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O uso da fertirrigação no sistema de irrigação por gotejamento
Por Daniel Pedroso – Especialista Agronômico, Netafim Brasil Com a evolução do sistema de irrigação por gotejamento no Brasil, o uso da fertirrigação passa a ser cada vez mais constante. Mas o que podemos entender como fertirrigação? Essa técnica pode ser explicada como o fornecimento de nutrientes para as plantas, trazendo várias vantagens em relação à adubação convencional. Primeiro, temos que entender que adubar não significa necessariamente nutrir a planta. Para isso, é necessário que os nutrientes estejam disponíveis para ela. Quando fornecemos fertilizantes para as plantas, esses fertilizantes estão indisponíveis, ou seja, a planta ainda não pode utilizá-los, pois nenhuma planta “come” fertilizantes, mas sim, absorve uma “sopa nutricional”. Para que esses fertilizantes fiquem disponíveis, é necessário que sejam solubilizados, seja com água das chuvas, seja com a água de um sistema de irrigação, permitindo sua entrada na solução do solo. Aí já se encontra a primeira vantagem da fertirrigação. Com essa técnica, os fertilizantes já estão solubilizados e, ao serem aplicados, entram de imediato na solução de água do solo. É daí que vem a expressão “injeção na veia”. Uma segunda vantagem é em relação ao parcelamento da adubação. No manejo agronômico atual, a adubação da cana-de-açúcar, por exemplo, é realizada de forma integral no plantio e uma parte em cobertura. No caso da cana-soca, é feita totalmente após a colheita. Esse manejo não é necessariamente o mais adequado agronomicamente, mas é o mais viável operacional e economicamente. Aos 90 dias, quando o canavial “fecha suas linhas”, não há maquinário capaz de aplicar fertilizantes, a não ser por avião, o que torna o processo extremamente caro. Agora, imagine se houvesse um sistema com acesso às raízes das plantas ao longo de todo o ciclo, como no caso do sistema de irrigação por gotejamento enterrado. Com esse sistema, é possível fornecer os nutrientes que a planta precisa, quando necessita, seguindo a curva de absorção nutricional da cultura, conforme observado nos gráficos abaixo. Figura 01. Curva de absorção de Nitrogênio, Fósforo e Potássio para cana de açúcar para região centro sul do Brasil Fonte: Gava, 2018 Para a realização da fertirrigação, não é necessária a aquisição de fertilizantes especiais. Usualmente, os irrigantes e fertirrigantes utilizam matérias-primas tradicionais, conforme especificado na tabela abaixo. Tabela 01. Fontes solúveis de nutrientes para serem utilizados em adubação por coberturaNo entanto, alguns cuidados devem ser seguidos na escolha dos fertilizantes, como solubilidade em campo, compatibilidade e condutividade elétrica. Cada fertilizante tem sua solubilidade. Alguns, como a uréia, são mais solúveis; outros, como o cloreto de potássio branco e em pó, são menos solúveis. De maneira geral, quem opta pela fertirrigação deve utilizar fertilizantes de boa solubilidade para facilitar a operação. Além disso, nunca devemos solubilizar mais fertilizantes do que a capacidade do reservatório permite. Por exemplo, se um reservatório tem capacidade de 5.000 litros e a uréia tem solubilidade de 0,4 kg/litro, o máximo que pode ser solubilizado é 2.000 kg. Outra opção é utilizar fertilizantes líquidos, quando economicamente viáveis. Figura 2 – Solubilidade de alguns fertilizantes. Outro ponto de atenção é a compatibilidade. Ao misturar dois fertilizantes na caixa de diluição, pode haver ou não reação química. Um exemplo clássico é a mistura de sulfatos com fontes de cálcio, que resulta na formação de sulfato de cálcio (gesso), um composto pouco solúvel. Para evitar incompatibilidades, recomenda-se consultar tabelas específicas ou realizar o “Teste do Jarro”. Esse teste consiste em misturar pequenas quantidades dos fertilizantes em um recipiente com água e observar se ocorre precipitação ou decantação. Caso isso ocorra, os fertilizantes são incompatíveis e devem ser aplicados separadamente. Figura 3 – Compatibilidade entre fertilizantes.] Por fim, a condutividade elétrica (C.E.) é outro fator importante. Todo fertilizante é um sal por natureza, e alguns possuem alta salinidade. Seguir um parâmetro máximo de 2,0 dS/m para a cultura da cana-de-açúcar é altamente recomendado. Se esse limite for ultrapassado, a rizosfera pode se tornar tão salina que, em vez de absorver água e nutrientes, a planta pode perder água para o meio, causando a chamada seca fisiológica. Figura 4 – Desenvolvimento radicular sobre excesso de salinidade Assim como um bom manejo de irrigação requer informações sobre a umidade do solo, a fertirrigação também exige dados precisos. Recomenda-se a instalação de extratores de solução do solo, que, por meio de análises nutricionais, permitem verificar a disponibilidade dos nutrientes para as plantas. Figura 5. Extratores de solução de água no solo (esquerda) Figura 6. Wet 150 ligado a plataforma Growsphere Atualmente, com as tecnologias de irrigação disponíveis, é praticamente inadmissível não utilizar a fertirrigação. Os resultados são altamente positivos e demonstram que a irrigação aliada à fertirrigação possibilita o alcance de altas produtividades. Sobre a Netafim Fundada em um pequeno kibbutz em Israel há 60 anos, a Netafim é pioneira e líder mundial em soluções para irrigação. Com atuação em mais de 110 países, chegou ao Brasil na década de 1990, com um portfólio completo de produtos e soluções inovadoras de irrigação por gotejamento, que visam contribuir com o eficiente uso da água, aumentando a produtividade na agricultura e trazendo mais tranquilidade ao produtor rural. |