IBGE mostra salto no ensino superior em Goiás, mas “apagão de competências” persiste
Dados da PNAD Contínua 2024 mostram recorde de escolaridade entre ocupados no estado; para Davi Braga, desafio deixou de ser o diploma e passou a ser a qualificação prática
GOIÂNIA novembro de 2025 – A nova edição da PNAD Contínua: Características Adicionais do Mercado de Trabalho 2024, divulgada hoje pelo IBGE, revela uma mudança estrutural no perfil da força de trabalho goiana. Em pouco mais de uma década, a participação de pessoas ocupadas com ensino superior completo em Goiás saltou de 11,8% para 21,6% – um aumento de 1,8 vez.
O levantamento confirma que a “baixa escolaridade” deixou de ser a regra no mercado de trabalho local:
- A fatia de trabalhadores sem instrução ou com fundamental incompleto caiu drasticamente de 32,6% (2012) para 18,9% (2024).
- Hoje, o maior grupo da força de trabalho é o de pessoas com ensino médio completo ou superior incompleto, que já representam 44,9% dos ocupados (um avanço de 10 pontos percentuais em 11 anos).
“Do ponto de vista formal, Goiás fez o dever de casa. Nunca tivemos uma força de trabalho tão escolarizada no papel desde o início da série histórica”, avalia Davi Braga, fundador da UNEED, ecossistema de educação para negócios. “O paradoxo é que, mesmo com o dobro de diplomas no mercado, as empresas continuam relatando dificuldade para preencher vagas estratégicas. Isso mostra que resolvemos o problema do acesso ao ensino, mas agora batemos no muro da pertinência: o diploma chegou, mas a competência prática para a nova economia ainda não.”
O “gap” entre o currículo e a realidade
Para o especialista, os números do IBGE expõem um descompasso. Enquanto a formação acadêmica avançou de forma linear, as exigências do mercado – impulsionadas por IA, automação e gestão baseada em dados – cresceram de forma exponencial.
“O problema hoje não é mais a ‘falta de estudo’, é a falta de alinhamento. Temos profissionais formados com currículos de dez anos atrás tentando operar em empresas que mudam a cada seis meses”, afirma Braga. “Uma função que antes era operacional hoje exige leitura de dashboards, domínio de ferramentas digitais e soft skills de negociação. Se a formação superior não entrega isso, o diploma vira apenas um certificado de teoria, não de prontidão.”
A oportunidade do “meio do caminho”
Davi chama a atenção para o dado mais relevante da pesquisa para o setor produtivo: 44,9% dos trabalhadores estão na faixa de médio completo ou superior incompleto.
“Esse é o público crítico da nossa economia. É uma massa de trabalhadores que já está empregada, tem base educacional, mas precisa do ‘último quilômetro’ de qualificação para dar um salto de produtividade e renda”, analisa. “É para esse grupo que a educação corporativa ágil faz a diferença. Não é sobre voltar para a sala de aula por mais quatro anos, é sobre imersões práticas que conectem a teoria que eles já têm com a execução que a empresa precisa hoje.”
Empresas como escolas
Diante desse cenário de alta escolaridade versus baixa qualificação específica, Braga defende que as empresas assumam um papel mais ativo.
“As organizações não podem mais esperar que o sistema de ensino tradicional entregue o profissional pronto. O dado do IBGE mostra que o ‘pronto’ do diploma não é o ‘pronto’ do mercado”, conclui. “As empresas que mais crescem em Goiás já entenderam que precisam atuar como hubs de aprendizagem, usando a educação corporativa para transformar esse potencial escolar apontado pelo IBGE em performance real.”
Sobre Davi Braga
Davi Braga é fundador da UNEED University, ecossistema de educação para negócios voltado à qualificação prática de profissionais e times dentro das empresas. Atua em parceria com organizações de diferentes setores na criação de trilhas formativas focadas em resultados, competências para a nova economia e desenvolvimento de lideranças.
Sobre a UNEED University
A UNEED University é uma plataforma de educação para negócios que desenvolve programas customizados de formação e upskilling para empresas, com foco em competências práticas em gestão, tecnologia, dados e inovação. A instituição conecta conteúdos atualizados às demandas reais de operação das organizações, apoiando o aumento de produtividade e empregabilidade em um cenário de transformação acelerada do mercado de trabalho.