Trigo pode garantir autossuficiência em Goiás

Wandell Seixas
A produção de trigo tem aumentado nos cerrados goianos, o que deixa os especialistas animados com a possível auto-suficiência. Buscando avanços e superar os desafios e o potencial produtivo da cultura no Cerrado de Goiás, a Emater promoveu na terça – feira um encontro técnico sobre a triticultura.
Por outro lado, cresce também o consumo das massas de trigo destinadas ao fabrico de pães, bolachas, macarrão, bolos, biscoitos, cereais e pizza, pois o trigo é a base para a produção da farinha utilizada em muitos destes produtos. O trigo também pode estar presente em cervejas, alguns molhos industrializados, sopas prontas e embutidos. Além disso, alimentos como o cuscuz, a sêmola e o gérmen de trigo são formas de consumir o trigo.
O cultivo irrigado é recomendado pelos especialistas do setor em virtude da situação climática nem sempre favorável. A área plantada supera 110 mil hectares. Mas o potencial é de 1,5 mil de hectares para cultivo irrigado.
Com o tema “Desafios e Expansão da Cultura no Cerrado Goiano”, o encontro proporcionou aos participantes uma imersão no cultivo do trigo na região, com foco nas inovações genéticas, adaptações edafoclimáticas e no potencial produtivo da cultura. A programação incluiu palestras técnicas, troca de experiências e demonstração técnica, em que os participantes puderam acompanhar de perto a colheita de variedades desenvolvidas com tecnologia.
Segundo o diretor de assistência técnica e extensão rural da Emater, Kin Gomide, a cultura do trigo ainda é recente no Cerrado, mas já mostra resultados expressivos. “Esse avanço só é possível graças às parcerias público-privadas que incentivam a pesquisa e estruturam estratégias para que o Brasil alcance a autossuficiência na produção de trigo até 2030”, observou.
O gerente de agronegócio da Goiás Fomento, Guido Juliano Martins de Araújo, elogiou a iniciativa e ressaltou a importância da pesquisa agrícola para o futuro da cadeia produtiva.
“O que faz o Brasil crescer a cada ano na produção de alimentos e fibras é o trabalho de pesquisa desenvolvido nos laboratórios. Com o trigo não será diferente: ele já avança no Cerrado e tem tudo para nos transformar em potência. Aos estudantes, digo: aproveitem esse momento de aprendizado, porque a responsabilidade de fazer o Cerrado crescer é nossa,” afirmou.
Já o assessor de agronegócio do Banco do Brasil em Goiás, Júlio Ferreira Borges, reforçou a relevância do conhecimento para transformar realidades no campo.
“Esse encontro tem um valor inestimável porque traz informações que podem mudar o dia a dia do produtor. Goiás é um estado forte no agronegócio justamente porque incentiva a diversificação de culturas e fomenta novas oportunidades de riqueza no campo”, ressaltou.
O Encontro Técnico do Trigo contou ainda com o apoio da Embrapa, da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG), Conselho Temático da Agroindústria, LiveFarm, do Sindicato dos Moinhos de Trigo da Região Centro-Oeste (Sindtrigo), da Sitári Agronegócios, da Biotrigo Genética e da Emegê.