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Securitização: Produtores goianos articulam renegociação de dívidas

Wandell Seixas

Os agropecuaristas nunca levaram vida fácil na engenharia de produzir alimentos. Eles se defrontam com as adversidades climáticas, condições de solo, irrigação, mercado, política, entre outros. A securitização das dívidas é o tema dominante na atualidade. A questão está levando os produtores, ênfase para Iporá e mais 35 municípios, sobretudo para os do Vale do Araguaia, à manifestação pública com a apresentação de tratores.

O movimento é considerado uma saída para milhares de produtores em dificuldade financeira. A seca do ano agrícola de 2024 ocasionou, segundo a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), um estado de emergência em inúmeros municípios produtores de grãos. O agravamento se deu, ainda, com a baixa nos preços das commodities agrícolas. E os investimentos em calcários e máquinas e implementos agrícolas subiram. No Rio Grande do Sul, por exemplo, houve redução de safra.

Mas, o certo é que está havendo uma articulação das lideranças do segmento agropecuário objetivando a renegociação das dividas junto ao Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal e ainda com a bancada ruralista no Congresso Nacional. Reivindicações dos produtores: renegociação justa das dívidas agrícolas; redução dos juros do crédito rural; combate às taxas abusivas nos financiamentos; políticas públicas eficazes para o campo; respeito ao produtor rural.

Esclarecendo o leitor, a securitização é uma renegociação legal das dívidas agrícolas, prevista no Manual de Crédito Rural. Ela permite ao produtor transformar dívidas antigas em novos contratos com juros menores, prazos mais longos e condições justas. Hoje, há municípios propondo manifestações publicas como um tratoraço a Brasília.

“Não é calote. É respeito com quem produz. É a chance de continuar plantando, gerando empregos e movimentando a economia”, reforçam os organizadores. A manifestação ganhou força também com a participação de Luciano Guimarães, do Sindicato Rural de Rio Verde, e dos dirigentes da Aprosoja Goiás. “Não é perdão de dívida. É o direito de renegociar com dignidade”, manifestou o dirigente sindical.

Luciano quer que a população urbana compreenda o quadro crítico vivido pelos  produtores : – Quem vê um trator novo não imagina o quanto foi investido para colocá-lo no campo. Hoje o produtor está afundado em custos. Se não houver renegociação, não tem próxima safra.

Paulo Antônio, vice-presidente do Sindicato Rural de Jussara, conclama os produtores a fortalecerem o sindicalismo. “O produtor tem que se conscientizar de que ele precisa de uma classe forte. Não adianta ele ficar lá na porteira pra dentro, fazendo tudo muito bem feito, igual sempre fez, e esquecer a porteira pra fora. O mundo acontece da porteira da porteira pra fora”, declara para àqueles que mostram desmotivados. Em sua opinião, “quando o produtor participa, ele faz a diferença.

O Parque Agropecuário de Iporá foi tomado há uma semana por tratores, representando uma das maiores manifestações da história do município. “Essa manifestação é um grito de socorro do campo. O produtor precisa ser ouvido”, afirmou Iron Campos Filho, presidente do Sindicato Rural de Iporá. No dia 16, a manifestação foi ampliada pela presença de dez prefeitos e nove sindicatos rurais da região.

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