Incêndios rurais em Rio Verde retomam preocupação dos produtores goianos
Wandell Seixas
Os recentes incêndios em área rural do município de Rio Verde, no Sudoeste Goiano, uma das regiões lideres na produção agropecuária do Brasil, retomaram uma antiga preocupação. Os cuidados sobre o desmatamento indiscriminado e o conseqüente uso do fogo para remover do que restou. Os dois recentes incêndios atingiram lavouras de milho e cana. Graças à mobilização de produtores e da ação rápida da brigada aérea Aerotex as chamas foram contidas. Mas, nem sempre é assim. As temperaturas elevadas, umidade relativa do ar abaixo de 30% e os ventos fortes favorecem a propagação de incêndios, segundo o Ibama.
As autoridades reforçam o pedido de vigilância redobrada e evitar qualquer tipo de queima. Bitucas de cigarro e fogo para limpeza de áreas são as principais causas de incêndios nesse período crítico. Além da zona rural, o fogo também tem preocupado moradores urbanos, onde cenas de incêndios em terrenos baldios e áreas próximas as cidade se tornam frequentes. Goiânia, como capital e quase um milhão e meio de habitantes, apresenta um cenário inquietante devido a fogos nos lixos dos lotes urbanos.
No plano maior, as ações que cobram maior amplitude, o Comitê Orientador do Fundo Amazônia anuncia o uso de recursos do Fundo para fortalecimento de ações de prevenção e combate a incêndios também no Cerrado e Pantanal. A iniciativa abrange os estados dos dois biomas (Mato Grosso do Sul, Piauí, Bahia, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal). Os recursos financeiros são da ordem de R$ 150 milhões.
BRIGADISTAS CONTRATADOS
A medida significa o emprego de 4.385 brigadistas florestais federais em 2025: 2.600 do Ibama e 1.785 do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o que representa aumento de 26% em relação a 2024 e o maior contingente da história. No Cerrado, a taxa de desmatamento caiu 22% no acumulado entre agosto de 2024 e maio de 2025, em relação ao ciclo anterior. Somente em maio, a redução foi de 15% na comparação com o mesmo mês de 2024.
O BNDES aprovou quinta-feira a destinação de até R$ 150 milhões em recursos não reembolsáveis do Fundo Amazônia para ações de prevenção e combate a incêndios florestais nos biomas Cerrado e Pantanal.
O projeto vai apoiar os corpos de bombeiros militares e brigadas florestais de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Piauí e Distrito Federal, além da Força Nacional de Segurança Pública. Os investimentos contemplam aquisição de equipamentos, máquinas, veículos e insumos estratégicos para ampliar a capacidade de resposta a incêndios. O objetivo é ampliar a capacidade de resposta diante do agravamento dos incêndios florestais registrado em 2024 e da previsão de novos episódios extremos para 2025.
“O avanço dos incêndios florestais e das queimadas não autorizadas em biomas como o Cerrado e o Pantanal tem exigido uma resposta emergencial e integrada do Estado brasileiro”, afirma Aloizio Mercadante, presidente do BNDES. “Em 2024, o país enfrentou um cenário crítico e atípico de fogo, com impactos sobre a vegetação nativa, sobretudo no Pantanal, na Amazônia e no Cerrado. No Cerrado, foram 9,7 milhões de hectares queimados em 2024; e no Pantanal, 1,9 milhões de hectares. Estamos ampliando as ações de monitoramento e controle de incêndios florestais e queimadas”.
Fundo Amazônia – O projeto também reforça o papel do Fundo Amazônia no apoio ao fortalecimento institucional e à proteção ambiental em escala nacional. O ambiente de cooperação entre União, estados e municípios, construído por meio do Cofa e da Câmara Técnica Permanente de Articulação Interfederativa, vem sendo essencial para a consolidação de uma política integrada e eficiente de prevenção aos incêndios florestais.
O Cofa aprovou, em maio deste ano, a possibilidade de apoio a biomas além da Amazônia Legal, considerando o agravamento dos incêndios florestais em 2024 e os riscos para 2025. A legislação permite que até 20% dos recursos do Fundo Amazônia sejam aplicados em ações de controle e monitoramento ambiental em outros biomas.
Essa não é a primeira vez que o Fundo Amazônia é acionado para fortalecer ações de monitoramento e controle do desmatamento de outros biomas brasileiros. O Cofa já havia considerado, por exemplo, que os projetos de Cadastro Ambiental Rural (CAR) são parte dos sistemas de controle ambiental e incluiu o tema nos focos de atuação fora da Amazônia Legal. Assim, os recursos do Fundo Amazônia puderam ser empregados para apoiar a regularização do CAR de vários estados país.
Desde a sua retomada em 2023, o Fundo Amazônia ampliou o apoio a projetos de combate a incêndios. Já foram aprovados R$ 371 milhões para os Corpos de Bombeiros dos nove estados da Amazônia Legal, além de apoios específicos apoio ao Ibama/Prevfogo, por exemplo.
Com a aprovação do projeto Manejo Integrado do Fogo, o Fundo contribui para construção de uma política nacional integrada de prevenção e controle do fogo, com base na ciência, na cooperação federativa e na proteção dos biomas brasileiros.