Museu do Criador de Goiânia preserva patrimônio histórico

Wandell Seixas
O Museu do Criador de Goiânia contém um acervo histórico interessante no Parque de Exposições Dr. Pedro Ludovico, na Vila Nova, em Goiânia. A instituição contém centenas de obras que expõem um passado vivido, sobretudo, na roça como o lampião movido a querosene, tratores pioneiros no Brasil, telefones fixos da antiguidade, máquinas de costura rudimentares, entre tantas coisas que demonstram que a tecnologia contemporânea chegou com os avanços. O museu foi inaugurado pela Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA) em 15 de maio de 2026, portanto completados 20 anos na última sexta-feira.
No período da Exposição Agropecuária, de 14 a 24 de maio, é realizada a oficina da rapadura e da cachaça. Quem promove essa operação é o instrutor do Senar – Goiás, Antônio Geraldo de Souza, há quase vinte anos cumprindo esse tipo de tarefa. Ele assegurou ao repórter que “este ano é a última vez que faz rapadurinha e cachaça na Pecuária”, como é chamada de forma carinhosa a tradicional mostra goiana. Perguntado a razão de deixar pra traz tão nobre trabalho, alegou a idade. Antônio tem pouco mais de setenta anos.

Tamara, médica veterinária, coordenadora do Museu do Criador, enaltece a figura de João do Carmelo Xavier, figura que se desdobrou pela criação de um espaço dedicado a resgatar e preservar a memória, os costumes e a história do homem do campo e da agropecuária caipira goiana. Alguns destes objetos datam da década de 1960. A primeira colheitadeira usada no Estado e um carro de boi com mais de um século compõem o cenário dessas relíquias doadas por agropecuaristas e membros da SGPA. Todas elas são identificadas com o nome do doador ou a propriedade de onde vieram.
O museu com suas máquinas, implementos agrícolas, móveis rústicos e outros utensílios fica no final da avenida principal do parque agropecuário.

Capelinha
Cidade interiorana que se prezava – como até hoje sobrevive a tradição – a Igreja era o símbolo máximo de uma sociedade local. Por isso, na sua simplicidade arquitetônica, a capelinha de São Sebastião, santo protetor e padroeiro dos criadores, encontra–se representada no Museu da SGPA. Nela, ocorrem os rituais das missas, novenas, quermesses, batizados, casamentos.

Pátio central
Assim como a praça da igreja, o pátio central funciona como um centro que polariza a atenção de todos os visitantes do Museu. Onde podem ser vistas as oficinas que abasteciam as feiras e os armazéns daquele momento.
Oficina do seleiro
Assim como as oficinas do ferreiro, do mestre–carapina, do latoeiro, a oficina do seleiro desempenhou um significativo papel na história econômica do Brasil.
Oficina do ferreiro
O grande fabricante de ferramentas artesanais de uso utilitário, produzidas em sua pequena forja á base do ferro fundido. A produção era de enxadas, enxadões, foices, ancinhos, ferrões, machados, facas e facões, cutelos, ferradura, martelos, talhadeiras, armadura metálica das selas, agulhas, rebites, trilhos, argolões, etc.
Oficina de produção de sabão
Com estrutura física sem luxo, a oficina de produção de sabão caseiro ou doméstico atendia as famílias locais.
Oficina de produção de rapadura
O espaço ocupado pela oficina de produção de rapadura é constituído por um rancho de duas águas, coberto por telhas coloniais comuns. Destaca neste ambiente de trabalho a mesa/jirau de tabuado. Sobre ela, as formas em formato¬ padrão conectadas entre si, que recebem o melado do açúcar mascavo depurado.
Oficina de cachaça
Unidade de produção da aguardente. O engenho de roda de ferro é da tradicional marca Stamato, nº 4, e movido à tração animal, cuja parelha de bois castrados presa a “almanjarra” moem a cana cortada nas pontas retirada do “piqueiro”. Em seguida, o caldo da cana fermentado é conduzido ao “alambique”. Depois de destilada passa pelo processo da caldeira.
Oficina do serrador
Uma pequena oficina de serrar toras de árvores que são transformadas em tábuas, pranchas ou pranchões.
Monjolo
Um engenho rudimentar que ocupa uma lateral ao lado da Casa da Fazenda, sendo desde os tempos do Brasil Colônia, até aos dias de hoje, um marco de referência cultural, em muitas das propriedades rurais, a exemplo das existentes no Brasil Central.

Casa da farinha
Conhecida como Oficina de Farinha, até os dias de hoje ocupa lugar de destaque entre as unidades de produção, que muito tem contribuído para à alimentação do consumidor brasileiro.
Vendinha do Zé da Chica
Também conhecida como Venda e Bodega, distingue-se do armazém de secos e molhados pelo seu tamanho em termos de superfície ocupada pela prateleira, tulhas e balcão, e pela reduzida quantidade de produtos/mercadorias colocados à venda.
Ambiente do Cerrado
No interior do Museu da SGPA há também um pequeno cenário que representa um ambiente típico do subsistema de vegetação do Cerrado com animais empalhados de várias espécies.