Brasil sai fortalecido da 62ª Sessão dos Órgãos Subsidiários da Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas

O Brasil saiu fortalecido da 62ª Sessão dos Órgãos Subsidiários da
Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas (SB62), encerrada em 28 de
junho, na cidade de Bonn, Alemanha. O conselheiro do Conselho Científico
Agro Sustentável (CCAS), Luís Eduardo Rangel, participou do evento e
destaca o papel estratégico que o país começa a exercer na construção da
agenda global agroambiental que culminará na COP30, prevista para
acontecer em 2025, em Belém (PA).

Durante as duas semanas de discussões técnicas e articulações políticas
internacionais, o Brasil apresentou a agenda de ação RAIZ (Resilient
Agriculture Implementation for Net-Zero Land Degradation), coordenada pelo
Ministério da Agricultura e Pecuária. Segundo Rangel, a proposta “consolidou
o Brasil como referência ao propor soluções concretas e integradas que ligam
clima, agricultura regenerativa e segurança alimentar”.

“A RAIZ é mais do que uma iniciativa: é um arcabouço técnico-institucional
que articula governos, produtores, setor privado e sociedade civil para
restaurar terras produtivas com base em evidências científicas e sistemas
sustentáveis de produção”, explica o conselheiro.

Ao longo da SB62, Rangel esteve em reuniões bilaterais com representantes
do Banco Mundial, WFO (World Farmers’ Organization) e outras delegações
que demonstraram interesse em colaborar com o Brasil. Países como
Alemanha, Canadá, Japão, Austrália e Quênia elogiaram a proposta. “A
receptividade foi notável. A RAIZ se conecta diretamente com as metas das
convenções do Rio e dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. É uma
proposta que mostra como a agropecuária pode ser parte da solução
climática”, reforça.

Além do destaque da RAIZ, Rangel participou de outros debates relevantes,
como o painel sobre financiamento climático para sistemas alimentares, que
revelou um cenário preocupante: os sistemas agroalimentares recebem
apenas uma fração mínima do financiamento climático global, apesar de
serem responsáveis por até 37% das emissões de gases de efeito estufa. “A
conta não fecha. Se quisermos cumprir a meta de 1,5°C, precisamos
multiplicar por 12 o volume de investimentos no setor”, alerta.

Outro ponto abordado foi a importância de alinhar ações de mitigação com
instrumentos financeiros adequados. Rangel aponta que “é preciso antecipar
medidas de baixo custo, como a recuperação de pastagens degradadas, mas
isso depende de financiamento inteligente, precificação de carbono e
pagamento por resultados”.

A Conferência também trouxe à tona discussões fiscais sensíveis, como a
tributação da produção pecuária. Em um evento oficial com representantes da
juventude da UNFCCC, o Brasil defendeu que qualquer eventual taxação
ambiental precisa considerar a segurança alimentar e a realidade produtiva
dos países em desenvolvimento. “Não se pode penalizar quem produz comida
sem avaliar os impactos sociais e econômicos”, afirmou.

Ao final da conferência, Rangel reforça: “Essa foi uma SB preparatória, mas o
recado é claro: o tempo de planejar está acabando. Agora é hora de
implementar. E o Brasil, com a RAIZ, está assumindo essa agenda com
seriedade”.

O conselheiro do CCAS está disponível para entrevistas e pode compartilhar
uma análise detalhada sobre o evento, incluindo os desafios logísticos
relatados por diversas delegações em relação à futura COP30 em Belém.
Sobre o CCAS

O Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) é uma organização da
Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011, com domicílio, sede e foro no
município de São Paulo-SP, com o objetivo precípuo de discutir temas
relacionados à sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira
clara, sobre o assunto.

O CCAS é uma entidade privada, de natureza associativa, sem fins
econômicos, pautando suas ações na imparcialidade, ética e transparência,
sempre valorizando o conhecimento científico.

Os associados do CCAS são profissionais de diferentes formações e áreas de
atuação, tanto na área pública quanto privada, que comungam o objetivo
comum de pugnar pela sustentabilidade da agricultura brasileira. São
profissionais que se destacam por suas atividades técnico-científicas e que se
dispõem a apresentar fatos, lastreados em verdades científicas, para
comprovar a sustentabilidade das atividades agrícolas.

A agricultura, por sua importância fundamental para o país e para cada
cidadão, tem sua reputação e imagem em construção, alternando percepções
positivas e negativas. É preciso que professores, pesquisadores e
especialistas no tema apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões,
para melhor informação da sociedade. Não podemos deixar de lembrar que a
evolução da civilização só foi possível devido à agricultura. É importante que
todo o conhecimento acumulado nas Universidades e Instituições de
Pesquisa, assim como a larga experiência dos agricultores, seja colocado à
disposição da população, para que a realidade da agricultura, em especial seu
caráter de sustentabilidade, transpareça.

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