AGRO: NINGUÉM SEGURANÇA O PRODUTOR

GOIÁS É LÍDER EM ÁREA PLANTADA E NA DIVERSIFICAÇÃO DE CULTURAS
Goiás é um dos estados brasileiros que gradual e rapidamente vai ocupando espaço na liderança agropecuária. É plantando e diversificando cada vez mais. Além da qualidade do produto e preservação ambiental.
De acordo com o levantamento feito pela Produção Agrícola Municipal (PAM), Goiás apresentou, em 2024, a maior área plantada da série histórica iniciada em 1988. Considerando-se todos os produtos das lavouras temporárias e permanentes, foram cultivados 9,0 milhões de hectares no Estado. O dado acompanha o crescimento que, desde 2019 (6,7 milhões de hectares), vem sendo notado ano a ano e corresponde a um avanço de 6,2% em relação a 2023.
Os municípios goianos com maior área plantada ainda são os mesmos do levantamento anterior: Rio Verde (851,5 mil hectares), Jataí (659,3 mil hectares), Cristalina (554,6 mil hectares) e Mineiros (344,0 mil hectares). Dentre eles, porém, observa-se que Mineiros apresentou um incremento de área muito acima dos demais. No último ano, a cidade registrou uma expansão de 12,2%, percentual significativamente superior aos obtidos por Cristalina (2,1%), Jataí (1,9%) e Rio Verde (-1,1%).
Área plantada de arroz cresce mais de 40%
Na análise da área plantada de cada produto agrícola investigado, observa-se que, em 2024, 95,7% dos hectares destinados ao cultivo goiano foram ocupados por soja (55,0%), milho (24,0%), cana de açúcar (11,4%) e sorgo (5,2%). Desses, o milho foi o único a apresentar queda em relação ao resultado anterior (-1,0%). As regiões de cana-de-açúcar alcançaram mais de 1,0 milhão de hectares, com avanço de 4,9%, enquanto as de soja e sorgo cresceram 8,4% e 15,2%, respectivamente.
Contudo, os incrementos de área não foram suficientes para aumentar a produção de soja (-2,5%) e cana-de-açúcar (-0,7%). Goiás registrou declínio em ambas as safras, bem como em relação ao milho (-9,9%). Já a produção de sorgo subiu 7,1%, superando 1,5 milhão de toneladas em 2024.
Considerando-se as áreas ocupadas, chamam à atenção as variações positivas do arroz (43,7%) e da batata-inglesa (30,4%). Com 28,1 mil hectares plantados, a área destinada ao arroz em 2024 foi a maior desde 2020 (28,5 mil hectares). A batata-inglesa, por sua vez, foi cultivada em 6,5 mil hectares, a maior região nos últimos 10 anos. Assim, embora o rendimento de ambos os produtos tenha caído, o resultado das safras de 2024 foi de aumento – 41,3% para o arroz (133,6 mil toneladas) e 13,7% para a batata-inglesa (267,5 mil toneladas).
Liderança na produção de sorgo, girassol, tomate e melancia
Em 2024, Goiás liderou a produção de quatro das culturas investigadas pela pesquisa: sorgo, girassol, tomate e melancia, repetindo a colocação do levantamento anterior para as três primeiras e subindo uma posição no ranking nacional dos produtores de melancia.
A posição de destaque do estado pode ser explicada pela produção expressiva de alguns municípios. Quanto ao sorgo e ao tomate, a safra de Cristalina foi a mais volumosa do país, com 227,5 mil toneladas de sorgo e 336,0 mil de tomate no último levantamento. Em relação ao girassol, chamou a atenção o desempenho de Rio Verde, que, com alta de 108,4% entre 2023 e 2024, saltou da quarta para a primeira colocação no ranking brasileiro. Já os municípios de Uruana e Jussara foram os principais responsáveis pelo bom resultado goiano no cultivo de melancia. Com 88,2 mil e 36,0 mil toneladas, eles aparecem como o primeiro e quarto maiores produtores nacionais, respectivamente.
Cristalina, Silvânia e Morrinhos são os três maiores produtores de tomate do país
Em 2024, Goiás produziu 1,5 milhão de toneladas de tomate – um aumento de 17,8% na comparação com o ano anterior. Desse total, quase a metade (49,9%) adveio de Cristalina (336,0 mil toneladas), Silvânia (203,6 mil toneladas) e Morrinhos (191,0 mil toneladas), que, assim como em 2023, lideram a produção nacional da cultura. Entre as dez maiores safras do país, ainda estão presentes outras duas goianas: a de Piracanjuba (82,1 mil), em quinto lugar, e a de Vianópolis (63,0 mil), em décimo.
Cristalina chama a atenção, também, quanto à produção de alho, cebola, feijão e sorgo. Em 2024, o município foi o principal responsável pela safra dessas culturas no estado, figurando como o primeiro do Brasil em duas delas – cebola e sorgo.
Nove dos dez municípios que mais produzem girassol no Brasil são goianos
Com 45,6 mil hectares plantados em 2024, o girassol ocupa a sexta maior área de cultivo em Goiás. O número é mais de sete vezes maior que o registrado por Minas Gerais (6,2 mil hectares), o segundo no ranking nacional, e levou Goiás a atingir a marca de 70,1 mil toneladas de produção.
A hegemonia goiana é notada também no cenário municipal. Entre as dez cidades que mais produzem girassol no país, nove são de Goiás. O maior destaque foi Rio Verde, que saltou da quarta posição, em 2023, para a primeira, em 2024, assinalando incremento de 131,6% em sua área plantada e de 108,4% em sua produção.
Também foram expressivos os aumentos das regiões de cultivo em Luziânia (210,0%), Montividiu (421,6%), Jataí (195,8%) e Chapadão do Céu (733,3%), bem como os respectivos avanços de produção por eles ocasionados.
Por outro lado, o município de Silvânia – que, no levantamento anterior, havia registrado a maior safra do país – foi aquele que, dentre os vinte mais produtivos do Brasil, apresentou a maior queda de área plantada (-56,0%). Com isso, sua produção recuou 50,5%, levando-o a cair para quinta colocação.
Rio Verde é o quarto maior produtor de soja do Brasil
Como já dito, a soja ocupa mais da metade (55,0%) da área plantada em Goiás. Contudo, embora a região de plantio tenha aumentado (8,4%) no último levantamento, a safra do grão foi menor, com queda de 2,5%. O resultado afetou a colocação do estado no ranking nacional, levando-o a cair da terceira posição para a quarta.
O recuo no desempenho do estado pode estar relacionado ao de seu principal município produtor: Rio Verde, com 1,6 milhão de toneladas de soja em 2024. Apesar de se manter como o quarto maior do país, ele assinalou uma queda de 11,2% na comparação com a safra anterior, ocasionada pela redução do rendimento médio da cultura (-11,9%).
Os outros dois municípios que mais contribuíram para a produção goiana – Cristalina (1,3 milhão de toneladas), na sexta colocação nacional, e Jataí (1,2 milhão de toneladas), na oitava – também assinalaram retrações em relação a 2023, com variações negativas de 8,1% e 6,3%, respectivamente.
Entre os cinco municípios que mais produzem milho, dois são goianos
Apesar da queda na safra de milho (-9,9%) em 2024, Goiás se mantém como o terceiro estado no ranking nacional de produção. Além disso, dois de seus municípios aparecem entre os cinco que mais contribuíram para o cultivo do grão no país: Rio Verde (2,5 milhões de toneladas), em terceiro lugar, e Jataí (1,9 milhão de toneladas), em quinto.
A produção em ambos acompanhou o decréscimo goiano. Em Rio Verde, houve queda de 11,0% na comparação com o ano anterior. As reduções da área de plantio (-7,1%) e de rendimento médio (-4,23%) podem explicar o recuo do município. Em Jataí, por sua vez, a quantidade de hectares destinados ao milho aumentou (1,8%), mas o declínio do rendimento médio (-6,8%) fez com que a produção também caísse (-5,1%).
Com alta na safra de cana-de-açúcar, Quirinópolis se torna o terceiro maior produtor nacional
Enquanto Goiás assinalou queda de 0,7% na safra de cana-de-açúcar, Quirinópolis registrou alta de 7,5% e, com isso, ocupou o lugar de maior produtor do estado e terceiro maior do país. O município atingiu 7,1 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em 2024, resultado que pode ser fruto do aumento de 10,1% observado em sua área de plantio.
O último levantamento também aponta que o município de Mineiros, embora não tenha sofrido alteração em sua área de cultivo de cana-de-açúcar, apresentou uma redução de 30,8% em seu rendimento médio e, conseqüentemente, em sua produção. Em 2023, com 7,1 milhões de toneladas, ele havia alcançado a segunda colocação no ranking nacional, mas caiu para a nona em 2024 (4,9 milhões de toneladas).
Em valor da produção, participação goiana cai pelo segundo ano
Em 2024, o valor total da produção agrícola goiana foi de R$ 60,5 bilhões, o que corresponde a 7,7% da obtida pelo Brasil (R$ 783,2 bilhões). Com isso, a participação goiana em relação ao valor da produção nacional, que atingiu o seu ápice em 2022 (9,3%), caiu pelo segundo ano consecutivo. Considerando-se as dez culturas com maior valor da produção em Goiás, o sorgo é aquela com maior representatividade do estado no cenário brasileiro.