Risco de queimadas segue elevado até o início de outubro


Cenário de clima seco e vento ampliam o risco de focos de incêndio acima do normal, com impacto sobre o setor agrícola


Em um cenário de clima seco acima do normal, o risco de ocorrência de queimadas, como as registradas na última semana no Estado de São Paulo, seguirá elevado até o início de outubro, exigindo atenção principalmente do agronegócio, segundo alerta da Climatempo, a maior e mais reconhecida empresa de consultoria meteorológica e previsão do tempo do Brasil e da América Latina.


Vinicius Lucyrio, meteorologista da Climatempo, explica que os meses de agosto e setembro tradicionalmente registram o pico das queimadas, por ser um período em que o solo perde a umidade e há a continuidade da seca desde o início do inverno, deixando a vegetação ainda mais seca e suscetível a incêndios.


“As queimadas ocorrem geralmente ao longo de um período prolongado de seca, com pico imediatamente antes do retorno das chuvas. Neste ano, o cenário se agravou porque tivemos um verão com chuvas mais irregulares, que não garantiram uma recuperação eficaz da umidade do solo”, observa Lucyrio. Além disso, o outono foi o mais quente da história no Estado, e muito seco, assim como o inverno, apesar das ondas de frio intensas, mas pontuais. “Tudo isso deixou o solo menos úmido e antecipou as condições de secura da vegetação, levando à ocorrência de focos precoces de incêndio, em níveis muito acima do normal.”


O climatologista da Climatempo destaca que no último sábado, quando se registraram inúmeros incêndios, o Estado de São Paulo também se encontrava na situação denominada de pré-frontal, ou seja, o período imediatamente anterior ao avanço de uma frente fria com quadrante noroeste, que corresponde à entrada de ar quente e seco de forma mais acelerada. “Esse cenário se agravou por conta dos ventos, que levaram as queimadas a se alastrar”, acrescenta.

Impacto dos incêndios para os produtores de cana-de-açúcar

A Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil que conta, atualmente, com 33 associações de fornecedores de cana e representa mais de 12 mil produtores de cana-de-açúcar – fez um balanço, preliminar dos impactos dos incêndios que atingiram propriedades rurais no estado de São Paulo.

Entre sexta-feira (23) e sábado (24) foram identificados mais de 2,1 mil focos de incêndios, que resultaram em 59 mil hectares queimados em áreas de cana-de-açúcar e áreas de rebrota de cana e um prejuízo estimado de R$ 350 milhões.

O CEO da ORPLANA, José Guilherme Nogueira, reforça que o prejuízo foi muito grande na cana em produção, na cana em pé e também na cana que estava em processo de brotação, que queimou a palhada. “Percebemos uma redução na produtividade na ordem de 50%, até por essa perda de biomassa que acabou sendo incendiada. Com isso, já temos impactos diretos nos preços do etanol e do açúcar e no canavial do próximo ciclo”, afirma.

A ORPLANA está trabalhando junto ao Gabinete de Crise do Governado do Estado de São Paulo para mitigar qualquer outro tipo de incêndio que possa acontecer. “A frente fria que chegou no domingo (25) trouxe chuva ao interior de São Paulo, algo em torno de 15 milímetros, amenizando a situação. Mas, o tempo deve continuar seco e quente nos próximos dias, o que nos traz muita preocupação para que não ocorra mais incêndios. Porém, temos ciência de que as queimadas podem voltar a acontecer e os números e prejuízos podem aumentar”, reforça.

Nogueira enfatiza ainda a importância do apoio do Governo Federal e Estadual neste momento. “O pacote de ações no valor de R$ 10 milhões para apoiar produtores rurais que foram severamente impactados pelos recentes incêndios florestais ajudará. Mas, se houver outros incentivos para a compra de caminhões pipa, na redução dos juros para essa finalidade, também ajudará bastante os produtores rurais”, frisa.

De acordo com ele, a ORPLANA está atenta ao cenário e necessidades dos produtores de cana, buscando alternativas para minimizar o prejuízo da tragédia causada pelos incêndios, que prejudicam o meio ambiente, a segurança das pessoas e também a rentabilidade dos produtores rurais.

“E reforçamos, mais uma vez, que toda a cadeia de produção da cana-de-açúcar está comprometida com a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente, ao seguir rigorosamente as diretrizes do Protocolo Agroambiental – Etanol Mais Verde, que proíbe o uso de fogo na colheita de cana no Estado de São Paulo”, conclui.

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