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SUSTINERI PISCIS INAUGURA NOVO LAB PARA ACELERAR TECNOLOGIA QUE PERMITIRÁ A COMERCIALIZAÇÃO DA CARNE DE PEIXE VIA CULTIVO CELULAR NO BRASIL


Com novo biorreator 50x maior, Sustineri Piscis avança para plano de 24 meses que levará solução a indústria e a regulamentação da ANVISA
 

a foto, o CEO e fundador da Sustineri Piscis junto do novo time de doutores e pesquisadores da startup já no novo laboratório dentro do Immetro, em Xerém, Rio de Janeiro. Créditos: Divulgação Sustineri Piscis.

São Paulo, agosto de 2025 – A Sustineri Piscis, biotech brasileira pioneira na produção de carne de pescado por cultivo celular, acaba de inaugurar seu novo e ampliado laboratório de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), dando início a uma etapa crucial do projeto, que levará a possibilidade de produção de gramas para quilos. 

A estrutura, localizada no estratégico Centro de Inovação do Inmetro, em Xerém (RJ), é o passo mais concreto da empresa rumo à produção em escala piloto, um movimento financiado pela captação recorde de R$ 9,39 milhões concluída em março na plataforma de equity crowdfunding EqSeed.
 A expansão é comandada por Marcelo Szpilman, biólogo marinho que idealizou e fundou o AquaRio, maior aquário marinho da América do Sul (projeto de mais de R$ 130 milhões), e agora lidera a primeira empresa brasileira a dominar a tecnologia de aquicultura celular. 

“Estamos muito felizes com esse novo laboratório, maior e mais bem equipado, que marca um passo importante na ampliação de nossa infraestrutura para pesquisa e desenvolvimento rumo à produção em escala de uma proteína mais limpa, mais segura e mais sustentável”, celebra Szpilman.

O plano para a nova ‘fábrica’ de células

A inauguração dá início a etapa intermediária do projeto, com um roteiro estratégico de 24 meses. A “Fase 1”, nos primeiros 12 meses, será dedicada à redução drástica dos custos dos insumos, o maior desafio da indústria. A chamada “Fase 2”, nos 12 meses seguintes, foca em estabelecer o processo para escalar a produção e obter os registros regulatórios junto à ANVISA e ao MAPA. 

O coração da nova fase é um biorreator com capacidade 50 vezes superior ao atual. Este salto não é apenas sobre volume, mas sobre complexidade, exigindo a reengenharia do processo para um sistema com controle preciso de parâmetros críticos e a formulação de nutrientes essenciais do meio de cultivo para nutrir as células. O objetivo final é alcançar um “produto mercadologicamente viável” e com aprovação regulatória completa. 

Com a nova estrutura, a biotech planeja atacar os dois maiores desafios da indústria de carne cultivada: custo e escala. A primeira fase do projeto, com duração de 12 meses, será focada em reduzir drasticamente os custos dos insumos, principalmente do meio de cultura onde as células se multiplicam. 

Na sequência, o plano é expandir a produção para uma escala pré-industrial com a instalação de um novo biorreator, que aumentará a capacidade produtiva em até 50 vezes, projetando alcançar um volume de 100 litros até 2026. Esses avanços são cruciais para se obter os registros regulatórios junto à ANVISA e para que a carne de peixe cultivada se torne uma alternativa competitiva e acessível no mercado. 

A ciência por trás do peixe sem pesca

Fundada em 2021, a Sustineri Piscis nasceu para oferecer uma solução à sobrepesca, que, segundo o Fórum Econômico Mundial, já afeta 90% das espécies comerciais. A startup utiliza um método em que células musculares de peixes nobres, como robalo, garoupa e cherne, crescem em um ambiente controlado e nutritivo, gerando carne genuína sem a necessidade de pesca ou abate. 

“Nós desenvolvemos uma carne genuína e fresca de peixe, sem espinhas, parasitas ou contaminantes, e completamente rastreável. Uma inovação que atende às demandas ambientais e de saúde”, explica Szpilman. Neste contexto, a empresa já alcançou um feito inédito no mundo: a imortalização natural das células musculares de robalo, o que garante uma fonte contínua e inesgotável para a produção de carne de robalo sem a necessidade da pesca desses animais. 

Para liderar essa frente, a startup reforçou seu time científico, que hoje tem 4 doutoras e 2 mestres. A equipe é formada por Camila Luna da Silva (Coordenadora de P&D), Marcus Vinicius Telles Teixeira (Coordenador Executivo), Isabel Virgínia Gomes e Silva (Pesquisadora de Meio de Cultivo), Rafaela Nascimento Lopes (Técnica em Bioprocessos), Aline de Almeida Azevedo (Técnica em Cultura e Laboratório) e Mellannie Pujol Stuart Tavares (Gerente de Qualidade).

A corrida global pela proteína do futuro

A inauguração do laboratório insere a Sustineri Piscis de forma mais agressiva na corrida global por um mercado que pode atingir US$124 bilhões até 2050, apenas no segmento de pescado. A competição inclui startups como a alemã Bluu Seafood e as americanas Wildtype e BlueNalu

O cenário regulatório, antes uma barreira, já está mais claro. Nos EUA, as empresas UPSIDE Foods e GOOD Meat receberam em 2023 a aprovação final do FDA e do USDA para comercializar frango cultivado, um marco que abriu as portas do maior mercado consumidor do mundo.

O salmão produzido por cultivo celular pela startup Wildtype acaba de ter a autorização do FDA para consumo nos Estados Unidos. No Brasil, a ANVISA também já publicou normativas que criam um caminho definido para o registro desses novos alimentos. 

A concorrência interna também é de peso. A JBS, gigante global de carnes, anunciou um investimento de US$100 milhões no setor, incluindo a construção de um centro de P&D em Florianópolis (SC) e a aquisição da espanhola BioTech Foods. 

Para garantir seu acesso ao mercado, a Sustineri Piscis já conta com uma sócia e parceira estratégica: a Frescatto, líder na distribuição de pescados no Brasil com faturamento de R$1,8 bilhão, que será responsável pela comercialização do produto quando a escala produtiva for alcançada. 

Com os avanços, a empresa se consolida como uma Rising Star, segundo a agência de inovação StartUs Insights, que a colocou no top 1% das startups mais inovadoras do mundo, sendo a única representante do Brasil na sua categoria. 

Sobre a Sustineri Piscis

“A Sustineri Piscis representa o futuro da alimentação responsável, com foco em preservar os recursos naturais e oferecer ao consumidor uma opção 100% saudável, 100% segura e verdadeiramente sustentável,” conclui Szpilman. 

A Sustineri Piscis é a primeira startup brasileira dedicada à produção de carne de pescado por cultivo celular, fundada em 2021 por Marcelo Szpilman. A empresa foi criada para enfrentar desafios globais como a sobrepesca, a contaminação dos oceanos e a crescente demanda por proteínas sustentáveis.

Usando tecnologia de ponta, a Sustineri cultiva células musculares de peixes nobres, como robalo, garoupa, linguado e cherne, produzindo carne de peixe genuína sem a necessidade de captura, confinamento ou abate de animais.
 Além de ser uma solução saudável e livre de contaminantes, a carne cultivada promete transformar o mercado de proteínas alternativas, contribuindo para a proteção dos ecossistemas marinhos e a segurança alimentar global.
 A startup conta com uma parceria estratégica com a Frescatto, a maior distribuidora de pescados do Brasil, posicionando-se como pioneira no setor na América Latina e uma das principais startups do mundo no mercado de alimentação do futuro.

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