Custos da safra pressionam renda dos produtores
A terceira edição da Expedição Safra Goiás conclui que os custos da safra 1015/25 são os mais altos da história da produção agrícola goiana. São necessárias 55 sacas de soja para pagar os custos de um hectare cultivado. Em anos anteriores, eram no máximo 33 sacas. A avaliação do atual ano agrícola foi feita, hoje pela manhã, à imprensa local pelo presidente da Faeg, José Mário Schreiner, pelo secretário da Agricultura, Pedro Leonardo, pelo presidente do Ifag, Leonardo Machado.
A iniciativa do Sistema Faeg/Senar/Ifag/Sindicatos Rurais teve como objetivo coletar dados e trocar experiências sobre a realidade do campo, visitando presencialmente propriedades rurais no interior. Entre os dias 18 e 22 de janeiro de 2026, as equipes do projeto percorreram mais de três mil quilômetros de estradas em 30 municípios. Foram também realizados, também, por 42 pessoas nove encontros técnicos com produtores, gestores, profissionais e parceiros do setor. A próxima expedição está prevista para julho.
Conforme o levantamento técnico realizado durante a expedição, a safra de soja em Goiás deve alcançar produtividade média entre 66,5 e 68,5 sacas por hectare, o que representa leve queda em relação à safra anterior, quando o Estado registrou média próxima de 70 sc/ha.
Mesmo com essa redução pontual, Goiás segue entre os estados mais produtivos do país, com histórico consistente de crescimento ao longo das últimas décadas. Segundo o presidente da Faeg, José Mário Schreiner, o principal fator que influenciou o desempenho da safra foi o atraso no início das chuvas, que postergou o plantio em até duas semanas em relação à média histórica. “Esse atraso comprometeu principalmente as lavouras semeadas no início do período, além da irregularidade das chuvas em algumas regiões, onde chovia em um ponto e não chovia em outro”, destacou.
O atraso no plantio da soja também reduz a janela ideal da segunda safra, o que pode provocar impactos diretos sobre o milho e o sorgo, sobretudo no final do ciclo, quando há maior risco de restrição hídrica. Mesmo com a leve redução na produtividade média, a produção total de soja em Goiás deve ficar próxima de 20,5 milhões de toneladas, mantendo o estado em posição de destaque no cenário nacional.
A evolução histórica mostra que a produtividade da soja em Goiás saltou de 29 sc/ha na safra 1978/79 para patamares próximos de 70 sc/ha nas últimas safras, resultado direto de investimentos em pesquisa, inovação e transferência de tecnologia. “Temos dois Brasis agrícolas: um antes e outro depois da Embrapa. Esse avanço não acontece por acaso. É fruto de pesquisa, tecnologia e da competência do produtor rural”, reforçou Schreiner.
Custo de produção elevado pressiona rentabilidade
Outro ponto de atenção levantado pela Expedição Safra é o aumento dos custos de produção, aliado à queda nos preços das commodities. Para a safra 2025/26, o custo médio da soja em Goiás chega a 55 sacas por hectare, sem considerar arrendamento.

Quando a terra é arrendada, o produtor pode comprometer praticamente toda a margem, reduzindo significativamente a rentabilidade. “A margem líquida estimada para esta safra é de 17%, a menor dos últimos anos. A grande preocupação do produtor é adequar o custo à receita. Não dá para contar com ajuda externa. É uma questão de sobrevivência”, afirmou o presidente da Faeg.
Schreiner também alertou para os efeitos dos juros elevados, com Selic em 15% e taxas de mercado próximas de 20%, o que tem levado os produtores a adotarem mais cautela na segunda safra, reduzindo investimentos em tecnologia ao longo do período de plantio. “Sem um seguro rural eficiente e sem subvenção adequada, o produtor diminui o risco e, com isso, reduz o uso de tecnologia. No médio prazo, isso pode comprometer a produtividade”, avaliou.
O gerente do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás, Léo Machado, destacou que as equipes encontraram lavouras em diferentes estágios fenológicos, reflexo direto do atraso e da irregularidade das chuvas. “Encontramos áreas já colhidas e outras ainda muito novas. Essa diferença chama atenção e reforça a necessidade de acompanhamento técnico contínuo”, explicou.
Segundo Machado, a primeira etapa da expedição concentrou-se na soja, enquanto a segunda fase, prevista para julho, irá avaliar o desempenho da safra de milho, que também pode sofrer impactos em função do atraso no calendário agrícola.
A Expedição Safra tem como objetivo fornecer informações técnicas qualificadas para auxiliar o produtor rural no planejamento da atividade. “Nosso papel é orientar o produtor com base no que está acontecendo no campo, para que ele tome decisões mais seguras diante de um cenário desafiador”, concluiu Schreiner.
O secretário da Agricultura, Pedro Leonardo, teceu considerações sofre a importância da iniciativa, observando que proporciona planejamentos para superar os eventuais gargalos na produção. Lembrou que Goiás apresenta uma particularidade representada por três safras anuais. As bacias hidrográficas que banham o Estado representam, também, outro dado positivo: água para irrigar as plantações.
Participação da Agrodefesa
A primeira etapa do projeto foi dedicada à soja. No período, as equipes da Agrodefesa acompanharam as rotas para realizar o monitoramento fitossanitário e oferecer orientações estratégicas aos produtores. O foco principal será a prevenção da ferrugem asiática, com diretrizes sobre a eliminação de plantas voluntárias (tigueras), o cumprimento do vazio sanitário e o uso correto e seguro de agrotóxicos.
“Além de reforçar o apoio institucional do Governo de Goiás a este importante parceiro que é o Sistema Faeg, estar presente na Expedição Safra Goiás nos permite ampliar o alcance das nossas ações. Nosso objetivo será levar informações estratégicas sobre sanidade vegetal ao maior número possível de produtores, reforçando o compromisso com o desenvolvimento sustentável e seguro da nossa agricultura”, pontua o presidente em substituição da Agrodefesa, Rafael Vieira.
Nesta temporada, as equipes da Expedição Safra Goiás foram divididas em duas grandes rotas, Oeste e Leste. Os comboios se deslocarão simultaneamente, realizando 260 amostragens de produtividade validadas pela metodologia Embrapa. Desse total, 60 amostragens serão conduzidas pela equipe técnica da Expedição e 200 contarão com o suporte dos técnicos do Senar.