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ARROZ – Reivindicações aos governos  federal e estadual marcam ato da Abertura Oficial da Colheita do Arroz

Foto: Paulo Rossi e Jô Folha/Divulgação

Texto: Artur Chagas/AgroEffective

O ato de Abertura da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, realizado nesta quinta-feira, 20, contou com a presença de diversas autoridades, produtores e entidades representativas do setor. Simbolizando a garantia da segurança alimentar, o evento ocorreu na lavoura Breno Prates, na Estação Experimental da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão (RS). A exemplo do ano passado, além da colheita tradicional do arroz, também foi colhida uma lavoura de soja, simbolizando a integração das culturas.

O  presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Alexandre Velho, qualificou o evento como grandioso. O dirigente fez críticas  pontuais tanto ao governo federal quanto ao estadual. No caso da União, Velho pediu que a Conab venha ao Rio Grande do Sul atualizar os preços dos custos de produção. “Se eu tivesse que falar, o principal problema da lavoura de arroz é o custo alto de produção. Precisamos também que continue o livre mercado. Não aceitamos intervenções no mercado do arroz. O produtor não pode vender arroz abaixo do preço de produção. Temos prejuízo,  o que trouxe endividamento e a diminuição da nossa lavoura. E a origem deste endividamento também está muito em cima da falta de um seguro agrícola adequado”, pontuou. 

Com relação ao governo estadual, o presidente da Federarroz referiu a necessidade de maiores reservas de água  “Como nós vamos investir em irrigação com a insegurança que temos com relação à energia elétrica? Precisamos melhorar a atuação da Agergs, que é a agência reguladora do Estado. Também como vamos aumentar ou manter a produção sem estradas adequadas?”, ponderou.  

Encerrando o ato, o governador em exercício, Gabriel Souza, referiu que o Estado produz 70% do arroz no Brasil, além da exportação para vários países. “Uma cultura que, mesmo diminuindo a área plantada em anos anteriores, esse ano ampliou a área. Porém, mais do que isso, a produtividade, que veio oriunda de muita ciência, muita pesquisa, muito apoio de assistência técnica, onde eu, naturalmente, tenho que citar a Embrapa, uma empresa de extensão rural brasileira, de pesquisa e importantíssima. Mas nós, aqui do Rio Grande do Sul, temos também o nosso Instituto Rio Grandense do Arroz, o Irga, que tem amparado imensamente o produtor”,destacou. Gabriel referiu, ainda, sobre a política de valorização salarial, tanto dos técnicos do Irga como da Agergs, no sentido de qualificar a máquina do Estado em prol do produtor.

O governador em exercício citou também um investimento de R$1 bilhão em estradas nos últimos meses.  “A irrigação é outra pauta fundamental para o Estado, até porque 40% dos produtores de arroz no Rio Grande do Sul também produzem outras culturas, como é o caso da soja. E nós temos um programa robusto, queremos muito a colaboração dos líderes do setor, dos parlamentares ligados ao setor, para que a gente consiga divulgar ainda mais o Supera Estiagem, que paga até 20% do custo do projeto de irrigação, com teto de até R$100 mil”, pontuou. Por fim, ocorreu a tradicional solenidade de descarga dos grãos das colheitadeiras no silo, simbolizando a entrega dos produtos ao mercado e aos consumidores.

 A 35ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas é uma realização da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul  (Federarroz) e correalização da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), além do Patrocínio Premium do Instituto Rio Grandense do Arroz ( Irga) e apoio da Prefeitura Municipal de Capão do Leão. O evento teve como tema “Produção de Alimentos no Pampa Gaúcho – Uma Visão de Futuro”. 

Arroz vai de vilão a aliado na dieta dos brasileiros segundo especialista

O Brasil figura entre os dez países do mundo que mais consomem arroz e sua população tem um consumo per capita de 42 quilos ao ano. Mas estar à mesa de famílias de norte a sul do país não isentou o alimento de figurar como um vilão das dietas de perda de peso, mas essa reputação nem sempre é justa. Tudo depende do contexto da dieta e das necessidades individuais.  Foi o que explicou o educador físico Marcio Atalla na palestra “O arroz como aliado à saúde”, que integrou o último dia de programação da Abertura Oficial da Colheita de Arroz e Grãos em Terras Baixas, realizado de 18 a 20, na Estação Experimental da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão (RS).

Convidado pela Basf, patrocinadora do evento, Atalla explicou as vantagens do alimento e bem como os fatores que ajudaram a construir mitos absurdos em torno do consumo de arroz. “Hoje, com a internet, todo mundo emite sua opinião, o que tem um lado bom, mas também tem um lado ruim. O ponto ruim é que muitas pessoas são influenciadoras sem ter a capacidade técnica, sem ter a responsabilidade para influenciar outras pessoas. Assim se propagam os mitos que o arroz causa diabetes, que não pode comer o grão à noite ou que se você deixá-lo na geladeira de um dia para o outro ele vai perder as calorias. Os picaretas vão inventando essas coisas para vender seus cursos, os influenciadores repetem, as pessoas vão inventando e a população vai comprando essas ideias”, argumentou.

Na avaliação do profissional, que é especialista em Nutrição, a alimentação mais tradicional da mesa dos brasileiros, baseada no arroz e feijão, é muito rica, além de barata e acessível à grande parte da população. “Aquele prato típico lá das décadas de 60 e 70, com arroz, feijão, um pouquinho de salada e uma proteína é nutricionalmente muito rico. Ele tem uma boa quantidade de proteínas, carboidratos, fibras, vitaminas e muitos minerais e pouca quantidade de gordura – ao contrário de outros tipos de alimentos, como o fast food”, explicou.

A mudança no estilo de vida dos brasileiros – que se tornou mais corrido e estressante nas últimas quatro décadas – alterou também seus hábitos alimentares. Por praticidade ou pressa, os brasileiros inseriram em seu cardápio os lanches rápidos e alimentos ultraprocessados, muito menos saudáveis. Isso levou a um aumento da obesidade da população, mas o arroz saiu como bode expiatório. “O brasileiro está desembrulhando mais e descascando de menos. Estamos pagando mais caro por um alimento nutricionalmente pior. E, nutricionalmente, vamos pagar o preço lá na frente. Quando você pega os levantamentos populacionais em relação à qualidade da alimentação, ela vem piorando, vem diminuindo a quantidade de fibra”, ponderou, salientando que “por conta da desinformação, as pessoas vão deixando de comer arroz para comprar suplemento e vitaminas na farmácia. Estão gastando mais para algo que a alimentação daria”.

Marcio lembrou de um episódio ocorrido em 2016, quando executou um projeto para tentar mudar a saúde de uma cidade inteira para um programa de TV e acabou sendo confrontado por uma mulher em um restaurante. Ao vê-lo servir o grão para acompanhamento de uma feijoada, ela mostrou decepção. “Você ficou lá no parque falando de nutrição e aqui você escolhe o arroz branco pra comer?’, disse ela. Eu perguntei qual era o problema do arroz? E ela falou: “O arroz dá barriga, o arroz engorda e as pessoas acabam morrendo pelo consumo do arroz”. Na época, um brasileiro comia em média 42 quilos de arroz por ano, tinha expectativa de vida de 74 anos, e o país contava com 27% da população obesa. Aí, eu fui pesquisar como eram essas taxas nos países que mais consomem arroz”, recordou.

Entre outros dados, Marcio apurou que a Coreia do Sul, consumia três vezes mais arroz que o brasileiro, em média, tendo taxa de obesidade de 4% e expectativa de vida 11 anos maior que a nossa. “E na Coreia, até o café da manhã tem arroz. Isso quer dizer que o arroz faz viver mais e emagrece? Não. Mas diz sobre como ele está inserido na nossa alimentação. Então, ali na Coreia do Sul o prato sempre tem um arroz, uma fonte de vegetais e uma fonte de proteína. O Brasil tinha essa cultura”, lamentou.

Isso chama a atenção para o consumo consciente dos alimentos e para o autocuidado, o que inclui a prática regular de atividades físicas para combater a obesidade – algo tradicional entre os coreanos, e uma lição que os brasileiros deveriam aprender. “É mais fácil apontar um vilão do que olhar para si e mudar seu estilo de vida”, afirmou.

A Basf, que oferece soluções para a produção de arroz, desde a semente até a colheita – lançou a campanha #ArrozPraTodoDia para promover a importância do arroz na alimentação dos brasileiros e a valorização da cadeia produtiva. A iniciativa foi elogiada pelo educador físico “Eu gostei muito dessa campanha, porque o arroz é excelente. É o coadjuvante perfeito, que vai com tudo. A gente fala muito do arroz feijão, mas você vai comer um arroz com uma lentilha, com uma carne, com um camarão. Ele sempre vai bem. É um alimento barato, que fornece energia, que tem vitaminas, que tem minerais e que faz parte dessa alimentação tradicional. Então é muito importante o papel educacional desse tipo de campanha: arroz, sim, ele pode ser consumido todos os dias, levando em consideração a quantidade e como ele está inserido e como é montado esse prato”, ensinou Atalla.

Clóvis Tramontina compartilha sua trajetória


Focado no empreendedorismo, foi realizado na tarde desta quinta-feira, o painel “Empreender não é um ato. É uma jornada”, dentro da programação. O diretor do Conselho de Administração da Tramontina, Clovis Tramontina, traz os desafios e os caminhos do ato de empreender. A moderação do painel ficou sob a responsabilidade do vice-presidente da Federarroz e presidente do Sindicato e Associação Rural de Uruguaiana, Roberto Fagundes.

Durante sua palestra, Clóvis Tramontina abordou a importância da clareza de objetivos e do planejamento no empreendedorismo. Ele destacou a diferença entre a realidade do produtor de arroz, cuja principal variável é o tempo, e os desafios enfrentados por empreendedores industriais. “Sonhar é possível, mas o sucesso exige tempo, esforço e deve ser construído passo a passo, porque quem ganha fácil, gasta fácil”, ressaltou.

Ao traçar sua própria trajetória, Clovis relembrou seu desejo de ingressar no mercado de São Paulo, considerado estratégico para os negócios. Para conquistar essa oportunidade, realizou uma pós-graduação na FGV e chamou a atenção de seu tio, obtendo, assim, ingresso na sede paulista da empresa. Lá, ele fortaleceu relações e agregou valor ao seu trabalho. Clovis destacou que ouvir as pessoas é essencial para o crescimento no empreendedorismo. Ele compartilhou uma experiência em que recebeu críticas sobre produtos da empresa, levou as sugestões para a fábrica e promoveu melhorias. “Sempre haverá obstáculos, mas é preciso foco e paciência para evitar quedas”, afirmou.

Entre os desafios vividos na Tramontina, Clovis mencionou o caso do licenciamento de marcas. A empresa lançou uma tesoura infantil do Bob Esponja, que foi um sucesso. No entanto, uma decisão baseada em experiências acadêmicas na França levou ao aumento do preço de venda, impactando negativamente na comercialização. O empresário também contou que sempre quis ser o número um e mesmo com as dificuldades nunca deixou de viver. “Depois de São Paulo, quis me tornar presidente da empresa, e para isso me preparei muito. Aprendi, errei e acertei ao longo do caminho”, concluiu.

Frequentes secas e problemas para irrigação são principais problemas para a economia gaúcha

Ex-secretário da Fazenda do Rio Grande do Sul palestra na Abertura da Colheita do Arroz e fala sobre os efeitos deste gargalo do agro nos demais setores produtivos

O Cenário Econômico e Desafios da Economia Gaúcha foi tema de palestra para o público no auditório Frederico Costa quarta-feira, 19, na 35ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas. O economista Aod Cunha, ex-secretário da Fazenda do Rio Grande do Sul, foi o painelista deste tema, mediado pelo economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz.

No início, o especialista explicou que faria uma explanação do cenário macro com repercussões e impactos mais relevantes aos produtores rurais, depois chegando mais especificamente para a economia gaúcha. Segundo Cunha, o Brasil não vem acompanhando nos últimos anos o crescimento de outros países, mostrando em números os fatores que levaram a este cenário. Sobre o atual tema relacionado às tarifas de importação, que voltaram à pauta global após Donald Trump assumir novamente a presidência dos Estados Unidos, Cunha espera que haja uma elevação. “O fato é que o mundo vinha em uma trajetória de reduções de tarifas e não de aumento”, salientou.

Para Cunha, no cenário global, a tendência é ter um custo de capital mais alto do que foi nos últimos anos. “E, como adicional, isso tudo indica que a gente deve ter um mundo menos globalizado para muitas cadeias, no sentido de as cadeias estarem voltando talvez para tarifas maiores visando a proteção da indústria nacional. E isso também joga, de certa forma, com alguma pressão de custos, de preço adicional, que impacta também a inflação e juros”, observou.

O economista revelou que há muito espaço para os Estados Unidos aumentar tarifas de importação para produtos brasileiros se eles realmente perseguirem o tema de igualdade tarifária. “Esse é um ponto de atenção no Brasil para alguns setores. Que setores têm mais diferença? Quando a gente quebra isso por setores eu vou pegar minério de ferro, carne, etanol, químicos, alimentação processada, preparada, algodão, café. O Etanol é um caso. Temos uma média que põe em tarifa de 18% na importação de Etanol, quando os Estados Unidos colocam 2,5%. Isso é um ponto muito sensível para o Brasil se fosse levado ao pé da letra de equalização tarifária. Praticamente inviabilizaria exportação brasileira”, ponderou.

Para o Brasil, Cunha falou sobre a expectativa de inflação mais alta e taxas mais altas, o que será um desafio para as empresas. “Me desconforta um pouco porque eu acredito, tanto pela análise econômica dos dados quanto pela minha experiência na vida com as empresas, que é impossível manter este nível de atividade econômica por muito tempo com este nível de taxa de juros real que a gente está tendo. Tem uma hora que isso faz um preço”, avaliou.

Chegando à economia gaúcha, o especialista salientou que o tema da seca e a falta de irrigação são preponderantes para o Estado, que vem sendo assolado diretamente nos últimos anos por estes fatores. “De longe é o maior problema econômico do Rio Grande do Sul, não só do agro, mas de todo o Rio Grande do Sul, que é a incapacidade de saber armazenar água e conseguir enfrentar períodos recorrentes de seca que não tiram só a geração de renda da produtividade do setor de grãos, mas tiram renda da indústria, do serviço, do comércio, do Estado todo.

Cunha salientou ainda que este é um grande desafio do Estado “Existe toda a discussão, mas por que não anda mais? O governo podia dar mais dinheiro, é problema da legislação, é um problema de cultura empresarial, o arroz irriga, mas a soja não, especialmente na pequena propriedade. Tem uma série de discussões sobre isso. O fato é que é inadmissível o quanto que o Rio Grande do Sul perde a todo momento de renda com isso”, concluiu.

Pesquisador da Embrapa relata sucesso de projeto de rastreabilidade na cadeia orizícola

Palestra que contou também com a Abiarroz e a empresa Arrozeira Pelotas fez parte da programação do segundo dia da 35ª Abertura da Colheita do Arroz

Rastreabilidade na cadeia do arroz: transparência do campo à mesa foi mais um tema em destaque na programação. Alexandre de Castro, pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Andressa Silva, diretora Executiva da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) e Nathalia Ribeiro Ziemer Xavier, supervisora de Qualidade e Meio Ambiente na empresa Arrozeira Pelotas.

Castro deu início à palestra falando sobre a experiência com o primeiro piloto de rastreabilidade na cadeia do arroz da Embrapa, realizado com a Arrozeira Pelotas e com apoio da Abiarroz. O projeto foi apresentado no ano passado na Arena Digital. “No começo tivemos dificuldades normais para um projeto de pesquisa, mas hoje a empresa já tem o produto no mercado e estendeu para toda a sua linha da marca Brilhante”, salientou. Segundo ele, há cerca de 4 anos a Embrapa começou a implantar o projeto de rastreabilidade na cadeia de cana-de-açúcar e de lá para cá tem evoluído nesse formato de negócio sempre tentando alinhar com os parceiros da melhor forma possível. Hoje, são feitos acordos de cooperação técnica com entidades representativas que indicam empresas para implementar o piloto de rastreabilidade”, contextualizou.

Conforme explicou o pesquisador, a Embrapa utiliza para fazer o registro das informações uma rede de governança privada e permissionada, onde são montadas assinaturas digitais dos lotes de fabricação, que são enviadas para o datacenter da Embrapa em Campinas (SP). Dentro dessa rede podem ser incluídas várias informações, como dados de geolocalização, laudos laboratoriais, identificação dos produtores, entre outros. “A Embrapa não interfere diretamente nessas informações porque não tem atribuições fiscalizatórias e regulatórias. Então, a nossa parte é disponibilizar o sistema e o parceiro estuda junto ao seu público consumidor quais as informações de interesse comerciais”, observou.

Na sequência, Andressa abordou a questão normativa, a importância da rastreabilidade para os mercados interno e externo, além de questões inerentes aos produtores e à agroindústria do arroz. Disse que o tema é muito importante no sentido de construir bases sólidas para um “futuro em que haja transparência e credibilidade, e que abra portas para acesso a mercados e à educação do consumidor”. “A Abiarroz tem o dever institucional de orientar os associados com relação às mudanças tanto no mercado interno quanto externo, que vão alcançar o nosso setor. Nós trabalhamos junto ao Ministério da Agricultura acompanhando as normativas que são publicadas em torno do autocontrole da rastreabilidade prevista na lei 14.515 de 2022, na qual se insere a questão da rastreabilidade”, informou.

Andressa também falou sobre a elaboração de um novo decreto que vai trabalhar na fiscalização dos produtos de origem vegetal, internamente chamado de Rispovi, que traz mais detalhamento para a rastreabilidade. “O autocontrole é uma realidade e a rastreabilidade está prevista nele, e os normativos que estão vindo por parte do Mapa estão reforçando a importância da rastreabilidade”, destacou, colocando que após a publicação desse Rispovi existe a previsão da publicação de outros normativos que regulamentam esse decreto, como a portaria de controles mínimos que as indústrias precisam ter e uma nova norma regulamentadora no setor de grãos para rastreabilidade. Ao final da palestra, a supervisora de Qualidade e Meio Ambiente na empresa Arrozeira Pelotas mostrou como está sendo implementado o case comercial chegando até ao consumidor final. “Todas as embalagens estão com QRCode do Sibraar, Sistema Brasileiro de Agrorrastreabilidade, cuja leitura é feita através do celular, e coloca os dados do lote”, sinalizou.

Ainda na quarta-feira, a auditora fiscal da Receita Estadual, Vanessa Timm, apresentou aos produtores as funcionalidades do aplicativo Nota Fiscal Fácil. Ela iniciou a fala sobre obrigatoriedade de emissão da nota fiscal de forma eletrônica e não mais em papel. “No final do ano passado foi publicado decreto que trouxe alterações na relação dos produtores com o fisco. Assim, faturamento acima de R$ 360 mil está obrigado a emitir a nota de forma eletrônica, mas haverá um período de transição”, detalhou a auditora, complementando que é preciso que o produtor consulte, no site da Receita, a listagem que indica as inscrições que, a partir de julho, já deverão aposentar os talões. Outros produtores, entretanto, terão um tempo maior para utilizar o talão impresso.

Também foi apresentado o App Nota Fiscal Fácil, que funciona como um equivalente para a emissão da nota de forma eletrônica. “A principal vantagem é que o produtor pode emitir as notas na palma da mão e até mesmo de forma offline, pois há uma tolerância para que a conexão com a internet seja feita”, explicou. Outra facilidade é que há um ambiente de teste para que o produtor possa treinar o preenchimento das notas pelo app.

ARROZ 1

Reivindicações aos governos  federal e estadual marcam ato da Abertura Oficial da Colheita do Arroz

Foto: Paulo Rossi e Jô Folha/Divulgação

Texto: Artur Chagas/AgroEffective

O ato de Abertura da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, realizado nesta quinta-feira, 20, contou com a presença de diversas autoridades, produtores e entidades representativas do setor. Simbolizando a garantia da segurança alimentar, o evento ocorreu na lavoura Breno Prates, na Estação Experimental da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão (RS). A exemplo do ano passado, além da colheita tradicional do arroz, também foi colhida uma lavoura de soja, simbolizando a integração das culturas.

O  presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Alexandre Velho, qualificou o evento como grandioso. O dirigente fez críticas  pontuais tanto ao governo federal quanto ao estadual. No caso da União, Velho pediu que a Conab venha ao Rio Grande do Sul atualizar os preços dos custos de produção. “Se eu tivesse que falar, o principal problema da lavoura de arroz é o custo alto de produção. Precisamos também que continue o livre mercado. Não aceitamos intervenções no mercado do arroz. O produtor não pode vender arroz abaixo do preço de produção. Temos prejuízo,  o que trouxe endividamento e a diminuição da nossa lavoura. E a origem deste endividamento também está muito em cima da falta de um seguro agrícola adequado”, pontuou. 

Com relação ao governo estadual, o presidente da Federarroz referiu a necessidade de maiores reservas de água  “Como nós vamos investir em irrigação com a insegurança que temos com relação à energia elétrica? Precisamos melhorar a atuação da Agergs, que é a agência reguladora do Estado. Também como vamos aumentar ou manter a produção sem estradas adequadas?”, ponderou.  

Encerrando o ato, o governador em exercício, Gabriel Souza, referiu que o Estado produz 70% do arroz no Brasil, além da exportação para vários países. “Uma cultura que, mesmo diminuindo a área plantada em anos anteriores, esse ano ampliou a área. Porém, mais do que isso, a produtividade, que veio oriunda de muita ciência, muita pesquisa, muito apoio de assistência técnica, onde eu, naturalmente, tenho que citar a Embrapa, uma empresa de extensão rural brasileira, de pesquisa e importantíssima. Mas nós, aqui do Rio Grande do Sul, temos também o nosso Instituto Rio Grandense do Arroz, o Irga, que tem amparado imensamente o produtor”,destacou. Gabriel referiu, ainda, sobre a política de valorização salarial, tanto dos técnicos do Irga como da Agergs, no sentido de qualificar a máquina do Estado em prol do produtor.

O governador em exercício citou também um investimento de R$1 bilhão em estradas nos últimos meses.  “A irrigação é outra pauta fundamental para o Estado, até porque 40% dos produtores de arroz no Rio Grande do Sul também produzem outras culturas, como é o caso da soja. E nós temos um programa robusto, queremos muito a colaboração dos líderes do setor, dos parlamentares ligados ao setor, para que a gente consiga divulgar ainda mais o Supera Estiagem, que paga até 20% do custo do projeto de irrigação, com teto de até R$100 mil”, pontuou. Por fim, ocorreu a tradicional solenidade de descarga dos grãos das colheitadeiras no silo, simbolizando a entrega dos produtos ao mercado e aos consumidores.

 A 35ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas é uma realização da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul  (Federarroz) e correalização da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), além do Patrocínio Premium do Instituto Rio Grandense do Arroz ( Irga) e apoio da Prefeitura Municipal de Capão do Leão. O evento teve como tema “Produção de Alimentos no Pampa Gaúcho – Uma Visão de Futuro”. 

Arroz vai de vilão a aliado na dieta dos brasileiros segundo especialista

O Brasil figura entre os dez países do mundo que mais consomem arroz e sua população tem um consumo per capita de 42 quilos ao ano. Mas estar à mesa de famílias de norte a sul do país não isentou o alimento de figurar como um vilão das dietas de perda de peso, mas essa reputação nem sempre é justa. Tudo depende do contexto da dieta e das necessidades individuais.  Foi o que explicou o educador físico Marcio Atalla na palestra “O arroz como aliado à saúde”, que integrou o último dia de programação da Abertura Oficial da Colheita de Arroz e Grãos em Terras Baixas, realizado de 18 a 20, na Estação Experimental da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão (RS).

Convidado pela Basf, patrocinadora do evento, Atalla explicou as vantagens do alimento e bem como os fatores que ajudaram a construir mitos absurdos em torno do consumo de arroz. “Hoje, com a internet, todo mundo emite sua opinião, o que tem um lado bom, mas também tem um lado ruim. O ponto ruim é que muitas pessoas são influenciadoras sem ter a capacidade técnica, sem ter a responsabilidade para influenciar outras pessoas. Assim se propagam os mitos que o arroz causa diabetes, que não pode comer o grão à noite ou que se você deixá-lo na geladeira de um dia para o outro ele vai perder as calorias. Os picaretas vão inventando essas coisas para vender seus cursos, os influenciadores repetem, as pessoas vão inventando e a população vai comprando essas ideias”, argumentou.

Na avaliação do profissional, que é especialista em Nutrição, a alimentação mais tradicional da mesa dos brasileiros, baseada no arroz e feijão, é muito rica, além de barata e acessível à grande parte da população. “Aquele prato típico lá das décadas de 60 e 70, com arroz, feijão, um pouquinho de salada e uma proteína é nutricionalmente muito rico. Ele tem uma boa quantidade de proteínas, carboidratos, fibras, vitaminas e muitos minerais e pouca quantidade de gordura – ao contrário de outros tipos de alimentos, como o fast food”, explicou.

A mudança no estilo de vida dos brasileiros – que se tornou mais corrido e estressante nas últimas quatro décadas – alterou também seus hábitos alimentares. Por praticidade ou pressa, os brasileiros inseriram em seu cardápio os lanches rápidos e alimentos ultraprocessados, muito menos saudáveis. Isso levou a um aumento da obesidade da população, mas o arroz saiu como bode expiatório. “O brasileiro está desembrulhando mais e descascando de menos. Estamos pagando mais caro por um alimento nutricionalmente pior. E, nutricionalmente, vamos pagar o preço lá na frente. Quando você pega os levantamentos populacionais em relação à qualidade da alimentação, ela vem piorando, vem diminuindo a quantidade de fibra”, ponderou, salientando que “por conta da desinformação, as pessoas vão deixando de comer arroz para comprar suplemento e vitaminas na farmácia. Estão gastando mais para algo que a alimentação daria”.

Marcio lembrou de um episódio ocorrido em 2016, quando executou um projeto para tentar mudar a saúde de uma cidade inteira para um programa de TV e acabou sendo confrontado por uma mulher em um restaurante. Ao vê-lo servir o grão para acompanhamento de uma feijoada, ela mostrou decepção. “Você ficou lá no parque falando de nutrição e aqui você escolhe o arroz branco pra comer?’, disse ela. Eu perguntei qual era o problema do arroz? E ela falou: “O arroz dá barriga, o arroz engorda e as pessoas acabam morrendo pelo consumo do arroz”. Na época, um brasileiro comia em média 42 quilos de arroz por ano, tinha expectativa de vida de 74 anos, e o país contava com 27% da população obesa. Aí, eu fui pesquisar como eram essas taxas nos países que mais consomem arroz”, recordou.

Entre outros dados, Marcio apurou que a Coreia do Sul, consumia três vezes mais arroz que o brasileiro, em média, tendo taxa de obesidade de 4% e expectativa de vida 11 anos maior que a nossa. “E na Coreia, até o café da manhã tem arroz. Isso quer dizer que o arroz faz viver mais e emagrece? Não. Mas diz sobre como ele está inserido na nossa alimentação. Então, ali na Coreia do Sul o prato sempre tem um arroz, uma fonte de vegetais e uma fonte de proteína. O Brasil tinha essa cultura”, lamentou.

Isso chama a atenção para o consumo consciente dos alimentos e para o autocuidado, o que inclui a prática regular de atividades físicas para combater a obesidade – algo tradicional entre os coreanos, e uma lição que os brasileiros deveriam aprender. “É mais fácil apontar um vilão do que olhar para si e mudar seu estilo de vida”, afirmou.

A Basf, que oferece soluções para a produção de arroz, desde a semente até a colheita – lançou a campanha #ArrozPraTodoDia para promover a importância do arroz na alimentação dos brasileiros e a valorização da cadeia produtiva. A iniciativa foi elogiada pelo educador físico “Eu gostei muito dessa campanha, porque o arroz é excelente. É o coadjuvante perfeito, que vai com tudo. A gente fala muito do arroz feijão, mas você vai comer um arroz com uma lentilha, com uma carne, com um camarão. Ele sempre vai bem. É um alimento barato, que fornece energia, que tem vitaminas, que tem minerais e que faz parte dessa alimentação tradicional. Então é muito importante o papel educacional desse tipo de campanha: arroz, sim, ele pode ser consumido todos os dias, levando em consideração a quantidade e como ele está inserido e como é montado esse prato”, ensinou Atalla.

Clóvis Tramontina compartilha sua trajetória


Focado no empreendedorismo, foi realizado na tarde desta quinta-feira, o painel “Empreender não é um ato. É uma jornada”, dentro da programação. O diretor do Conselho de Administração da Tramontina, Clovis Tramontina, traz os desafios e os caminhos do ato de empreender. A moderação do painel ficou sob a responsabilidade do vice-presidente da Federarroz e presidente do Sindicato e Associação Rural de Uruguaiana, Roberto Fagundes.

Durante sua palestra, Clóvis Tramontina abordou a importância da clareza de objetivos e do planejamento no empreendedorismo. Ele destacou a diferença entre a realidade do produtor de arroz, cuja principal variável é o tempo, e os desafios enfrentados por empreendedores industriais. “Sonhar é possível, mas o sucesso exige tempo, esforço e deve ser construído passo a passo, porque quem ganha fácil, gasta fácil”, ressaltou.

Ao traçar sua própria trajetória, Clovis relembrou seu desejo de ingressar no mercado de São Paulo, considerado estratégico para os negócios. Para conquistar essa oportunidade, realizou uma pós-graduação na FGV e chamou a atenção de seu tio, obtendo, assim, ingresso na sede paulista da empresa. Lá, ele fortaleceu relações e agregou valor ao seu trabalho. Clovis destacou que ouvir as pessoas é essencial para o crescimento no empreendedorismo. Ele compartilhou uma experiência em que recebeu críticas sobre produtos da empresa, levou as sugestões para a fábrica e promoveu melhorias. “Sempre haverá obstáculos, mas é preciso foco e paciência para evitar quedas”, afirmou.

Entre os desafios vividos na Tramontina, Clovis mencionou o caso do licenciamento de marcas. A empresa lançou uma tesoura infantil do Bob Esponja, que foi um sucesso. No entanto, uma decisão baseada em experiências acadêmicas na França levou ao aumento do preço de venda, impactando negativamente na comercialização. O empresário também contou que sempre quis ser o número um e mesmo com as dificuldades nunca deixou de viver. “Depois de São Paulo, quis me tornar presidente da empresa, e para isso me preparei muito. Aprendi, errei e acertei ao longo do caminho”, concluiu.

Frequentes secas e problemas para irrigação são principais problemas para a economia gaúcha

Ex-secretário da Fazenda do Rio Grande do Sul palestra na Abertura da Colheita do Arroz e fala sobre os efeitos deste gargalo do agro nos demais setores produtivos

O Cenário Econômico e Desafios da Economia Gaúcha foi tema de palestra para o público no auditório Frederico Costa quarta-feira, 19, na 35ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas. O economista Aod Cunha, ex-secretário da Fazenda do Rio Grande do Sul, foi o painelista deste tema, mediado pelo economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz.

No início, o especialista explicou que faria uma explanação do cenário macro com repercussões e impactos mais relevantes aos produtores rurais, depois chegando mais especificamente para a economia gaúcha. Segundo Cunha, o Brasil não vem acompanhando nos últimos anos o crescimento de outros países, mostrando em números os fatores que levaram a este cenário. Sobre o atual tema relacionado às tarifas de importação, que voltaram à pauta global após Donald Trump assumir novamente a presidência dos Estados Unidos, Cunha espera que haja uma elevação. “O fato é que o mundo vinha em uma trajetória de reduções de tarifas e não de aumento”, salientou.

Para Cunha, no cenário global, a tendência é ter um custo de capital mais alto do que foi nos últimos anos. “E, como adicional, isso tudo indica que a gente deve ter um mundo menos globalizado para muitas cadeias, no sentido de as cadeias estarem voltando talvez para tarifas maiores visando a proteção da indústria nacional. E isso também joga, de certa forma, com alguma pressão de custos, de preço adicional, que impacta também a inflação e juros”, observou.

O economista revelou que há muito espaço para os Estados Unidos aumentar tarifas de importação para produtos brasileiros se eles realmente perseguirem o tema de igualdade tarifária. “Esse é um ponto de atenção no Brasil para alguns setores. Que setores têm mais diferença? Quando a gente quebra isso por setores eu vou pegar minério de ferro, carne, etanol, químicos, alimentação processada, preparada, algodão, café. O Etanol é um caso. Temos uma média que põe em tarifa de 18% na importação de Etanol, quando os Estados Unidos colocam 2,5%. Isso é um ponto muito sensível para o Brasil se fosse levado ao pé da letra de equalização tarifária. Praticamente inviabilizaria exportação brasileira”, ponderou.

Para o Brasil, Cunha falou sobre a expectativa de inflação mais alta e taxas mais altas, o que será um desafio para as empresas. “Me desconforta um pouco porque eu acredito, tanto pela análise econômica dos dados quanto pela minha experiência na vida com as empresas, que é impossível manter este nível de atividade econômica por muito tempo com este nível de taxa de juros real que a gente está tendo. Tem uma hora que isso faz um preço”, avaliou.

Chegando à economia gaúcha, o especialista salientou que o tema da seca e a falta de irrigação são preponderantes para o Estado, que vem sendo assolado diretamente nos últimos anos por estes fatores. “De longe é o maior problema econômico do Rio Grande do Sul, não só do agro, mas de todo o Rio Grande do Sul, que é a incapacidade de saber armazenar água e conseguir enfrentar períodos recorrentes de seca que não tiram só a geração de renda da produtividade do setor de grãos, mas tiram renda da indústria, do serviço, do comércio, do Estado todo.

Cunha salientou ainda que este é um grande desafio do Estado “Existe toda a discussão, mas por que não anda mais? O governo podia dar mais dinheiro, é problema da legislação, é um problema de cultura empresarial, o arroz irriga, mas a soja não, especialmente na pequena propriedade. Tem uma série de discussões sobre isso. O fato é que é inadmissível o quanto que o Rio Grande do Sul perde a todo momento de renda com isso”, concluiu.

Pesquisador da Embrapa relata sucesso de projeto de rastreabilidade na cadeia orizícola

Palestra que contou também com a Abiarroz e a empresa Arrozeira Pelotas fez parte da programação do segundo dia da 35ª Abertura da Colheita do Arroz

Rastreabilidade na cadeia do arroz: transparência do campo à mesa foi mais um tema em destaque na programação. Alexandre de Castro, pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Andressa Silva, diretora Executiva da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) e Nathalia Ribeiro Ziemer Xavier, supervisora de Qualidade e Meio Ambiente na empresa Arrozeira Pelotas.

Castro deu início à palestra falando sobre a experiência com o primeiro piloto de rastreabilidade na cadeia do arroz da Embrapa, realizado com a Arrozeira Pelotas e com apoio da Abiarroz. O projeto foi apresentado no ano passado na Arena Digital. “No começo tivemos dificuldades normais para um projeto de pesquisa, mas hoje a empresa já tem o produto no mercado e estendeu para toda a sua linha da marca Brilhante”, salientou. Segundo ele, há cerca de 4 anos a Embrapa começou a implantar o projeto de rastreabilidade na cadeia de cana-de-açúcar e de lá para cá tem evoluído nesse formato de negócio sempre tentando alinhar com os parceiros da melhor forma possível. Hoje, são feitos acordos de cooperação técnica com entidades representativas que indicam empresas para implementar o piloto de rastreabilidade”, contextualizou.

Conforme explicou o pesquisador, a Embrapa utiliza para fazer o registro das informações uma rede de governança privada e permissionada, onde são montadas assinaturas digitais dos lotes de fabricação, que são enviadas para o datacenter da Embrapa em Campinas (SP). Dentro dessa rede podem ser incluídas várias informações, como dados de geolocalização, laudos laboratoriais, identificação dos produtores, entre outros. “A Embrapa não interfere diretamente nessas informações porque não tem atribuições fiscalizatórias e regulatórias. Então, a nossa parte é disponibilizar o sistema e o parceiro estuda junto ao seu público consumidor quais as informações de interesse comerciais”, observou.

Na sequência, Andressa abordou a questão normativa, a importância da rastreabilidade para os mercados interno e externo, além de questões inerentes aos produtores e à agroindústria do arroz. Disse que o tema é muito importante no sentido de construir bases sólidas para um “futuro em que haja transparência e credibilidade, e que abra portas para acesso a mercados e à educação do consumidor”. “A Abiarroz tem o dever institucional de orientar os associados com relação às mudanças tanto no mercado interno quanto externo, que vão alcançar o nosso setor. Nós trabalhamos junto ao Ministério da Agricultura acompanhando as normativas que são publicadas em torno do autocontrole da rastreabilidade prevista na lei 14.515 de 2022, na qual se insere a questão da rastreabilidade”, informou.

Andressa também falou sobre a elaboração de um novo decreto que vai trabalhar na fiscalização dos produtos de origem vegetal, internamente chamado de Rispovi, que traz mais detalhamento para a rastreabilidade. “O autocontrole é uma realidade e a rastreabilidade está prevista nele, e os normativos que estão vindo por parte do Mapa estão reforçando a importância da rastreabilidade”, destacou, colocando que após a publicação desse Rispovi existe a previsão da publicação de outros normativos que regulamentam esse decreto, como a portaria de controles mínimos que as indústrias precisam ter e uma nova norma regulamentadora no setor de grãos para rastreabilidade. Ao final da palestra, a supervisora de Qualidade e Meio Ambiente na empresa Arrozeira Pelotas mostrou como está sendo implementado o case comercial chegando até ao consumidor final. “Todas as embalagens estão com QRCode do Sibraar, Sistema Brasileiro de Agrorrastreabilidade, cuja leitura é feita através do celular, e coloca os dados do lote”, sinalizou.

Ainda na quarta-feira, a auditora fiscal da Receita Estadual, Vanessa Timm, apresentou aos produtores as funcionalidades do aplicativo Nota Fiscal Fácil. Ela iniciou a fala sobre obrigatoriedade de emissão da nota fiscal de forma eletrônica e não mais em papel. “No final do ano passado foi publicado decreto que trouxe alterações na relação dos produtores com o fisco. Assim, faturamento acima de R$ 360 mil está obrigado a emitir a nota de forma eletrônica, mas haverá um período de transição”, detalhou a auditora, complementando que é preciso que o produtor consulte, no site da Receita, a listagem que indica as inscrições que, a partir de julho, já deverão aposentar os talões. Outros produtores, entretanto, terão um tempo maior para utilizar o talão impresso.

Também foi apresentado o App Nota Fiscal Fácil, que funciona como um equivalente para a emissão da nota de forma eletrônica. “A principal vantagem é que o produtor pode emitir as notas na palma da mão e até mesmo de forma offline, pois há uma tolerância para que a conexão com a internet seja feita”, explicou. Outra facilidade é que há um ambiente de teste para que o produtor possa treinar o preenchimento das notas pelo app.

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