Na contramão do Brasil, Goiás produz menos soja
Wandell Seixas
O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) estimou em fevereiro uma produção de 36,8 milhões de toneladas de Cereais, leguminosas e oleaginosas para a safra goiana de 2026. Em relação a 2025, projeta-se um recuo de 5,4% no Estado. No Brasil, a expectativa também é de retração (-0,59%), com 344,1 milhões de toneladas produzidas no ano. Apesar disso, a produção nacional de soja deve alcançar um recorde na série histórica, com total estimado em 173,3 milhões de toneladas.
Em Goiás, a produção de soja, que possui a maior área de cultivo (5,2 milhões de hectares), deve apresentar queda de 3,8%, com safra de 19,5 milhões de toneladas em 2026. Embora seja estimado um aumento da área plantada (0,9%), seu rendimento deve cair 4,7%.
Além do decréscimo na produção de soja, espera-se retração para todos os produtos agrícolas do grupo de Cereais, leguminosas e oleaginosas. O milho 2ª safra, por exemplo, tem redução prevista de 7,4%, associada tanto à perda de área plantada (-1,4%) quanto à diminuição do rendimento (-6,1%). O sorgo, por sua vez, deve apresentar crescimento da área de cultivo (2,1%), mas a queda de rendimento (-9,6%) faz com que a expectativa seja de uma safra 7,7% menor que a de 2025.
Cana de açúcar
O levantamento estima a produção de 85,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em Goiás, 2,0% maior que a obtida em 2025. O avanço é fundamentado pelo aumento de rendimento (0,4%) e da área plantada (1,6%) da cultura.
Vale destacar, ainda, o incremento esperado para a safra de laranja (9,8%), ocasionado pelo rendimento 2,8% maior e, principalmente, pelo crescimento da área de cultivo (6,7%).
Na distribuição da produção pelas unidades da Federação, o levantamento de janeiro apontou Goiás como o quarto maior produtor nacional de grãos, com participação de 10,7%. Em 2025, a representatividade do estado foi de 11,3%, o que lhe conferia a terceira posição no ranking nacional. Com o recuo previsto este ano, Goiás deve ser ultrapassado pelo Rio Grande do Sul (11,7%). Mato Grosso (30,2%) mantém a liderança, seguido pelo Paraná (13,9%).
Em relação às participações das regiões brasileiras, o panorama é o seguinte: Centro-Oeste: (48,8%), Sul (27,7%), Sudeste (8,9%), Nordeste (8,4%) e Norte (6,2%).