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IBGE divulga Contribuição dos Polinizadores para as Produções Agrícola e Extrativista do Brasil

Um novo estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), intitulado “Contribuição dos Polinizadores para as Produções Agrícola e Extrativista do Brasil: 1981- 2023”, torna clara a importância fundamental dos animais polinizadores para a economia e a segurança alimentar do país. Esta pesquisa experimental revela padrões temporais, regionais e municipais da dependência da produção brasileira em relação a esses agentes ecológicos cruciais.

A polinização é reconhecida como um serviço ecossistêmico essencial para a manutenção da biodiversidade e a sustentabilidade da produção de alimentos. Entre os 89 produtos agrícolas e extrativistas analisados, 48,3% dependem, em algum grau, da polinização animal. Embora as lavouras temporárias, como a soja, dominem a área cultivada e o volume total de produção, definindo a curva geral de dependência do país, as culturas permanentes e o extrativismo vegetal são as que exibem maior dependência desse processo.

A soja, apesar de ter uma dependência modesta de polinizadores, exerce um impacto significativo no aumento da área de culturas dependentes devido ao seu grande volume de produção e valor econômico. No entanto, sua expansão também substituiu culturas com maior dependência de polinizadores, levando a uma redução na participação de produtos de menor valor comercial associados a esses agentes.

O valor médio da contribuição dos polinizadores para o valor total da produção no Brasil, em 2023, foi de 16,14%, com um valor mínimo de 4,67% e um máximo de 26,39%. Para Goiás, especificamente, o indicador de contribuição dos polinizadores no valor da produção, em 2023, apresentou um valor médio de 12,64%, com um mínimo de 0,49% e um máximo de 24,14%. Ao longo do período de 1996 a 2023, a contribuição média goiana tem se mantido em torno de 10% a 15%, com picos e vales, mas sem uma tendência clara de aumento ou diminuição geral, como pode ser observado na série histórica.

Em termos regionais, a contribuição média goiana (12,64%) é inferior à média nacional (16,14%). Espírito Santo (46,83%) e Rio Grande do Norte (44,96%) lideram como os estados com maiores índices, enquanto Alagoas (7,06%) e Paraíba (7,21%) apresentam os menores números.

A análise desagregada por modo de produção estadual revela que, para as culturas temporárias, o valor médio da contribuição da polinização foi de 12,58% em 2023, variando de 0,34% a 24,17%. A soja e o algodão, apesar da dependência Modesta de polinizadores, apresentam grande volume de produção, contribuindo significativamente para o valor total associado à polinização no Centro-Oeste como um todo. Em seguida, aparecem o feijão e o tomate, também com dependência Modesta, e a melancia, que pertence à classe de Alta dependência.

Nas culturas permanentes, a contribuição média foi de 16,40%, com variação de 10,04% a 21,66%. Entre os produtos permanentes dependentes de polinização destacam-se o café canephora (dependência Alta), o café arábica (dependência Modesta) e a laranja (Modesta).

É no extrativismo vegetal que a contribuição dos polinizadores se torna mais significativa em território goiano, atingindo um valor médio de 95,00%, com mínimo de 90,00% e máximo de 100,00%. Isso se deve a produtos como castanha-do-pará e pequi, ambos com dependência Essencial, que contribuem com mais de 95% do total produzido nesse setor.

O estudo aponta que a relevância da polinização se manifesta em diferentes escalas, impactando desde as economias regionais até o dinamismo econômico de diversos municípios. A análise municipal para Goiás em 2023 revela que alguns municípios se destacam pela altíssima contribuição dos polinizadores.

Damianópolis, por exemplo, registrou um indicador médio de 95,00% em 2023, com um mínimo de 90,00% e um máximo de 100,00%. Isso demonstra que a quase totalidade do valor de sua produção extrativista está ligada à ação dos polinizadores. Outros exemplos com alta dependência incluem Mambaí (58,82% médio) e Buritinópolis (51,17% médio). Essa alta dependência reflete a concentração em produtos extrativistas que dependem essencialmente da polinização.

Entretanto, muitos municípios goianos se situam em uma faixa de contribuição que oscila entre 10% e 40%. Uruana, por exemplo, tem uma contribuição média de 41,88%. Ceres (26,30%), Rialma (23,21%) e Senador Canedo (20,39%) são outros exemplos que superam a média estadual.

Em contraste, alguns municípios apresentam uma contribuição muito baixa, indicando um perfil produtivo dominado por culturas que não dependem ou dependem muito pouco de polinizadores. Goianésia, com um indicador médio de apenas 0,98%, é um exemplo notável dessa realidade. Similarmente, Cachoeira Alta (0,58% médio) e São Luiz do Norte (2,54% médio) também demonstram baixa dependência.

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