Rebanho suíno goiano é saudável, garante a AGS
Wandell Seixas
As granjas de criação de suínos em Goiás mantêm seus rebanhos saudáveis, é o que afirma o presidente da Associação Goiana de Suinocultura (AGS), professor Bruno de Souza Mariano. A vacinação na suinocultura é uma prática essencial para garantir a sanidade dos animais frente a diversos patógenos. E a Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) é o órgão responsável por realizar, a cada semestre, a certificação desses estabelecimentos, que hoje são considerados referência na cadeia produtiva em qualidade. Em particular quanto à genética dos animais e às medidas e ações de biossegurança, garantindo sanidade do plantel da propriedade.
Esse procedimento é a confirmação de que os criadores conquistam a máxima eficiência do processo. Essas boas práticas incluem conservação das vacinas, volume de aplicação, entre outros procedimentos, tranqüilizam a MDS Saúde Animal. Esta instituição realizou levantamento, entre janeiro de 2024 e maio de 2025, mostrando que um elevado percentual das propriedades brasileiras não consegue garantir boas práticas de vacinação, o que influencia significativamente na resposta vacinal e predispõe os plantéis a desafios sanitários diversos. Goiás, portanto, encontra-se noutro patamar.
Com essa ferramenta, foram realizadas 406 auditorias de vacinação, e cada monitoria envolveu 19 tópicos, incluindo questões como armazenamento das vacinas, estado de utilização das conservadoras, padrão de organização do processo, adequação do tamanho das agulhas com a idade dos animais a ser imunizado, intervalo entre doses, temperatura e homogeneização das vacinas no momento da administração, conferência do volume de aplicação, sanidade dos animais, frequência de troca de agulhas, técnica de aplicação da vacina, presença de refluxo ou sangramento, descartes de vacinas não utilizadas, uso de EPI e ambiência das instalações.
Em Goiás, existem 19 Granjas de Reprodutores Suínos Certificados, segundo a AGS, que seguem padrões rígidos de biosseguridade e controle sanitário, essenciais para garantir a qualidade genética e a sanidade dos reprodutores suínos. A A comercialização e/ou a distribuição de suínos destinados à reprodução são permitidas somente quando os animais são procedentes de GRSC.
Essa medida faz parte do Plano Integrado de Vigilância de Suínos e busca fortalecer a vigilância contra doenças, proteger a suinocultura e a economia, além de garantir acesso a mercados internacionais. “As granjas certificadas têm um papel fundamental na produção de suínos, fornecendo reprodutores para diversas regiões do Brasil, o que impulsiona a economia estadual e garante a carne suína de alta qualidade para diversos mercados, reforçando sua relevância na economia nacional”, destaca, por sua vez, o presidente da Agrodefesa, José Ricardo Caixeta.
O Sudoeste, onde estão os municípios de Rio Verde, Montividiu e Santo Antônio da Barra, concentra o maior número de GRSC no Estado, porém existem granjas em outras áreas como em São Domingos, no Norte, que se tornou referência em tecnologia de produção e biosseguridade, com um sistema de ventilação fechado e alta segurança sanitária. Entre as 19 granjas certificadas em Goiás, uma delas é de ciclo completo, englobando todas as fases da produção de suínos desde a chegada de leitoas destinadas à reprodução até o fim da terminação.
As GRSC são aquelas que comercializam, distribuem ou mantêm reprodutores suínos para multiplicação animal e que atendem integralmente às disposições básicas e específicas estabelecidas para a certificação. A finalidade dessa medida é zelar pela sanidade dos rebanhos suínos brasileiros, minimizando o risco da disseminação de doenças, baseada na realização de exames semestrais para doenças como Peste Suína Clássica, Doença de Aujeszky, Tuberculose, Brucelose, Leptospirose e Sarna.
Processo de Certificação
A gerente de Sanidade Animal da Agrodefesa, Denise Toledo, explica que a certificação das granjas é realizada semestralmente, em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária “Esse processo inclui a coleta de amostras, fiscalização da estrutura e verificação de documentos essenciais, como análises de água e relatórios de biosseguridade. O controle sanitário exige ainda o cumprimento de práticas rigorosas, como vazio sanitário, período de 72 horas em que o fiscal estadual agropecuário fica sem contato com animais antes de entrar na granja”, orienta. Ela acrescenta que o Responsável Técnico, que é o médico veterinário da granja, acompanhado por fiscais, realiza a coleta de amostra para os exames laboratoriais.
Tipos de Granjas
No Brasil, existem cinco tipos de granjas tecnificadas, que são aquelas que adotam os avanços tecnológicos em genética, nutrição, sanidade, biosseguridade e que fazem o acompanhamento dos índices zootécnicos de sua produção:
Granja de Reprodutores Suínos Certificada: estabelecimento que cumpre integralmente os requisitos estabelecidos para certificação de atendimento a padrões diferenciados de biosseguridade e certificados como livre das doenças especificadas; Unidade Produtora de Leitões: estabelecimento comum em sistemas de integração ou em cooperativas. Envolve as fases de cobertura, gestação, maternidade, creche e central de inseminação de uso exclusivo;
Creche: estabelecimento que recebe os leitões desmamados da UPL para criá-los apenas na fase de creche; Terminação: estabelecimento que recebe suínos da creche com a finalidade de engorda para posterior envio ao abate; Ciclo completo: estabelecimento predominante entre os suinocultores independentes. Esse modelo engloba todas as fases da produção, ou seja, o mesmo estabelecimento contempla desde a chegada de leitoas destinadas à reprodução até o fim da terminação.