Números dramáticos: 33 milhões de brasileiros não têm acesso à água e 100 milhões sem coleta de esgotos

Wandell Seixas

Os números são dramáticos. O Brasil sofre carência de água e esgotos. A carência do saneamento básico cresce em proporção às diferentes regiões. Mais de 33 milhões de brasileiros não têm acesso à água potável e quase 100 milhões ainda não usufruem dos serviços de coleta e tratamento de esgoto. Apenas 46 municípios têm mais de 80% da população com coleta de esgoto.

 Com relação ao tratamento de esgotos, os dados são piores: apenas 22 municípios tratam mais de 80%. Mais de 80% dessas grandes cidades têm perdas de água potável nos sistemas de distribuição superiores a 30%, o que indica um grande desafio a ser vencido no setor. Esses dados foram dissecados na Feira Internacional para Água, Esgoto, Drenagem e Soluções em Recuperação de Resíduos (IFAT Brasil) realizada em São Paulo no período de 24 a 26.

Os dados do Serviço Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) mostram que após mais de três anos da aprovação do Novo Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026), o País encontra-se distante das metas de atender 99% da população como serviços de água potável e, ao menos, 90% dos habitantes com coleta e tratamento de esgoto. O objetivo do marco legal é diminuir de forma considerável o numero de pessoas que não tem acesso a saneamento básico em território nacional.

Renan Andreguetto, expert da Messe Muenchen do Brasil, teceu considerações se dá arrepio sobre as consequências da falta de esgotos. Entre as quais, contribuem para o alagamento em épocas de chuvas torrenciais, a proliferação de ratos e outros insetos, que afetam a saúde das pessoas. De acordo com os dados do Diagnóstico de Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos, o Brasil recicla somente 2% do montante de resíduos gerados. E perde 40% da água encanada. Para Andreguetto “falta educação ambiental”. Ele sugere, também, que “antes de jogar fora o lixo doméstico lavá-lo antes”.

O congresso enfatiza informações sobre geração, coleta, coleta seletiva e destinação final de resíduos sólidos urbanos. Os dados revelam que, em 2018, foram geradas no Brasil 79 milhões de toneladas, um aumento de pouco menos de 1% em relação ao ano anterior. Desse montante, 92% (72,7 milhões) foram coletados.

Por um lado, isso significa uma alta de 1,66% em comparação a 2017: ou seja, a coleta aumentou num ritmo um pouco maior que a geração. Por outro, evidencia que 6,3 milhões de toneladas de resíduos não foram recolhidas junto aos locais de geração. A destinação adequada em aterros sanitários recebeu 59,5% dos resíduos sólidos urbanos coletados: 43,3 milhões de toneladas, um pequeno avanço em relação ao cenário do ano anterior.

O restante (40,5%) foi despejado em locais inadequados por 3.001 municípios. Ou seja, 29,5 milhões de toneladas de RSU acabaram indo para lixões ou aterros controlados, que não contam com um conjunto de sistemas e medidas necessários para proteger a saúde das pessoas e o meio ambiente contra danos e degradações.

Para fazer frente a todos os serviços de limpeza urbana no Brasil, os municípios aplicaram mensalmente, em média, R$ 10,15 por habitante. Tais serviços empregaram diretamente, em vagas formais de trabalho, 332 mil pessoas no período – um recuo de 1,4% em relação a 2017. O mercado de limpeza urbana movimentou recursos correspondentes a R$ 28,1 bilhões no país, queda de 1,28% na comparação com o ano anterior.

Histórico de investimentos externos em saneamento: R$ 34.916.640.518,28 entre 1992 – 2020. E de R$ 90.000.000.000,00 no período de 2020 – 2022.

Projeção de investimentos por setor até 2033 no Brasil: a IFAT Brasil tem os setores para todas as soluções e oportunidades de crescimento do mercado de tecnologias ambientais do Brasil. Gestão de Água: R$ 66.794.901.136,57; Gestão de Resíduos e Soluções em Recuperação Energética: R$ 226.636.696.188,16; Drenagem Infraestrutura para Saneamento: R$ 177.567.876.543,88; e Gestão de Esgoto: R$ 108.499.624.679,78.

Botão Voltar ao topo