Previsão de El Niño de moderado a forte este ano acende alerta sobre impactos na agricultura brasileira
Nas lavouras, o fenômeno não significa apenas mais calor ou mais chuva, mas um ambiente altamente favorável à pressão fitossanitária, avalia head da Ascenza Brasil
Foto: José Soares Bezerra Jr./Embrapa
A previsão de ocorrência do fenômeno El Niño este ano com intensidade de moderada a forte acendeu alerta do setor agrícola brasileiro sobre os impactos na produção nacional, inclusive na hortifruticultura (HF). De acordo com a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA). há 60% de probabilidade de o evento de aquecimento da água do Oceano Pacífico acima da temperatura média se desenvolver entre julho e setembro de 2026, mantendo influência nos meses seguintes.
Diante desse cenário, monitoramento climático contínuo, manejo preciso, escalonamento de plantios e a avaliação criteriosa de riscos serão determinantes para preservar produtividade, qualidade e rentabilidade na horticultura brasileira em 2026, de acordo com análise do departamento de HF do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A intensificação do fenômeno climático exige planejamento da produção e gestão de risco.
Os principais fatores de risco nacional do El Niño para 2026 serão a temperatura mais elevada em comparação a 2025 e mudanças regionais nas chuvas, com impactos diretos sobre a demanda hídrica das culturas, a produtividade nos campos, a qualidade dos frutos e, consequentemente, a rentabilidade dos produtores. No Sul, ocorre aumento das chuvas e maior risco de enchentes, principalmente na primavera e verão. No Norte e Nordeste, a tendência é de seca e temperaturas mais altas, com impacto sobre reservatórios. No Sudeste e Centro-Oeste, as chuvas são mais irregulares e as ondas de calor mais frequentes.
“Quando falamos em um El Niño de moderado a forte, não estamos tratando apenas de mais calor ou mais chuva, mas de um ambiente altamente favorável à pressão fitossanitária. Temperaturas elevadas combinadas com umidade, especialmente no Sul e no Sudeste, aceleram ciclos de fungos e bactérias e exigem do produtor uma postura mais preventiva do que reativa. O agricultor que se antecipa, investe em monitoramento constante e adota programas de proteção bem estruturados tende a reduzir perdas e preservar qualidade, mesmo em um cenário climático adverso”, afirma o head da Ascenza Brasil, Hugo Centurion.
Planejamento
Segundo avaliação da equipe de HF do Cepea, 2026 exige planejamento, leitura regional do clima, gestão de custos e disciplina econômica. No Sul, o risco é maior quando temperaturas elevadas coincidem com chuvas acima da média, ampliando problemas de sanidade, qualidade e manejo. Altas temperaturas e excesso de umidade intensificam problemas fitossanitários, aceleram ciclos e comprometem a qualidade da produção. No Nordeste, os impactos tendem a ser mais negativos nas áreas de sequeiro ou com baixa disponibilidade hídrica, onde a limitação de água pode restringir a produção e o uso da irrigação.
“Em 2026, o produtor de hortifrúti vai precisar trabalhar com gestão de risco como rotina. No Nordeste e em áreas de sequeiro, o desafio será a limitação hídrica e o estresse térmico. Já nas regiões com excesso de chuva, o foco deve ser proteção contra doenças de solo e foliares. O comportamento mais prudente será escalonar plantios, revisar o calendário agrícola e fortalecer o manejo integrado, combinando genética, nutrição equilibrada e soluções fitossanitárias adequadas para cada realidade regional”, explica a engenheira agrônoma e gerente de marketing da Ascenza Brasil, Patrícia Cesarino.
Cultivos em risco
A cenoura e o alface estão entre os cultivos que podem ser prejudicados pelo excesso de chuvas, comprometendo qualidade, atrasando plantios, colheitas e elevando perdas, especialmente no Cerrado de Minas e no Sudeste, conforme análise do Cepea. Batata, cebola e tomate já estão com o calendário atrasado para a próxima safra pelo excesso de chuvas desde novembro no Cerrado (MG e GO).
“Em um ambiente de maior variabilidade, a qualidade do fruto passa a ser decisiva para a remuneração do produtor. Por isso, tecnologias de proteção de cultivos ganham papel estratégico: elas ajudam a manter padrão comercial, reduzir descartes e evitar perdas pós-colheita. A recomendação é investir em planejamento técnico, protocolos preventivos e acompanhamento agronômico próximo, transformando o manejo climático em uma vantagem competitiva e não apenas em um fator de risco”, aponta Centurion.
Ano mais quente
O El Niño mais recente, em 2023-2024, classificado como forte, contribuiu para que 2023 fosse o ano mais quente já registrado globalmente. O fenômeno começou a se configurar no inverno brasileiro de 2023, atingiu pico entre novembro de 2023 e janeiro de 2024, e foi enfraquecendo ao longo do primeiro semestre de 2024. No Brasil, provocou chuvas excessivas no Sul, seca histórica na Amazônia, temperaturas acima da média em grande parte do país e Irregularidade de chuvas no Centro-Oeste e Sudeste.
Em 2024, segundo a Agência Brasil, o valor da produção agrícola no país ficou em R$ 783,2 bilhões, recuo de 3,9% na comparação com o ano anterior, e a produção total de cereais, leguminosas e oleaginosas foi de 292,5 milhões de toneladas, volume 7,5% menor que em 2023. Já a área plantada no país somou 97,3 milhões de hectares, com expansão de 1,2% ante o ano anterior.
El Niño no Brasil
Julho a agosto (Inverno) – período em que o aquecimento do Pacífico costuma ganhar força e se consolidar.
Setembro a novembro (Primavera) – efeitos mais claros na atmosfera.
Dezembro a janeiro (Verão) – possível pico do evento.
Fenômenos mais intensos
1997–1998
Considerado por muitos especialistas o mais forte do século 20 com anomalias superiores a +2,3°C no Pacífico.
2015–2016
Associado a recordes globais de temperatura, com +2,3°C no Pacífico.
1982–1983
Primeiro grande evento monitorado com satélites modernos, com +2.2°C no Pacífico. Gerou fortes impactos econômicos globais.
2023–2024
Classificado como forte, com +2°C no Pacífico, contribuiu para que 2023 fosse o ano mais quente já registrado até então.
Sobre a Ascenza
Multinacional referência nas soluções pós-patente, a Ascenza atua na proteção de culturas desde 1965 com o objetivo de fornecer as melhores alternativas aos clientes, através de uma estreita relação com distribuidores, agricultores e técnicos, com a missão de ajudar a alimentar a população mundial crescente. A empresa está sempre desenvolvendo competências notáveis e inovando para apresentar as melhores soluções aos constantes desafios do mercado, com produtos de qualidade, personalizados para as diferentes lavouras. O nome Ascenza deriva da palavra latina ascendere, que significa ascender, crescer, subir, alinhado com nosso propósito de Cultivar o Futuro. Proximidade, simplicidade, agilidade e sustentabilidade são compromissos da empresa, que tem como pilares cuidar das plantas, das pessoas e do planeta.