Inflação em Goiânia tem maior queda em dois anos
Wandell Seixas
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) relativo a agosto apresentou queda de 0,35% em Goiânia. O valor corresponde à segunda retração consecutiva e a maior já registrada desde julho de 2023 (-0,52%). O período corresponde a dois anos e um mês. Os índices menores são atribuídos aos menores preços da energia elétrica residencial e dos combustíveis.
Embora também seja um indicador calculado a partir da variação de preços em determinado tempo, o IPCA-15 se difere do IPCA, conforme explica o IBGE. Segundo a instituição o índice oficial de inflação brasileira é medida pela abrangência geográfica e pelo período de coleta. Para ele, costuma ser do dia 16 do mês anterior ao dia 15 do mês de referência. Desse modo, por contemplar algumas semanas do mês corrente, pode-se dizer que, em certo grau, o IPCA-15 atua como uma prévia da inflação oficial do mês em que é divulgado.
No Brasil, também houve queda (-0,14%) em agosto, após alta de 0,33% em julho. O índice foi o menor desde setembro de 2022 (-0,37%) e o primeiro negativo desde julho de 2023 (-0,07%). A variação e o impacto negativo mais intenso vieram do grupo Habitação (-1,13% e -0,17 pontos percentuais), devido à queda na energia elétrica residencial (-4,93%.
Em relação a agosto de 2024 (0,23%), a inflação goianiense teve queda de 0,58 pontos. Com isso, o IPCA-15 acumulado em 12 meses assinalou a terceira redução sucessiva, ficando em 4,58%. No País, onde o resultado também foi de retração na comparação com o mesmo mês do último ano (-0,33.), a taxa caiu para 4,95% – a menor desde janeiro (4,50%). No ano, Brasil e Goiânia acumulam índices de 3,26% e 2,42%, respectivamente.
Em Goiânia, quatro dos nove grupos investigados apresentaram queda dos preços em agosto. Aquele com o maior impacto para a variação negativa da capital foi o de Transportes (-1,47%), que possui o maior peso mensal. Dentre os itens que o compõem, destaca-se Combustíveis de veículos (-3,81%), cujo acumulado em 12 meses (-1,18%) atingiu valor negativo pela primeira vez desde maio de 2024 (-0,72%).
O setor de Habitação (-2,28%) foi o segundo que mais influenciou a deflação na capital, motivado, sobretudo, pela queda da energia elétrica residencial (-8,85%), a primeira após seis meses de alta. Também apresentaram variações negativas os grupos de Alimentação e bebidas (-0,06%) e de Comunicação (-0,21%), com diminuição dos preços da batata-inglesa (-17,5%), das Carnes (-0,37%), do arroz (-1,59%) e do aparelho telefônico (-1,64%), dentre outros. Apesar disso, a Alimentação fora do domicílio ficou mais cara, com alta de 0,90% em agosto e acumulado de 9,42% em 12 meses.
O maior impacto positivo para a prévia da inflação de agosto, por sua vez, veio das Despesas pessoais (1,34%). Entre seus itens, o mais relevante foi jogos de azar, com alta expressiva de 11,45% no mês.