Fundepec promove encontro: Brucelose e tuberculose bovina ainda preocupam

Wandell Seixas
A brucelose e a tuberculose bovina, entre outras zoonoses animais por decorrência, receberam inteira atenção durante encontro promovido hoje pelo Fundepec, Agrodefesa, entre outras entidades. A vacinação contra a brucelose já atingiu mais de 80% do rebanho goiano. Mas, o presidente do Fundepec, Alfredo Luiz Alfredo Correia, recomenda a vacinação periódica. Antônio Flavio Camilo de Lima, diretor técnico da entidade, proferiu palestra demonstrando a preocupação do setor para a necessidade da sanidade animal. Chegou a propor campanha educativa para que os índices fiquem praticamente zerados.
A brucelose é uma doença infectocontagiosa de caráter crônico causada por bactérias do gênero Brucella, que acomete diversas espécies de animais e o homem. Sendo uma zoonose de distribuição mundial, acarreta problemas sanitários e prejuízos econômicos importantes. A brucelose bovina e bubalina é causada pela Brucella abortus. Conforme os estudos discutidos ontem com produtores, técnicos, entre outras figuras do segmento pecuário, os riscos de contágio existem. Os cuidados maiores recaem para os vaqueiros, que “devem usar luvas”, na visão de Antonio Flávio, porque eles têm contato direto com os animais contaminados.
A cobertura contra a brucelose atingiu 79,89% dos animais em idade vacinal no Estado, o melhor resultado dos últimos cinco anos. O presidente da Agrodefesa, José Ricardo Caixeta Ramos, destacou que o avanço é resultado do esforço contínuo da Agrodefesa em parceria com os pecuaristas. “Esse resultado reflete o monitoramento permanente realizado pela Agrodefesa e o comprometimento dos produtores com a sanidade animal. Nosso objetivo é ampliar cada vez mais a cobertura vacinal e fortalecer as ações de prevenção e controle da brucelose em todo o Estado, garantindo a produtividade do setor pecuarista goiano”, observou, agradecendo o apoio das prefeituras, Faeg/Senar, UFG, Sebrae, Seapa, Mapa, entre outros organismos envolvidos.
José Eduardo França, superintendente federal do Ministério da Agricultura em Goiás, também bateu na tecla da importância da vacinação. Edson Novaes, da Faeg/Senar, a imunização do rebanho resulta em vantagem financeira. “O mercado consumidor ao acreditar na qualidade tanto do leite quanto da carne favorece o produtor e demais segmentos da rede”, afirmou.
Para o diretor de Defesa Agropecuária, Rafael Vieira, a vacinação é fundamental para controlar essa zoonose grave, proteger a saúde humana, evitar prejuízos econômicos com abortos e infertilidade, e garantir a movimentação legal dos animais. “A vacinação contra a brucelose é obrigatória para todas as fêmeas bovinas e bubalinas entre 3 e 8 meses de idade, utilizando a vacina B19. A vacina RB51 pode ser utilizada como alternativa somente em bovinos, a critério do produtor”, afirma.
Segundo o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose sob a coordenação do Ministério da Agricultura e Pecuária a principal fonte de infecção é representada pela vaca prenhe, que elimina grandes quantidades do agente no parto ou aborto e em todo o período puerperal (até 30 dias após o parto), contaminando as pastagens, a água, os alimentos e os fômites ou agentes contagiosos. Essas bactérias podem permanecer viáveis no meio ambiente por longos períodos, dependendo das condições de umidade, temperatura e sombreamento, ampliando de forma significativa a chance de o agente entrar em contato e infectar um novo indivíduo suscetível.
A porta de entrada mais importante é o trato digestivo, sendo que a infecção se inicia quando um animal suscetível ingere água e alimentos contaminados ou pelo hábito de lamber os bezerros recém-nascidos. Um animal também pode adquirir a doença ao cheirar fetos abortados, pois a bactéria também pode entrar pelas mucosas do nariz e dos olhos. Além disso, as fêmeas prenhes podem infectar suas crias no útero, durante ou logo após o parto.