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Escassez de fertilizantes eleva custos de alimentos no mundo

Luigi Lombardo

No artigo “Fertilizer Crisis Means Higher Prices for Every Plate of Food” (Crise de fertilizantes significa preços mais altos para cada prato de comida), publicado na Bloomberg, as jornalistas Elizabeth Elkin e Tatiana Freitas destacam as consequências da crise de fertilizantes para os produtores de todo o mundo. O rendimento dos nutrientes das colheitas depende muito dos fertilizantes como fator de produção e, à medida que eles se tornam mais caros, os preços das colheitas atingem recordes. Essa crise aumenta os efeitos pré-existentes da pandemia da COVID e das mudanças climáticas na produção global, o que já havia levado os preços dos alimentos a subir mais de 30%. A crise se estende até hoje, embora o índice global esteja em queda desde 2022.

Cadeia de suprimentos do milho

Na base dessa crise, há uma escassez de gás natural e carvão, que são essenciais para a produção de fertilizantes à base de nitrogênio, os nutrientes mais importantes para as culturas em todo o mundo. Como resultado, muitas fábricas de fertilizantes europeias foram forçadas a reduzir a produção ou até mesmo a fechar, em alguns casos.

A escassez do gás natural e do carvão aumentou as despesas dos produtores de fertilizantes. O gás contribui para 80% do custo de produção e os preços estavam entre 4 e 5 vezes acima do normal. De acordo com o fazendeiro Cekander, do Illinois, o gasto dos agricultores com fertilizante subiu por volta de 50%.

Para se ter uma ideia da gravidade dessa crise, é preciso considerar que, se o planeta passou de 1,7 bilhão de pessoas para cerca de 7,7 bilhões. Isso se deve, em grande parte, ao aumento da produtividade das colheitas por meio do uso de fertilizantes. O choque no fornecimento de fertilizantes representa problemas significativos para a cadeia mundial de fornecimento de alimentos, como podemos ver nos preços recordes de commodities, entre os quais grãos de café e trigo.

O milho não é exceção. A estimativa é que o custo total de produção do milho aumente até 16% devido a crise. Os fertilizantes são aplicados por cada hectare de terra. Portanto, o aumento do preço eleva o custo variável. Sendo assim, isso desestimula os fazendeiros a produzirem, levando a uma redução da oferta de milho no mercado.

Alguns produtores americanos consideram trocar o milho pela soja, que necessita de menos fertilizantes a base de nitrogênio para ser cultivada. Todavia, embora isso ajude os fazendeiros, isso não é bom para os consumidores.

De acordo com a Associação de Produtores de Milho do Iowa, 9% do milho utilizado nos EUA é destinado à alimentação. No entanto, sabe-se que o consumo se dá principalmente pela comunidade latina, sendo este um elemento crucial de seus pratos mais tradicionais. Essa comunidade representa cerca de 20% da população americana e resistiria a uma mudança para o consumo de soja, pois não pode substituir o milho em suas receitas por outros ingredientes. Além disso, esses dois grãos também possuem valor nutricional diferente, e não podem ser substituídos numa dieta quotidiana.

As jornalistas Elizabeth Elkin e Tatiana Freitas, da Bloomberg, destacaram a importância dessa crise com relação aos alimentos. Essa importância também decorre do fato de que ela tem um impacto sobre a equidade, uma vez que os preços mais altos pesam mais sobre a população de baixa renda.

Uma possível solução poderia ser subsidiar os produtores de milho, ou outros na cadeia de suprimentos. Embora isso deva reduzir o preço dos alimentos, bens de extrema necessidade para os consumidores, isso gera um custo de oportunidade do o governo, que poderia alocar esses recursos de outras maneiras. Embora existam soluções possíveis, a questão permanece em aberto, e o prato de comida segue encarecendo.

Luigi Lombardo é um estudante do bacharel em Política Internacional e Governo da Universidade Comercial Luigi Bocconi, em Milão, Itália.

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