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Insegurança alimentar persiste em lares goianos

Wandell Seixas

 A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua PNAD Contínua estimou no quarto trimestre de 2024 um total de 2,8 milhões de domicílios particulares permanentes em Goiás. Dentre esses, 82,1% estavam em situação de segurança alimentar, enquanto 17,9% dos domicílios particulares restantes estavam com algum grau de insegurança alimentar, abrangendo um total de 496 mil domicílios. Em relação aos moradores, também houve decréscimo de incidência de insegurança alimentar, saindo de 1,8 milhão de pessoas para 1,4 milhão, queda de 24,6%.

Na análise entre as unidades federativas do Centro-Oeste, o Estado possui o maior número de moradores em insegurança alimentar. Contudo, proporcionalmente, Goiás possui o menor percentual (18,9%), ficando bem abaixo da média nacional (25,8%).

A proporção de domicílios em insegurança alimentar leve foi de 12,7%. Já 2,8% dos domicílios particulares estavam em situação moderada e 2,4% em situação grave. Em nível nacional, os percentuais foram 16,4%, 4,5% e 3,2%, respectivamente.

Considerando o nível de insegurança alimentar grave como a forma mais severa de baixo acesso domiciliar aos alimentos, é possível afirmar, com base nos resultados da PNAD Contínua 2024, que aproximadamente 65 mil domicílios goianos passaram por privação quantitativa de alimentos.

Esse quadro atingiu não apenas os membros adultos da família, mas também suas crianças e adolescentes. Houve, portanto, ruptura nos padrões de alimentação nesses domicílios.  E a fome esteve presente entre eles, pelo menos, em alguns momentos do período de referência de três meses.

Na análise da distribuição percentual dos moradores em domicílios que possuíam situação de insegurança alimentar por Estado, Goiás possuía a quinta menor proporção (18,9%), bem abaixo da média Brasil de 25,8%, ficando atrás apenas dos estados das regiões Sul, e do Espírito Santo. Em 2023, esse percentual era de 25,3%, o que posicionava o Estado na 10ª colocação no ranking nacional.

A insegurança alimentar acontece quando as pessoas não têm acesso regular e permanente a alimentos em quantidade e qualidade suficiente para sua sobrevivência, como define a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Isso quer dizer que a pessoa em estado de insegurança alimentar passa por incertezas de quando, como e quanto irá comer em sua próxima refeição, colocando em risco sua nutrição, saúde e bem-estar. 

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