Alta carga tributária tem protesto em Goiás

Wandell Seixas
Os lojistas goianos participaram ontem da 18ª edição do Dia Livre de Impostos, uma iniciativa deflagrada pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), contra a alta carga tributária brasileira. O presidente da CDL Goiânia, Geovar Pereira, concedeu entrevista ao portal tecendo considerações a respeito.
Em Goiânia e outras cidades do interior, sobressaindo Anápolis, as empresas participantes comercializaram mercadorias e serviços sem repassar o valor da tributação aos clientes. Em alguns casos, os descontos chegaram a 70%. Pelos cálculos da CDL Jovem mais 300 lojistas participem da campanha em Goiás.
Segmentos como casa de carnes, óticas, lojas de colchões, restaurantes, shoppings e postos de combustíveis participaram da iniciativa. Como exemplo de desconto, consumidores que iriam pagar R$ 3,91 no litro da gasolina, que atualmente é comercializado por R$ 5,97. Houve filas nos postos e os consumidores demonstravam felizes.
“Essa é a maior campanha brasileira sobre o impacto dos tributos na vida do cidadão. Neste ano, o projeto ganhou mais força em função da aprovação da reforma tributária. Logo teremos uma noção mais clara de quanto os brasileiros pagarão de IVA. Será que teremos a maior taxa do mundo?”, questiona Eberth Motta Júnior, presidente da CDL Jovem de Goiânia, em referência ao imposto sobre consumo que entrará em vigor nos próximos anos.
Para se ter uma ideia, somente nos cinco primeiros meses de 2024, o goianiense já pagou mais de R$ 900 milhões em impostos. No estado, a cifra ultrapassa os R$ 32 bilhões.
O Dia Livre de Impostos foi criado pela CDL Jovem em 2003 e acontece anualmente nos estados, em mais de 1.500 cidades. Em 2023, a ação contou com a colaboração de mais de 40 mil varejistas.
Reação da CDL
O presidente da CDL, Geovar Pereira, discorreu a respeito, reconhecendo a importância da manifestação contra os altos impostos no Brasil e a isenção ao mercado livre, praticado em regra pelos chineses. Para o dirigente classista, a insatisfação do empresário em geral e do lojista em particular é grande. Ele citou também a sonegação de tributos, decorrente possivelmente pela carga tributária.
Segundo Geovar, “há falta de retorno adequado dos impostos e burocracia excessiva que limita o poder de consumo da população e freia o crescimento econômico do país. Sua contribuição é importante para dar relevância ao tema para os governantes do país”.
Em sua opinião é “inadmissível que, em pleno século XXI, empresas nacionais enfrentem uma desigualdade tributária que favorece as importações e sufoca o comércio local. Enquanto o empreendedor brasileiro luta para manter seu negócio em meio a uma carga tributária exorbitante, produtos importados chegam ao país sem pagar os mesmos impostos, criando um cenário de concorrência desleal que precisa ser urgentemente corrigido”, conclui.