Galloway desperta interesse em criador goiano
Imagens: Soraya Seixas
O gado Galloway é reconhecido por ser uma das mais antigas raças bovinas existentes, com sua origem ainda obscura, demonstra a sua antigüidade através de seu nome, o qual deriva de um termo gaélico ou gaulês. Pouca conhecida no Brasil, sobretudo em Goiás, que detém o Nelore como no ranking devido a sua adaptação ao clima. Mas, Luciano Bonfim, presidente da Associação Goiana dos Criadores de Zebu (AGCZ), ao ser informado sobre o Galloway manifestou interesse no cruzamento com o Guzerá em sua fazenda. Ao que parece, será um dos pioneiros no Estado.
A Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares é responsável pela coleta, estruturação e manutenção da base de dados formadora do Arquivo Zootécnico Nacional, de várias raças bovinas de origem européia e suas cruzas, por delegação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Este é o nome atual da antiga Associação do Registro Genealógico Sul Rio-grandense, criada em 1921, com o apoio da Associação Rural de Bagé. Belted Galloway é considerado rústico e que pode se adaptar a climas adversos. É um animal com ótimas características morfológicas, com carcaças bem preenchidas e com baixo percentual de ossatura.
AS ASSOCIAÇÕES
A ANC Herd-book Collares é a entidade detentora do registro genealógico da raça Galloway no Brasil, esta entidade vem fazendo o registro genealógico PO da raça Galloway desde o ano de 1951. Os últimos exemplares foram registrados nos anos de 1983, com 15 animais registrados, e no ano de 1984 com 10 animais registrados. Desde então, os registros da raça estão estagnados. A raça Galloway, variedade Cintada, está ressurgindo nos campos gaúchos. E uma associação de raça foi formada por alguns criadores no ano de 1998.
ORIGEM DO GALLOWAY
Segundo o Google, a origem é do Condado de Galloway, Escócia. As histórias escritas a respeito da origem da raça Galloway, diferem um pouco, mas em três pontos estas histórias geralmente coincidem.
No que diz respeito à origem do Galloway, a raça é reconhecida por ser uma das mais antigas raças bovinas existentes, com sua origem ainda obscura, demonstra a sua antigüidade através de seu nome, o qual deriva de um termo gaélico ou gaulês. Os gauleses foram os antigos habitantes da província de Galloway.
HISTÓRIA DA RAÇA
O Galloway é inquestionavelmente das mais puras e mais antigas raças melhoradas. Alguns autores são da opinião que eles descendem do gado mocho indígena da Escócia e não se conhece intervenção de sangue estranho na formação e fixação da raça. Prova irrefutável da pureza da raça, esta na ausência de manchas nos animais puros e da prepotência com que transmitem o caráter mocho aos mestiços, mesmo estes sendo cruzados com animais aspados.
O gado da região era dito ser escuro, mocho, com pêlos ondulados que apresentavam uma fina pelagem por baixo do pêlo mais grosso, e por séculos não tiveram nome definido, sendo apenas designados como o “gado negro de Galloway”.
Deste ambiente costeiro úmido e de ventos frios, combinados com um terreno levemente ondulado de origem granítica, com montanhas de pastagens baixas e vales, emergiu a raça Galloway.
Muito foi escrito sobre a história dos bovinos britânicos desde a metade do século XVIII, o período imediatamente anterior não contém descrições sobre esta história. O historiador Hector Boece (1570), escrevendo sobre o Galloway, disse, “Nesta região tão distante existe um boi de carnes deliciosas e tenras”.

Ortelius, o historiador escrevendo em 1573, disse, “Em Carrick (quando ainda fazia parte de Galloway) estão bois de grande tamanho, que apresentam carne tenra, doce e suculenta”.
A raça Galloway tornou-se importante durante o período Scoto-Saxão, e os criadores de Galloway exportavam queijo e peles. Depois os bovinos eram vendidos em considerável número aos fazendeiros Ingleses, os quais os vendiam no mercado de Smithfield, após um período de engorde em pastos Ingleses.
É sabido que o Galloway nunca foi cruzado com outras raças. Não se sabe, entretanto, como o Galloway adquiriu seu caráter mocho, pois no início muitos destes bovinos eram aspados. Entretanto, durante a metade final do século XVIII e início do século XIX, muitos escritores mencionaram o Galloway mocho, e os criadores decidiram adotar esta característica e iniciaram a seleção deste caráter em seu gado.
Muitos dos bovinos iniciais no Distrito de Galloway eram negros, porem vermelhos, pardos, brasinos e animais com marcas brancas não eram incomuns.

Em 1851, um incêndio no “Highland Agricultural Museum” em Edinburgh, Escócia, destruiu todos os dados históricos e pedigrees da raça Galloway anteriores a este tempo. Onze anos depois (1862), um Herd Book para animais mochos foi publicado neste Herd Book. Estava incluído o Galloway, Aberdeen e a raças Angus, que até então eram duas raças distintas.
Em 1878 a “Galloway Cattle Society of Great Britain” iniciou seu próprio volume de pedigrees. A primeira exportação de Galloway para a América do Norte foi em 1853, para os Irmãos Graham de Toronto, Canadá. Michigan State College, em Lansing, importou os primeiros Galloway para os Estados Unidos, em 1866.
A American Galloway Breeders Association foi fundada em 1882 e o Volume I do North American Galloway Herd Book foi publicado em 1883, listando Galloways americanos e canadenses.
William McCombie, criador escocês pioneiro nas raças Angus & Shorthorn, disse certa vez, “que o Galloway indubitavelmente tem muitas grandes qualidades. Em terras pobres eles não têm rivais, mesmo os nossos Aberdeen não seriam capazes de sobreviver. Não há outra raça que tenha maior valor por quilo de peso que o Galloway.”
PADRÃO RACIAL
Pelagem – A pelagem da raça é variável sendo encontrados animais negros, pelagem mais popular da raça, Dun, o qual é um padrão de prateado quase pardo, vermelhos, com pigmentação escura nos olhos, narinas, orelhas e tetas, e a variedade Belted que pode ser negra, vermelha ou Dun com uma faixa branca que faz a volta em torno do corpo, por detrás das espáduas até a garupa.
Porte – Médio.
Cabeça – Curta e larga, com testa também larga e focinho grosseiro. Olhos grandes e proeminentes. Orelhas médias em comprimento e largura, com pontas para cima e para fora, com longos pêlos. Não apresenta chifres.
Pescoço – Regular limpo de barbela e inserindo-se bem entre as espáduas. Nas fêmeas deve estar em linha com o lombo, e nos machos deve ser arqueado conforme a idade.
Corpo – Alto redondo e simétrico, com boa linha dorsal.
Paletas – Direitas ligeiramente largas em cima.
Peito – Amplo e profundo costado largo bem como a anca.
Costelas – Bem arqueadas.
Lombo – Cheios e bem cobertos de carne.
Ancas – Bem fornida e não angulosa.
Quartos – Dianteiros bem colocados e cobertos de carne, moderadamente amplo na parte superior. Os traseiros são longos e bem providos de carne.
Flanco – Direito, sem comprometer a harmonia do conjunto.
Nádegas e Coxas – Bem cheias.
Sacro – Não saliente e bem coberto.
Pernas – Curtas e limpas nas canelas.
Cauda – Ligeiramente grossa, mas bem inserida ao sacro.
Couro – Um tanto grosso, mas macio e suave.
Pêlos – Finos macios e ondulados. Pêlos duros ou enrolados são indesejáveis.
Pontos que se deve evitar na seleção da raça Galloway:
Cabeça larga e testa branca.
Orelhas largas e caídas.
Olhos pequenos e juntos.
Pescoço curto e fraco.
Peito estreito e descarnado.
Quarto dianteiro alto.
Aplainamento atrás das paletas.
Costelas leves.
Sacro proeminente.
Garupa alta e levantada.
Lombo fraco e frouxo.
Nádegas redondas.
Ossos grandes.
Couro grosso e duro.
Pêlo áspero e enrolado.
CARACTERÍSTICA DA RAÇA
Raça de porte pequeno a médio, com peso médio ao nascer de 27 kg para os machos e 25 kg para as fêmeas. Os machos quando adultos pesam em média 1.000 kg e as fêmeas de 600 a 800 kg. Os machos medem 135 cm e as fêmeas 120 cm em média.
A característica mais visível do Galloway é seu longo pêlo, que serve para duplo propósito, naturalmente o pêlo mais externo serve de proteção contra a chuva e o vento, enquanto que o leve e denso pêlo interno providencia isolamento térmico e é a prova d’água.
O Galloway é mocho como o Angus, porem é de menor tamanho, mais resistente e menos exigente quanto a alimentação e manejo.
O Galloway não tem rival como raça para pastejo, utiliza pastos grosseiros que outras raças dispensariam. Além do mais, sua habilidade em produzir carne de alta qualidade diretamente do pasto, não sendo necessário o fornecimento de grãos para sua terminação, é de grande valor econômico.
Animais usados inteiramente para a produção de carne. Os novilhos, engordados tanto com pasto como com grãos, podem produzir uma carcaça de 280 a 350 quilos de peso.
É uma raça materna, as vacas têm excelente facilidade de parto, enquanto que os terneiros são rústicos e vigorosos.
Raça longeva, com muitas vacas produzindo regularmente com bem de 10 anos de idade. Esta característica por si só pode determinar o quanto é econômica e eficiente uma raça bovina.
Devido ao pêlo naturalmente denso e isolante da raça, levaram o governo canadense a realizar um teste multirracial, onde revelou que o Galloway era a segunda classificada quanto à densidade de pêlos, ficando atrás apenas do bisão americano.
A natureza robusta e rústica da raça nunca foi testada, embora considerada uma raça de climas frios, o Galloway tem sido encontrado em regiões quentes, mostrando boa aclimatação a estas regiões.