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Goiás tende a ocupar 2º lugar na agropecuária, apesar das adversidades

Wandell Seixas

Ao apresentar o balanço das atividades no meio rural no decorrer de 2025, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, disse, ontem, que apesar das dificuldades vividas pelo setor agropecuário, o Estado tende a ocupar o segundo lugar na produção agropecuária brasileira.

Ele observou que estão sendo incorporadas ao sistema produtivo áreas do Vale do Araguaia. As pastagens ocupadas pelo gado dão lugar aos cultivos de soja e milho. A região Norte, também, passa pelo mesmo processo, incorporando mais de um milhão de hectares.

 Suas declarações foram feitas durante entrevista coletiva na sede da Faeg com a participação de dirigentes do Senar, instituição vinculada. Segundo José Mário, os sistemas de confinamento de gado ocupam cada dia maiores espaços. Chamou a atenção, no entanto, da infraestrutura existente do setor de energia elétrica como “entraves”, responsabilizando o governo federal pelos problemas.

José Mário e Edson Novaes, da área técnica, teceram considerações sobre outros temas.  O crescimento econômico global foi de 2,5% em 2025, segundo o Banco Mundial, com inflação em torno de 3,8% nas economias avançadas. No Brasil, a projeção de crescimento do PIB foi de 2,16%, conforme o Boletim Focus de 1º de dezembro. O PIB agropecuário apresentou crescimento de 11,6% entre janeiro e setembro de 2025. O mercado de trabalho manteve-se resiliente, com taxa de desemprego de 5,6% em setembro.

Em Goiás, os números superaram a média nacional. O PIB estadual cresceu 7,7% entre janeiro e abril de 2025 com avanço de 16,8% no PIB agropecuário e crescimento de 2,3% da indústria. O mercado de trabalho registrou saldo positivo de 79.717 novos postos entre janeiro e setembro, sendo 10.759 vagas geradas pela agropecuária, conforme dados do Caged. O Valor Bruto da Produção (VBP) atingiu R$ 120,9 bilhões, crescimento de 13,6% em relação a 2024, equivalente a 8,6% do VBP nacional. Soja, bovinocultura, milho e cana-de-açúcar responderam por 74% desse total.

CLIMA

As condições climáticas em 2024 e no início de 2025 foram consideradas favoráveis, contribuindo para maiores produtividades, especialmente na soja e no milho segunda safra. No entanto, o ganho produtivo não se traduziu integralmente em renda, em razão da elevação dos custos de produção e da pressão sobre os preços.

A pecuária foi marcada pelo aumento do abate de fêmeas o que resultou em um aumento de preços e estabilização da arroba atualmente. A cadeia do leite enfrentou crise severa. Os preços pagos aos produtores ficaram abaixo de R$ 2,00 por litro, valor insuficiente para cobrir os custos de produção.

O endividamento se intensificou com forte restrição ao crédito. Os pedidos de recuperação judicial saltaram de 20 em 2022 para 566 em 2024, aumento de 2.730%. Até o segundo trimestre, foram registrados 415 pedidos, o equivalente a 73% do total de 2024. Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais concentraram 59,4% de todos os pedidos feitos em 2025.

TARIFAÇO

O tarifaço entrou em vigor em 6 de agosto de 2025, afetando diretamente setores como carne bovina, açúcar, couros, café, sebo bovino e pescados. A expectativa foi de uma queda aproximada de US$ 325,6 milhões nas exportações para os Estados Unidos. A carne bovina respondeu por US$ 162 milhões, o equivalente a 49,8% do impacto, com volume de 55 mil toneladas. O açúcar registrou impacto de US$ 42,4 milhões, ou 13%, com 62 mil toneladas. Couros somaram US$ 12,6 milhões, café US$ 10,7 milhões e sebo bovino US$ 6 milhões.

A próxima safra apresenta cenário de maior pressão sobre a rentabilidade, especialmente na soja. A produtividade média esperada recua de 69,7 sacas por hectare na safra 2024/2025 para 66,4 sacas por hectare em 2025/2026, redução de 5%. O custo operacional total permanece elevado, passando de aproximadamente R$ 5.920 por hectare para R$ 6.001 por hectare. Com isso, a rentabilidade estimada cai de R$ 2.287 por hectare para R$ 1.343 por hectare, indicando renda mais apertada e maior risco econômico ao produtor.

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