Tendência

Moradias são repensadas para a população viver mais

Wandell Seixas

O envelhecimento da população já começa a mudar uma das estruturas mais básicas da vida cotidiana: a forma como as pessoas moram. Com mais brasileiros chegando à velhice e uma parcela crescente da população vivendo por mais tempo, questões como localização, arquitetura, convivência e acesso a serviços passam a fazer parte da discussão sobre longevidade.

 No Brasil, essa transformação já está alterando a composição da população e criando novas demandas para diferentes setores da economia, incluindo o mercado imobiliário. E em Goiânia, o mercado imobiliário teve essa percepção e não é indiferente ao processo em pleno andamento. E um dos segmentos nas aquisições é o agropecuarista, decorrência atribuída aos negócios bem sucedidos nas safras e na venda dos bois. E a respectiva moradia nos setores considerados nobres. Entre eles, Marista, Bueno e Sul. Além de conjuntos próximos à GO-020.

É nesse contexto que Daline Hällbom, CEO da Söderhem, participou do 8º Fórum & Festival Longevidade, em São Paulo. Esteve no painel Wellness, Real Estate e Economia Prateada para discutir como o mercado imobiliário e as cidades podem responder às transformações provocadas pelo aumento da longevidade.

 Daline acompanha o desenvolvimento do conceito NOLT (New Older Living Trend), que propõe olhar para o envelhecimento não a partir da dependência, mas de novas possibilidades de autonomia, bem-estar e vida em comunidade. “A longevidade não muda apenas a maneira como cuidamos da saúde. Ela muda a maneira como precisamos pensar nossas casas, nossos bairros e as cidades em que queremos viver”, afirma.

A discussão ganha relevância diante da velocidade do envelhecimento populacional. Segundo projeções da ONU, o número de pessoas com 60 anos ou mais no mundo deve ultrapassar 1,4 bilhão até 2030.

Para Daline, esse movimento exige uma mudança de perspectiva do Real Estate: “morar e cuidar não são a mesma coisa. Uma casa pode ser pensada para oferecer segurança e, ao mesmo tempo, preservar autonomia, estimular encontros e permitir que as pessoas continuem vivendo uma vida com significado.”

A participação no Fórum acontece em um momento em que a iniciativa amplia as discussões sobre longevidade, habitação e cidades brasileiras. Em 2027, o primeiro projeto da empresa, em Florianópolis, apresenta na prática alguns dos princípios de longevidade ativa e busca investigar como os espaços de moradia podem contribuir para vidas mais longas, saudáveis e conectadas.

 “O mercado imobiliário de Goiânia já está preparado para essa questão de bem-estar e sênior living. Várias construtoras já oferecem unidades com plantas acessíveis que possuem corredores largos e portas com 90 cm, garantindo mobilidade plena, principalmente para quem precisa de cadeira de rodas”, expõe Denise Duarte, jornalista e corretora de imóveis da URBS.

 Segundo ela, o lazer precisa também ter esse aspecto de acessibilidade e praticidade. Itens como mercadinho interno, espaço delivery, lavanderia e pet place são interessantes para esse público, pois reduzem a necessidade de deslocamentos externos.

            Denise observa que “uma academia bem montada é um item obrigatório, já que a pessoa pode só contratar um personal para atender em casa. Muitas construtoras entregam inclusive sala de pilates, além da academia. Uma academia com varanda externa é importante para ioga ou alongamento, por exemplo, dando mais privacidade para quem realiza atividades funcionais e deseja ficar mais longe de quem está nos aparelhos. Tudo isso já é pensado no mercado imobiliário.”

Tem também o espaço mulher, com estrutura de salão para fazer tudo em casa.  A localização do empreendimento é fundamental pela facilidade de fazer tudo a pé, portanto, as construtoras procuram terrenos bem localizados, pertinho de tudo como farmácias, hospitais, supermercados, restaurantes, praças ou parques, assim o empreendimento fica atrativo para esse público da terceira idade, garantindo comodidade urbana, conclui a expert.

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