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Arroz e feijão mantêm protagonismo na alimentação das famílias brasileiras
| Especialistas destacam benefícios da combinação para o crescimento infantil e para a formação de hábitos alimentares saudáveis Arroz e feijão fornecem aminoácidos essenciais que o organismo não produz. Juntos, formam uma combinação que oferece proteína completa e com alto valor nutricional A combinação de arroz e feijão é um dos símbolos da comida brasileira e continua sendo apontada por especialistas como uma das bases mais importantes para a nutrição infantil. Presente na rotina da maioria das famílias do país, a dupla reúne nutrientes essenciais ao crescimento, favorece uma alimentação equilibrada, incentiva o consumo de alimentos minimamente processados e costuma ter boa aceitação entre crianças com seletividade alimentar. Consumidos diariamente por milhões de pessoas, os dois alimentos também têm papel relevante na segurança alimentar do país. “Ambos são ricos em aminoácidos, o que o nosso corpo não produz e precisa obter por meio da alimentação. O feijão é rico em lisina e pobre em metionina. Já o arroz é exatamente o contrário. Com essa combinação, temos uma fonte completa de proteína”, explica a nutricionista infantil Janine Pruinelli. As evidências científicas reforçam essa avaliação. Estudo do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens-USP), publicado na revista Public Health Nutrition, analisou dados de 46.164 brasileiros de todas as regiões do país e constatou que os participantes que mais incluíam arroz e feijão na alimentação apresentaram melhor qualidade nutricional na dieta. Nesse grupo, foram observadas 44,5% menos inadequações nutricionais — indicador que considera tanto a deficiência de fibras, vitaminas e minerais quanto o excesso de açúcar, sódio e gorduras. Além disso, a presença mais frequente da dupla na alimentação esteve associada a uma redução de 38% nos custos das refeições. Segundo o gastroenterologista pediátrico do Hospital Moinhos de Vento, José Spolidoro, a literatura científica também tem demonstrado o efeito protetor de padrões alimentares baseados em comida caseira e orgânica. “Esse é um pilar fundamental para uma nutrição infantil saudável e equilibrada. A união de arroz e feijão fornece proteína de alta qualidade, importante para o crescimento ao compensar as carências de aminoácidos individuais de cada grão”, afirma. Aliados contra a seletividade alimentar Outra vantagem dessa dupla é a boa aceitação entre crianças com seletividade alimentar. “O arroz tem sabor neutro e pode receber diferentes temperos ou até ser servido sempre da mesma forma. Nesses casos, a previsibilidade influencia o consumo, então saber que aquele alimento terá características semelhantes facilita a aceitação”, explica Janine Pruinelli. Já o feijão, por apresentar duas texturas, o caldo e os grãos, pode representar um desafio quando a seletividade também está relacionada à textura dos alimentos. “Uma estratégia inicial pode ser servir apenas os grãos ou apenas o caldo”, orienta a nutricionista. Ela também recomenda o acompanhamento de um profissional capacitado para conduzir o tratamento da seletividade alimentar. Presença constante na mesa Semanalmente, o arroz está presente em nove em cada dez lares do país (91,1%), de acordo com pesquisa da Worldpanel by Numerator encomendada pela Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz). O levantamento também mostra que o feijão ocupa papel central na combinação mais tradicional da mesa brasileira, acompanhando a maior parte das preparações com arroz. “Essa combinação atravessa gerações e continua sendo uma das principais bases da alimentação dos brasileiros. Trata-se de uma refeição acessível, nutritiva e presente na rotina das famílias. Quando especialistas reforçam os benefícios dessa dupla para a infância, também destacam a importância de manter alimentos tradicionais e de qualidade no centro da alimentação da população”, destaca o presidente da Abiarroz, Renato Franzner. A nutricionista infantil Janine Pruinelli ressalta que a formação dos hábitos alimentares começa dentro de casa. “Quando a família consome arroz e feijão com frequência, a criança passa a conviver naturalmente com esses alimentos. Ver pessoas de confiança os consumindo aumenta a disposição para experimentá-los e incorporá-los à rotina”, afirma. |