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Agro está em tudo, mas sofre discriminação


Wandell Seixas 

Quando optei pelo jornalismo voltado para o agro há anos causei certo impacto junto aos colegas. E justifiquei a eles que os produtores precisavam de quem o defendesse na mídia e na sociedade em geral. Muitos, infelizmente, o consideram atrasados social e culturalmente.

Em decorrência da cadeia produtiva, conheci a Semana do Verde Internacional em Berlim quando ainda era uma cidade dividida. Desde àqueles tempos, a mostra agropecuária da capital alemã já propagava a questão ambiental. Numa reflexão contemporânea, percebo que foram pioneiros. Hoje, o tema está na boca de todo mundo.

Mas, ainda, percebo que o segmento agrário ainda é discriminado e sob alto vínculo ideológico. Não importa se o Brasil alcança novos índices de produção e produtividade na atividade agropecuária. E compete com os Estados Unidos em múltiplos setores da cadeia do agro. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária em 2025 é de crescimento, impulsionada pela maior colheita brasileira de grãos na safra 2024/25.

Com Roberto Rodrigues, um dos maiores conhecedores mundiais do agro, professor Emérito da FGV, Doutor Honoris Causa – UNESP, coordenador do Centro de Agronegócio da FGV-EESP, Embaixador Especial da FAO para o Cooperativismo, aprendi a participação da atividade agropecuária em praticamente tudo. Daí, talvez, o slogan o “Agro é tudo”, que busca associar o setor a idéias de modernidade, inovação e importância econômica e social.

 Realmente, a população precisa do agro para a sua sobrevivência. O alimento, desde o café da manhã, o cafezinho no trabalho, o almoço e o jantar. O leite, a cerveja, o suco, o vinho, as frutas, os sorvetes. Inclusive em remédios.

Na roça, o produtor sobrevive do que planta e colhe. Ele tem os desafios para sobreviver: o clima, a política econômica. Ao tomar um empréstimo bancário,  com os paga os juros. E aí por diante.

Onde entra o Roberto Rodrigues? Nos encontros que participei com a sua presença, ele chamava a atenção para os braços do agro que abarcava outros itens, além da produção de alimentos.

Ele observava que a atividade, na maioria das vezes, requer o uso do trator, dos implementos agrícolas, da colheitadeira e dos meios de transporte para escoar a produção e os insumos agrícolas.

Esse processo envolve a indústria de máquinas, que gera empregos, impostos. Exige o transporte para conduzir essas máquinas e implementos às múltiplas cidades no interior do País. E ainda as revendedoras.

Portanto, parem de discriminar uma atividade honrosa, operosa e que nos responde de forma positiva. Apesar de tudo.

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