Agrishow 2026 encerra com R$ 11,4 bilhões em intenção de negócios
A Agrishow, principal feira de tecnologia para o agronegócio da América Latina, apresentou nesta sexta-feira (1º) o balanço final de sua 31ª edição. O evento registrou R$ 11,4 bilhões em intenção de negócios, 22% a menos em relação ao ano anterior. Os números refletem os setores de máquinas agrícolas, irrigação e armazenagem.
O evento registrou 197 mil visitantes durante os cinco dias, número semelhante ao verificado na última edição, o que reforça que a Agrishow permanece sendo a vitrine do agronegócio brasileiro. No feriado de 1º de maio, último dia da feira, os portões foram abertos mais cedo, às 7h30, para atender a grande demanda de público.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), os números apresentados na Agrishow 2026 são um reflexo do setor, como foi apresentado na última quarta-feira, 29 de abril, quando Pedro Estevão, presidente da Câmara de Máquinas e Implemento Agrícolas da entidade, divulgou uma queda de 19,9% nas vendas de máquinas e equipamentos agrícolas no mercado interno no primeiro trimestre deste ano na comparação com os primeiros três meses de 2025. “Este cenário é decorrente da alta taxa de juros, variação cambial e preço desfavorável das commodities”, diz Estevão.
“A Agrishow demonstra, mais uma vez, a competência e resiliência dos agricultores e fabricantes de máquinas agrícolas do Brasil. Muito embora nós estejamos vivendo, há três anos, um mercado desfavorável, continuamos investindo no que há de melhor para a agricultura tropical no Brasil. E para tanto, acreditamos que este país e o futuro dele vem do agronegócio. E não importa o momento que estamos vivendo, pois sabemos que a agricultura vive de ciclos e este é desfavorável, mas temos convicção que este e os próximos anos serão favoráveis. Estaremos preparados para continuar atendendo à demanda do mercado brasileiro”, afirma João Marchesan, presidente da Agrishow.
Governo de SP entrega Selo Agro SP a produtores

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento realizou, ao longo da Agrishow 2026, a entrega de novos certificados do Selo Agro SP, iniciativa que reconhece a qualidade, a conformidade com normas sanitárias e técnicas e a origem dos produtos agropecuários do estado. Nesta edição da feira, foram concedidos 10 selos a produtores paulistas em quatro categorias: Artesanal, Cafés, Café Campeão e Propriedades Livres de Brucelose e Tuberculose.
Entre os agraciados está o produtor Gustavo Leonel, de Franca, reconhecido por sua atuação no segmento de cafés especiais. Ele segue um legado deixado pelo seu avô, Osório, um dos precursores do processo de cafeicultura orgânica de qualidade e sustentável na centenária Fazenda Bom Jardim. Leonel também integra a Rota do Café, e participa do Pavilhão Rotas de São Paulo, espaço da feira que reúne cerca de 90 produtores artesanais paulistas das rotas do café, da cachaça, do vinho, do queijo, além de outras cadeias produtivas.
Para o produtor, o reconhecimento tem impacto direto na percepção de valor do produto. “Receber o Selo Agro SP do Café é uma conquista muito importante. Ele valida um trabalho de 15 anos com foco em qualidade, sustentabilidade e consistência. É uma forma de comunicar ao consumidor que há um compromisso real com a excelência.”, ressaltou.
Criado em 2025, o Selo Agro SP já certificou 155 estabelecimentos no estado. Segundo Gustavo Valentim, chefe da Divisão de Educação do Agronegócio, o selo funciona como uma chancela oficial de qualidade. “É uma ferramenta do Estado que amplia a visibilidade do produtor que adota boas práticas, agrega valor ao produto e impulsiona os negócios com identidade paulista”, afirmou.
Pavilhão das Rotas de São Paulo exalta diversidade e inovação da agricultura familiar paulista
De produtos tradicionais do Vale do Ribeira ao cultivo emergente de lúpulo no interior, espaço promovido pelo Governo de SP conecta histórias de produtores e amplia oportunidades de mercado

Durante a Agrishow 2026, a força e a diversidade da agricultura familiar paulista ganharam destaque no Pavilhão das Rotas de São Paulo, iniciativa do Governo do Estado de São Paulo, por meio da secretarias de Agricultura e Abastecimento (SAA) e Turismo e Viagens (SETUR), que reuniu cerca de 90 produtores de diferentes regiões e perfis produtivos. As trajetórias de muitos desses produtores participantes refletem o impacto de políticas públicas e a inovação no campo.
Marcelo Fukunaga é agricultor familiar de Sete Barras, no Vale do Paraíba, e representa a quarta geração de uma família dedicada à produção rural. Em propriedade conduzida com apoio da família, ele cultiva banana, palmito pupunha, mandioca e citros. O produtor integra a Cooperativa da Agricultura Familiar de Sete Barras (Coopafasb), que reúne 258 famílias produtoras.
A trajetória do produtor também é marcada pelo acesso a políticas públicas da SAA. A cooperativa foi beneficiada pelo programa Microbacias II – Acesso ao Mercado, que contribuiu para estruturar estratégias de comercialização e ampliar canais de venda. Já por meio do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP), foram viabilizados investimentos para aquisição de veículos refrigerados, fundamentais para o transporte de produtos perecíveis, além de linhas específicas para apoiar a agroecologia e melhorias no pós-colheita.
Outro avanço relevante é a participação da cooperativa na Cadeia Produtiva Local (CPL) das frutas nativas da Mata Atlântica, reconhecida pelo Estado. A iniciativa tem impulsionado cadeias como a da juçara, ampliando o valor agregado dos produtos regionais e gerando novas oportunidades de renda.
Presente no Pavilhão das Rotas de São Paulo desde as primeiras edições da iniciativa na Agrishow, Fukunaga destaca a importância do espaço para dar visibilidade à produção familiar. “É uma oportunidade de mostrar a qualidade dos nossos produtos em uma feira de alcance internacional, além de trocar experiências e acessar novos mercados”, concluiu.

Do experimental ao promissor: o lúpulo paulista ganha espaço
Em Araraquara, a produtora Luciana Andreia Pereira aposta em uma cultura ainda pouco difundida no Brasil: o lúpulo. Desde 2022, ela mantém um plantio experimental em pequena escala, voltado tanto à produção quanto à disseminação do conhecimento sobre a cultura. Além da matéria-prima, desenvolve produtos como chá e água lupulada, ampliando as possibilidades de consumo.
Integrante da Cadeia Produtiva Local (CPL) do lúpulo, iniciativa apoiada pelo Governo do Estado, Luciana tem acesso a ações de capacitação, governança e estruturação da cadeia. Entre os avanços está a implantação de uma unidade de beneficiamento com equipamentos como secadora e peletizadora, etapa fundamental para viabilizar a produção nacional e reduzir gargalos históricos do setor.
Segundo a produtora, há cerca de 100 hectares cultivados no país, ainda com alta dependência de importações. “Hoje o Brasil ainda importa cerca de 99% do lúpulo que consome, mas os plantios nacionais já mostram um potencial muito forte. O lúpulo brasileiro traz características únicas, com aromas mais cítricos e intensos, o que abre caminho para desenvolvermos uma identidade própria”, observou.
