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Sede da SGPA já teve abrigo antiaéreo em Goiânia

Wandell Seixas

Quando se fala em abrigo antiaéreo vem à memória países como Israel, que conta com mais de 1.500 estruturas seguras, garantindo proteção contra ataques balísticos. Mas, o Brasil, país considerado pacífico por natureza, onde viceja o carnaval como maior festa do ano, guarda dezenas de bunkers históricos subterrâneos, construídos durante a Segunda Guerra Mundial.

Entre 1942 e 1943, um decreto da Era Vargas obrigou que edifícios com mais de quatro ou cinco andares contassem com essas estruturas. E não fique surpreso, Goiânia detém história de abrigo antiaéreo: o Teatro Goiânia e a primeira sede da SGPA em plena Avenida Goiás.

Segundo as autoridades públicas, a Capital goiana não dispõe atualmente abrigos antiaéreos ativos, abertos ao público ou com função militar. Mas, concordam que do ponto de vista histórico, a cidade possui um bunker subterrâneo localizado no subsolo do Teatro Goiânia. Foi construído na década de 1940, durante a Segunda Guerra Mundial e a época do Estado Novo.

 Acredita-se que a estrutura faria parte de uma rede de túneis e serviria como rota de fuga para autoridades da época ou como proteção contra ataques. Conforme urbanistas, trata-se de uma estrutura histórica, fechada para visitação pública rotineira e alvo de lendas urbanas locais. A área subterrânea ocasionalmente recebe manutenção e é restrita a funcionários e pesquisadores.

O Teatro Goiânia foi um dos primeiros prédios desta Capital, inaugurado em 1942, pelo governador Pedro Ludovico. Em 1975, durante a reestruturação, o túnel que dava acesso a um porão de 19 metros de comprimento e nove de largura foi fechado para reforçar a estrutura do prédio.

O histórico prédio-sede da SGPA, localizado na Avenida Goiás (entre a Rua 3 e a Avenida Anhanguera) no Centro, é um dos raros edifícios da cidade construídos com um abrigo antiaéreo durante a Segunda Guerra Mundial. O edifício foi erguido originalmente na década de 1940 para abrigar a Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA).

Após a redemocratização, o local também serviu como endereço da Assembléia Legislativa e, posteriormente, da Câmara Municipal. A sede oficial e administrativa da SGPA opera hoje no Parque de Exposições Agropecuárias, na Nova Vila. O prédio histórico na Avenida Goiás faz parte do acervo arquitetônico Art Déco.

Presidia a entidade classista dos agropecuaristas goianos Altamiro de Moura Pacheco, também médico, farmacêutico, escritor, pecuarista e político goiano. O Estado era governado por Pedro Ludovico, também médico, e próximo dos produtores goianos, sempre se fazendo presente nos atos públicos. Daí a denominação de Parque Agropecuário Dr. Pedro Ludovico Teixeira, um agradecimento eterno da classe ao fundador de Goiânia.

A Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA), entidade referência do agronegócio goiano e que há mais de 83 anos normatiza as questões ligadas à pecuária e agricultura. Hoje, ocupa espaço na Vila Nova, onde promove até o dia 24 a tradicional exposição agropecuária. A mostra apresenta gado de alto pedigree leiteiro e de corte. Além das barracas de comércio de produtos relativos à agropecuária e os costumeiros shows artísticos, que já contou com a presença do cantor Júlio Iglesias.

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