Governador anuncia medidas para remover a crise do leite em Goiás

Texto e fotos Wandell Seixas

O governador Ronaldo Caiado sancionou, hoje, 25, medidas consideradas importantes para remover a crise do setor leiteiro, como as importações de leite em pó dos países do Mercosul. Anunciou, também, providências do Governo de Goiás para melhor operação do segmento. Entre as quais, o FCO do Leite, representada por uma linha de crédito de R$100 milhões com juros mais em conta e prazos mais alongados. Outra medida envolve o direcionamento de recursos de R$10 milhões do Programa de Aquisição de Alimentos – PAA para a aquisição de leite e derivados das empresas e produtores goianos. A OVG disporá de R$3 milhões para a compra de sêmen e embriões, que possibilitará a melhoria genética do rebanho leiteiro. A primeira dama estadual Gracinha Caiado acompanhou o governador. Estavam presentes, entre outros, secretários de Estado, prefeitos, dirigentes de entidades classistas e lideranças sindicais.

A expectativa era tanta no setor leiteiro que no auditório até os corredores foram tomados de produtores, além do hall e espaços anexos do térreo da Faeg. Ronaldo Caiado inclusive observou que “grandes momentos históricos relativos ao agro nasceram neste auditório”. Revelou que conversando com o vice-presidente da CNA, ouviu elogios de que “o texto estava completo e que a entidade classista nacional o enviaria para ser copiado noutros Estados brasileiros”. Era uma referência às medidas firmadas pelo governador, transitada na Assembléia Legislativa e aprovada por todos os deputados.

O presidente da Faeg, José Mário, demonstrou satisfação com as medidas anunciadas, sobretudo às destinadas a impedir a importação de leite em pó. O deputado estadual Amauri Ribeiro disse que “produzir em Goiás e no restante do Brasil com as amarrações fica bastante difícil.” Lembrou do tema de projeto de lei da Governadoria propondo a retirada de benefícios fiscais concedidos pelo Estado às empresas do setor lácteo que optarem pela importação de leite.

A deputada federal Marussa Boldrin lamentou o governo federal não “olhar para o segmento, embora produza riqueza, alimento e gere emprego”. O vice-governador Daniel Vilela reconheceu a dificuldade do setor e lembrou que na época do seu pai produzindo leite em Jataí. Disse que naquela época registrou prejuízo na propriedade. Mas, a paixão pelo setor é tão grande que ninguém praticamente larga a vida de produtor leiteiro.

.

No plano federal

O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, anunciou em Brasília, que as dívidas dos produtores de leite serão repactuadas a partir desta semana. A declaração foi feita durante a cerimônia de lançamento da Agenda Legislativa do Agro 2024, promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para entregar os principais temas e projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional e que impactam os produtores rurais, todo o setor e a sociedade brasileira a deputados, senadores e representantes do Governo Federal.

 “Eu quero anunciar, junto com o ministro Carlos Fávaro, que na semana que vem serão repactuadas as dívidas dos produtores de leite do Brasil. Esses produtores tomaram financiamento quando o leite estava R$ 3,80 e, assim, modernizaram sua produção, mas o leite baixou de preço e eles têm uma dívida razoável junto aos bancos”, destacou Paulo Teixeira.

Sem apresentar números, o ministro ainda afirmou que as importações caíram em fevereiro, quando entraram em vigor os efeitos do Decreto 11.732/2023. O texto alterou as regras do Programa Mais Leite Saudável, fazendo com que laticínios habilitados, que conduzirem programas de assistência técnica aos fornecedores, poderão aproveitar até 50% dos créditos presumidos gerados pela aquisição de leite, desde que apliquem 5% do montante em projetos de amparo aos produtores. Para empresas não participantes, o aproveitamento dos créditos é de 20% do total.

para remover a crise do leite

Botão Voltar ao topo