Tendência

IBGE MOSTRA DADOS SURPREENDENTES SOBRE GOIÁS

As mulheres ocupam espaço antes reservado aos homens. Exemplo típico é da produtora e ruralista top Teresa Vendramini

Wandell Seixas

Dados surpreendentes sobre a população de Goiás e em particular sobre a vida dos goianos são revelados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD). A população é 7,35 milhões de habitantes, valor este que foi 1,0% maior que em 2023. No País, esse crescimento foi de apenas 0,4%. Na comparação com 2014, o Estado apresentou aumento populacional de 12,5%, enquanto no Brasil, esse aumento foi de apenas 5,8%, evidenciando um crescimento mais acelerado no Estado.

A distribuição da população goiana por grupos etários mostra uma tendência de envelhecimento da população. Em 2014, a população com menos de 30 anos de idade era 49,3%, passando para 44,6%, em 2024. Nos dez anos anteriores à pesquisa, destaca-se a queda da participação das pessoas de 5 a 13 anos (de 14,1% para 13,0%) e de 14 a 17 anos de idade (de 6,7% para 5,4%).

Conforme delineado nas projeções de população do IBGE, os grupos que compreendiam as pessoas de 18 a 19 anos, 20 a 24 anos e 25 a 29 anos de idade correspondiam a 2,8%, 7,9% e 8,7% dos residentes em 2024, respectivamente.

 Estima-se que, entre 2014 e 2024, a população de menos de 30 anos de idade tenha sofrido não apenas uma redução de sua participação na população total. Mas também uma redução de 0,6% no contingente, passando de 3,29 milhões para 3,27 milhões de pessoas.

A estrutura etária da população residente com base na participação percentual de cada grupo etário por sexo, em 2014 e 2024, confirma o alargamento do topo. E o estreitamento da base dessa estrutura, evidenciando a tendência de envelhecimento populacional. Conforme as estimativas de população, no período, houve redução dos percentuais de homens e mulheres em todas as faixas etárias até 34 anos, em contraste ao estimado crescimento observado em todas as demais faixas etárias acima de 45 anos.

Como a mortalidade dos homens é maior que a das mulheres em cada grupo etário, a razão de sexo tende a diminuir com o aumento da idade. Entre a população idosa, observa-se maior concentração de mulheres. Em 2024, percentual de domicílios com mulheres como responsáveis ultrapassa os com homens como responsáveis em Goiás.

A pesquisa mostra que 50,1% do total de domicílio, em 2024, tinham como responsável as mulheres, sendo o maior percentual da série histórica. Em 2014, apenas 33,7% dos domicílios havia a mulher como responsável. A tendência de as mulheres assumirem a responsabilidade da maioria dos domicílios goianos, já se mostrou realidade em nível Brasil em 2022 (51,2%). Isto derruba gradualmente o machismo reinante em praticamente todo o País, sobretudo em Goiás.

Distribuição de água

Em 2024, 89,8% dos domicílios tinham a rede geral de distribuição como principal fonte de abastecimento de água. Desde 2016, essa forma de uso apresentou altas e baixas, mas evidencia um crescimento de 3,2 pontos percentuais na comparação com 2016. A segunda fonte mais utilizada foi o poço profundo ou artesiano, sendo utilizado por 6,0% dos domicílios no Estado. A pesquisa mostra que esse uso caiu na comparação com 2016, sendo de 7,9% em 2016. Em terceiro, o poço raso, freático ou cacimba é utilizado por 2,8% dos domicílios estaduais.

Em 2024, 99,9% dos domicílios possuíam banheiro de uso exclusivo. Esse percentual oscilava entre 99,7%/ 99,9% desde 2017 e chegou a 100% em 2022.

Coleta direta de lixo

Em 2024, 93,5% dos domicílios tinham o lixo coletado diretamente por serviço de limpeza. Para o restante dos domicílios, a coleta era feita em caçamba de serviço de limpeza (2,4%) ou queimado na propriedade (3,3%) ou possuía outro destino (0,7%).

Energia elétrica

A série histórica da pesquisa sempre apresentou altos percentuais de domicílios com energia elétrica. Em 2022 e 2023, esse quantitativo foi de 100% dos domicílios, e em 2024 foi de 99,9%,sendo 99,5% por rede geral. No País, 99,8% dos domicílios possuíam rede elétrica ou fonte alternativa desde 2019.

Paredes com alvenaria

Em 2024, 94,2% dos domicílios tinham como material predominante nas paredes dos domicílios a alvenaria/taipa com revestimento. Segundo a pesquisa, o Estado é o quinto entre os maiores percentuais brasileiros com domicílios cujas paredes são de alvenaria/taipa com revestimento. O restante dos domicílios possuía como material predominante nas paredes a alvenaria/taipa sem revestimento (5,6%), madeira apropriada para construção (0,0%) ou outro material (0,1%).

Domicílios próprios

A pesquisa também investigou sobre a condição de ocupação dos domicílios. Um pouco menos da metade dos domicílios em Goiás (49,3%) era próprio de algum morador – já pago, representando o menor percentual da série iniciada em 2016. Em termos de UFs, Goiás tem o segundo menor percentual, à frente apenas do Distrito Federal (48,6%). Por outro lado, houve aumento dos domicílios alugados (30,5%) como é possível observar na Tabela 7 a seguir. Ressalta-se que o estado tem o terceiro maior percentual de domicílios alugados, abaixo apenas do Distrito Federal (34,6%) e do Mato Grosso (32,0%).

Botão Voltar ao topo