificados, operários e artesãos da construção e outros ofícios, com 100 mil ocupados (11,7%). Já as Ocupações elementares somaram 83 mil trabalhadores, representando 9,8% do total.
A série histórica da PNAD Contínua mostra que o grupamento de Trabalhadores dos serviços, vendedores dos comércios e mercados permaneceu como o mais numeroso na capital goiana ao longo do período analisado. No primeiro trimestre de 2012, esse grupo reunia 161 mil pessoas ocupadas, número que chegou a 206 mil no segundo trimestre de 2026, uma expansão de 45 mil trabalhadores ao longo da série.
A taxa de informalidade, por sua vez, foi de 36,3% em Goiânia no 2º trimestre de 2026, ligeiramente abaixo do percentual brasileiro (37,4%). Isso significa que, na capital, entre as 855 mil pessoas de 14 anos ou mais de idade ocupadas na semana de referência, 310 mil estavam em situação de informalidade.
Enquanto o índice brasileiro é o segundo menor já obtido em um 2º trimestre, o de Goiânia representa um expressivo aumento frente ao 1º trimestre (31,6%), alcançando o maior valor desde o 1º trimestre de 2020 (37,7%).
A taxa de informalidade considera as seguintes categorias: empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada; empregados domésticos sem carteira de trabalho assinada; empregadores sem registro no CNPJ; trabalhadores por conta própria sem registro no CNPJ; e trabalhadores familiares auxiliares.
Rendimento médio dos goianienses é um dos maiores entre as capitais
O rendimento médio mensal real habitualmente recebido no trabalho principal em Goiânia (GO) foi de R$ 5.496 no segundo trimestre de 2026, segundo dados da PNAD Contínua. Entre as capitais brasileiras, Goiânia ocupou a 6ª posição no ranking de rendimento médio, atrás apenas de Florianópolis (R$ 6.861), Porto Alegre (R$ 6.402), Curitiba (R$ 6.134), Brasília (R$ 6.007) e Vitória (R$ 5.982). O rendimento dos trabalhadores da capital goiana também superou o registrado em capitais como São Paulo (R$ 5.431), Belo Horizonte (R$ 5.130) e Rio de Janeiro (R$ 5.027). A média nacional no período foi de R$ 3.621.
O resultado do 2º trimestre de 2026 é o segundo maior de toda a série histórica disponível, ficando abaixo apenas do recorde registrado no 1º trimestre de 2026 (R$ 5.718), e evidencia a trajetória de crescimento observada nos últimos anos. O indicador passou de R$ 3.967 no 2º trimestre de 2018 para patamares superiores a R$ 5 mil em 2025 e 2026.
PIB goianiense segue em franca ascensão
O Produto Interno Bruto (PIB) de Goiânia alcançou R$ 75,8 bilhões em 2023, o maior valor da série histórica iniciada em 2002. No período recente, a Capital registrou crescimento contínuo após a retração observada em 2020, passando de R$ 59,9 bilhões em 2021 para R$ 66,3 bilhões em 2022 e chegando a R$ 75,8 bilhões em 2023. Na comparação com o ano anterior, o avanço foi de aproximadamente 14,3%, o equivalente a um acréscimo de R$ 9,5 bilhões no PIB municipal.
Em âmbito nacional, o PIB brasileiro totalizou R$ 10,9 trilhões em 2023. Nesse cenário, Goiânia ocupou a 10ª posição no ranking das capitais com maior PIB do País. As primeiras colocações foram de São Paulo (R$ 1,07 trilhão), Rio de Janeiro (R$ 418,5 bilhões) e Brasília (R$ 365,7 bilhões). A capital goiana apareceu logo atrás de Salvador (R$ 76,7 bilhões) e à frente de Recife (R$ 66,4 bilhões), mantendo-se entre as dez maiores economias entre as capitais brasileiras.