Bem-estar animal ganha força no campo em Goiás

Wandell Seixas
A doma racional dos equinos e dos muares, com base no manejo e respeito ao comportamento do animal, está tomando nova dimensão em Goiás. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), vinculado à Faeg, ministra cursos nos quais o chicote e a espora tornam-se figuras do passado. O cavaleiro utilizava desses instrumentos no manejo dos cavalos. A espora é um acessório de montaria fixado na bota do cavaleiro para tornar mais rápido os passos do animal.
A proposta do Senar-Go “é trabalhar de forma técnica, mas priorizando o bem – estar, reduzindo o estresse e evitando práticas agressivas”, expõe a Cláudia Meire Castro, coordenadora de formação profissional rural do Senar Goiás. Para a instituição o “foco é construir uma relação de confiança entre o participante e o animal, de forma que isso garanta mais segurança, melhor desempenho e menos riscos de acidentes”.

O Senar nesses treinamentos enfatiza muito essa condição consciente, mostrando que “é possível que é possível alcançar resultados com responsabilidade, cuidado e técnica adequada, pensando tanto na qualidade do trabalho quanto no bem-estar do animal e do próprio participante”.
Segundo a Federação Equestre Internacional, as principais características do domar de equídeos, seguidas pelos instrutores do Senar – Goiás: gostar de animais; ser paciente; persistente; assíduo; responsável; atencioso; falar firme, sem gritos; ter disposição; ser observador; disciplinado; organizado; conhecer o comportamento animal; particularidades das raças; e manter-se atualizado. A FEI garante o bem-estar animal, assegurando que os cavalos sejam tratados com o máximo respeito durante as competições.
DOMA DE ANIMAIS
O Senar de Minas Gerais dispõe de uma cartilha sobre a doma de animais. O portal ABRINDO A PORTEIRA faz um resumo para que os leitores tenham uma visão geral. Conforme a publicação, no Brasil, ainda há pouco conhecimento sobre a dimensão econômica e social da equideocultura, no entanto, percebe-se que ela vem crescendo e se expandindo.
– O cenário atual apresenta-se oportuno para que criadores e suas associações se organizem e intensifiquem trabalhos em conjunto na busca de soluções para os obstáculos que impedem o crescimento do setor, entre eles, a insuficiência de mão de obra qualificada para algumas atividades eqüestres, já que os equídeos são utilizados na produção agropecuária, como meio de transporte de pessoas e de cargas, como gerador de tração e para esporte e lazer.
– Esta cartilha refere-se aos procedimentos para a doma racional que, quando colocados em prática, facilitam a convivência entre o homem e o animal, nas atividades eqüestres rotineiras, aumentam a segurança do trabalhador e garante o bem-estar animal. Ainda que aborde a doma racional realizada em equinos, de modo geral, os mesmos procedimentos podem ser adotados para os equídeos.
– A doma racional também é conhecida como doma doce, gentil ou natural e está em conformidade com a lei 9.605/98, de 12 de fevereiro de 1998, que trata, entre outros assuntos, de maus tratos aos animais. É uma técnica de adestramento dos equídeos, que teve sua origem na Europa e tem como base condicionar os animais sem qualquer violência. Ela é baseada na etologia (estudo do comportamento animal) e trabalha a perseverança, a paciência, a repetição, o ritmo progressivo e contínuo, fazendo com que o animal foi que mais calmo, confiável, corajoso e ligado ao homem, pois prega o respeito ao eqüídeo e valoriza seu aprendizado por meio de recompensas a cada obstáculo superado. Para se obter um bom resultado na doma racional, deve-se levar em consideração fatores essenciais tais como genética, alimentação balanceada e de boa qualidade, controle sanitário e reprodutivo, além de profissionais capacitados.
Diferença das domas
Na doma racional o domador busca conquistar o eqüídeo com carinho e atenção, respeitando os limites do animal e diminuindo seu estresse. Nesta técnica, o eqüídeo é levado ao redondel e o domador começa fazendo a aproximação com o animal para que se acostume com sua presença e com a nova rotina. Aos poucos, vai se iniciando uma relação de respeito, tranqüila e amigável, onde o potro ou a potranca poderá aprender com rapidez e segurança. Na doma tradicional é usada a violência, em que os resultados desejados são conseguidos de forma bruta e agressiva para com o animal. Não existe técnica fundamentada ou respeito algum com o eqüídeo. Esse tipo de doma leva o animal à exaustão, fazendo com que ele deixe de resistir e se submeta ao domínio do homem pela força. 9
Conheça as vantagens da doma racional
1. A doma racional reduz os riscos de acidentes com o eqüídeo e com o domador, pois se forma um elo de confiança entre eles. Outras vantagens são: • Os animais tornam-se mais confiáveis; • Criam-se laços de amizade entre o eqüídeo e o domador; • É mais rápida e eficiente no treinamento do animal; • Os animais tornam-se mais corajosos e destemidos; • Os animais apresentam maior flexionamento; • Os animais ficam menos traumatizados; e • Os riscos de danos à boca do animal diminuem.
2. Conheça a lei do Bem-Estar Animal. A lei do BEA é fundamentada pela interdisciplinaridade (integração das disciplinas) da zootecnia e da medicina veterinária com outras ciências. Avalia parâmetros fisiológicos e indicadores comportamentais nos animais frente aos estímulos ambientais. O bem-estar animal, quando aplicado aos equídeos nas propriedades rurais, toma como base os cuidados de higiene e segurança, adotando-se medidas preventivas como calendário de vacinação, vermifugação e de higienização do animal e do local de seu manejo.
3. Busca-se evitar, em todas as instalações, a presença de objetos pontudos, arames ou farpas (pontas finas de madeira), além de evitar o acúmulo de lixo que possa ferir o animal. O BEA visa respeitar, acima de tudo, o convívio em liberdade na maior parte do tempo, principalmente com a presença de outros animais, evitando assim o seu isolamento. Conhecer e identificar fatores que comprometam o bem-estar animal é de grande importância para se tentar diminuir problemas de saúde e comportamentais, tais como: Estereotipias – São comportamentos repetitivos que não variam muito e não têm uma função, entre os quais: • Morder a baia, madeira ou cocho; • Oscilação – “Dança ou balanço do urso”; Equideocultura: doma racional • Aerofagia (hábito de engolir ar pela boca); e • Coprofagia (hábito de comer fezes), entre outros. Estresse exagerado – Animal sempre nervoso e arredio. Para manter e preservar o bem-estar animal deve-se obedecer à hierarquia das necessidades do eqüídeo que são manter a vida, a saúde e o conforto.