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Janela tardia da soja: atenção ao preparo antecipado do solo é chave para a boa produtividade

Boas práticas para agricultores que iniciam a semeadura de novembro e
buscam alto desempenho

Nesta terça-feira, 5, assistimos às paralisações que atrasaram o plantio
da soja 2025/26 no Tocantins, causadas por fortes chuvas no Estado, comprometendo
a janela da safra. O acontecimento, acrescido de altas temperaturas, limitaram as
operações e, dado o fato, diversas regiões já apresentam comprometimento com o
calendário agrícola, que começou muito bem no começo, segundo o engenheiro
agrônomo Thiago Facco, mas que então passou a enfrentar dificuldades recorrentes
que foram se intensificando.

Para os agricultores de outros estados que iniciam a semeadura de soja em
novembro, ficarem atentos ao preparo adequado do solo será essencial para
compensar a janela tardia a fim de garantir uma boa performance na produtividade
durante o período. Dentre as diversas práticas administradas pelos agricultores, é
tempo de dar atenção ao manejo, às correções químicas e sem deixar de lado a
estrutura física do solo. Os detalhes podem diferenciar-se de uns para os outros, mas
a maioria dos cuidados na semeadura são comuns a todos, que pode fazer toda a
diferença ao apresentar bons resultados de que são esperados.

A semeadura de soja no Brasil ocorre entre os meses de setembro e dezembro,
podendo variar conforme cada região, podendo haver algumas microrregiões ainda
semeando entre novembro e dezembro. O calendário é definido considerando os
fatores climáticos e fitossanitários, bem como o vazio sanitário, período em que é
recomendado não cultivar ou manter plantas vivas de determinadas culturas.

Para a garantia da produtividade em cada região, na janela de semeadura da soja, o
estado do Mato Grosso apresenta dados atualizados, com cerca de 76,13% da área
produtiva prevista já semeado. Observa-se que o mês de setembro pode apresentar
uma semeadura tardia,com chances de se prolongar até meados de novembro.

Em Goiás, as estimativas prévias de 2025 indicam cerca de 50% de área semeada,
prolongando a temporada para até a primeira semana de novembro. A janela do
estado começa em 25 de setembro, até 15 de dezembro, sendo considerado as
variações que cada microrregião do estado goiano apresenta. Já no Rio Grande do
Sul, o período ocorre a partir de 1º de outubro e 31 de dezembro, com chances de
se estender, mas apresentando poucas variações. Confira a seguir as janelas de
importantes estados produtores brasileiros.

Janela de semeadura da soja:

Paraná: A semeadura acontece entre 11 de setembro e 31 de dezembro. Nas
regiões de baixas temperaturas o período pode iniciar mais tarde justamente por
influência do clima. Com isso, deve ser observado a semeadura, que deve ser
adequada ao tempo correto.

Minas Gerais: A semeadura ocorre entre 1º de outubro e 15 de dezembro,
apresentando variações conforme a altitude da área e a umidade do ar. É
recomendado que o agricultor acompanhe a variação da umidade do ar
recorrentemente, e em espaços geográficos separados entre si.

São Paulo: A janela inicia entre 1º de outubro e 15 de dezembro. No mês de
novembro é comum encontrar áreas com colheita tardia de milho e da cana, o que
influencia diretamente o escalonamento da semeadura.

Maranhão e Piauí: A janela ocorre entre 15 de outubro e 31 de dezembro,
ocorrendo um início mais tardio nas regiões semiáridas, onde o plantio depende do
início regular das chuvas e da umidade.

Tocantins: A janela foi iniciou em 1º de outubro, indo até 15 de dezembro. Por
causa da crise, as chuvas afetaram diretamente a semeadura. O estado tinha
apresentado áreas em fase ativa do plantio, especialmente nas regiões com menor
regularidade de chuvas no início da estação. O cenário mudou – da grande expectativa
em outubro, agora calcula redução de áreas e produtividade para a segunda safra.

Etapas a superar

Visando dar continuidade às etapas essenciais do preparo, observe-se que é
necessário realizar uma análise química do solo, com o objetivo de verificar os índices
de pH, fósforo, potássio, cálcio e magnésio. Após realizado, ocorre mais uma
importante etapa: a aplicação de calcário a fim de corrigir a acidez do solo, prezando
pela ação antecipada mínima de 30 dias. Agora, uma atenção importante quando
ocorre a entrada com a adubação de base, que é aconselhada tomar cuidados
técnicos para a obtenção de êxito no período.

“Estamos em um ciclo onde quem estiver tecnicamente amparado e bem informado
terá condições de apresentar ótimos resultados para a safrinha 2025/26. É hora de
investir em conhecimento aplicado e proximidade com quem conhece o solo, o
período e as adversidades”, diz Leonardo Sodré, CEO do Grupo GIROAgro.

Como de praxe, observa-se a necessidade de iniciar um preparo físico, com o objetivo
de preservar a estrutura natural da produção, bem como incorporar diversos resíduos
de origem vegetal e aplicando insumos de forma homogênea. Em posse de
informações técnicas e das boas práticas apresentadas, o agricultor brasileiro está
bem preparado para mais uma etapa, mas não exclusiva, fazendo o devido controle
de plantas daninhas, monitorando a produção no caso de invasoras e, em paralelo,
realizando o controle químico conforme cada necessidade apresentada.

Visão do técnico

’O técnico agrícola enxerga como essencial a necessidade regular de realizar um
manejo técnico completo, do começo ao fim, alinhando-se ao calendário e já prevendo
as questões climática e logística. Dito isso, há oportunidade de monitorar todo o
processo, para que se aplique, em tempo, correções que são emergentes e que
sempre vão existir, mas constantemente observando de perto o desenvolvimento
vegetativo e a sanidade do solo, que tem muito a dizer. Além disso, também é de
suma importância a realização de rotação de culturas, a fim de manter o solo
saudável, livre de pragas e de doenças.

Sendo orientados na via de um manejo adequado do solo e, dando atenção
antecipada e estratégica à janela tardia, não considerando questões climáticas que
são razoavelmente previstas, o agricultor terá sucesso nas semeaduras de novembro.
No campo costuma-se dizer que a eficiência agronômica começa pelo preparo, e
termina com uma colheita tecnicamente bem conduzida, orientada à resultados e
eficiência – e no Brasil temos referências no setor.

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