Acordo Mercosul–UE abre portas para carne de frango, de etanol e minérios para Goiás, diz embaixadora na ACIEG
Wandell Seixas
A embaixadora da União Européia no Brasil, Marian Schuegraf, vê com otimismo as possibilidades comerciais de Goiás no Acordo Mercosul – União Europeia. O tema foi discutido, ontem, na reunião do Fórum das Entidades Empresariais de Goiás (FEE-GO), realizada na sede da Acieg. A diplomata, que é advogada de formação, entende que o acordo oferece condições de ampla abertura comercial nas áreas de exportação.
Mas, não pára por aí, além do mercado, abre perspectivas de “melhora do produto e do salário mais alto”. A agropecuária goiana tem novas oportunidades por dispor de um centro agrícola. São três safras anuais, irrigação das lavouras. Enumerou as carnes de frango e do etanol da cana de açúcar como importantes. Vê, ainda, na área de investimentos em minérios oportunidade de negócios.
Marian fez uma revelação surpreendente. Delegações da Unidade Européia visitam periodicamente fazendas produtivas goianas. Considera, no entanto, que “nossos produtos devem estar melhor protegidos”, ou seja, livres naturalmente de contaminações tóxicas.
A reunião foi aberta pelo presidente da Fieg, André Rocha, com a pauta do suprimento de energia no Vale do Araguaia, discutida com representantes do setor elétrico e da área energética do governo estadual. Na sequência, Rocha conduziu o debate central do encontro, voltado ao andamento do Acordo Mercosul–União Europeia.
Ao tratar do acordo, Rocha defendeu maior protagonismo de Goiás nas negociações envolvendo cotas de exportação e acordos tecnológicos com países europeus. “Temos uma das maiores jazidas de terras raras do mundo e precisamos da tecnologia européia para transformar esse potencial em desenvolvimento. É possível construir novas parcerias estratégicas”, afirmou.
Segundo Schuegraf, o acordo, já aprovado pelo Conselho Europeu, aguarda ratificação dos parlamentos nacionais e pode entrar em vigor em 2026, ampliando o acesso de produtos industriais e agropecuários ao mercado europeu. Marian Schuegraf falou sobre as possibilidades de cooperação técnica e ressaltou a importância de pesquisas científicas sobre mudanças climáticas.
“É muito importante se chegar cada vez mais longe em uma agenda de discussão política sobre o meio ambiente, impactos na vida no planeta e o papel das universidades é essencial em buscar soluções sustentáveis”, realçou. E acrescentou: -“ Engajamo-nos com o Brasil em uma vasta gama de assuntos, que incluem mudança climática, economia verde, inovação, paz, democracia, direito internacional, justiça social, equidade econômica, cibersegurança e inteligência artificial”.
O presidente da Fieg chamou atenção para o prazo técnico que definirá a divisão das cotas de exportação do Mercosul, com manifestações previstas até 27 de fevereiro. “As cotas são limitadas e exigem articulação política para garantir espaço aos estados produtores”, disse.