PeNSE APRESENTA PESQUISA SURPREENDENTE SOBRE COMPORTAMENTO DOS JOVENS
Uma em cada quatro estudantes mulheres de 13 a 17 anos sente que a vida não vale a pena ser vivida
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) investigou, em 2024, uma série de quesitos relacionados à Saúde Mental dos escolares de 13 a 17 anos. Em resposta a um deles, 25,8% das estudantes mulheres goianas declararam que, nos 30 dias anteriores à pesquisa, sentiram que a vida não vale apena ser vivida na maioria das vezes ou sempre. Quanto ao tema Alimentação, 95,9% dos escolares goianos de 13 a 17 anos declararam ter consumido algum alimento ultraprocessado. A divergência entre o estado e o país aumenta quando se analisa o consumo de verduras ou legumes.
O resultado corresponde a, pelo menos, uma em cada quatro alunas. Embora alarmante, a edição anterior da PeNSE, realizada em 2019, trazia um percentual ainda maior (32,9%). Para os homens, a proporção que respondeu de modo afirmativo à pergunta foi consideravelmente menor (11,8%). Assim, a taxa total de estudantes que se enquadram no quesito ficou em 18,8%, similar à média nacional (18,5%).
Na análise das demais condições ligadas à Saúde Mental, percebe-se que o índice masculino superou o feminino apenas no que se refere à ausência de amigos próximos – 5,3% dos homens declararam não ter amigos próximos, contra 3,2% das mulheres em Goiás.
Em dois quesitos, o percentual de mulheres que responderam positivamente foi quase o dobro do percentual de homens – 41,5% delas disseram que, nos 30 dias anteriores à pesquisa, se sentiram tristes na maioria das vezes ou sempre, contra apenas 20,1% deles; e 59,0% delas se sentiram irritadas, nervosas ou mal-humoradas, contra 31,3% deles.
Com isso, a autoavaliação em saúde mental foi negativa para 24,0% das estudantes mulheres, resultado quase três vezes maior que o assinalado para os homens (8,3%).
Ressalta-se que, em relação à autoavaliação em saúde mental, ela foi considerada negativa nas ocasiões em que o escolar respondeu “na maioria das vezes ou sempre” em, pelo menos, quatro das cinco perguntas a seguir:
1. Nos últimos 30 dias, com que frequência você se sentiu muito preocupado com as coisas comuns do seu dia a dia como atividades da escola, competições esportivas, tarefas de casa etc.?
2. Nos últimos 30 dias, com que frequência você se sentiu triste?
3. Nos últimos 30 dias, com que frequência você sentiu que ninguém se preocupa com você?
4. Nos últimos 30 dias, com que frequência você se sentiu irritado(a), nervoso(a) ou mal humorado(a) por qualquer coisa?
5. Nos últimos 30 dias, com que frequência você sentiu que a vida não vale a pena ser vivida?
Percentual de estudantes mulheres insatisfeitas com o próprio corpo é quase duas vezes maior que o de estudantes homens
A pesquisa também averiguou a Imagem Corporal dos escolares de 13 a 17 anos. Nesse sentido, observa-se que o percentual de estudantes mulheres insatisfeitas ou muito insatisfeitas com o próprio corpo (35,3%) é quase duas vezes maior que o de estudantes homens (18,1%) em Goiás. Apesar disso, enquanto o percentual masculino cresceu 6,0 pontos percentuais (p.p.) de 2019 a 2024, o feminino se manteve praticamente estável (0,3 p.p.).
Quanto à autopercepção da imagem corporal, o levantamento de 2024 sinalizou aumento da taxa de estudantes que se consideram magros ou muito magros (35,2%) e de redução daqueles que se consideram gordos ou muito gordos (16,9%). Em 2019, os percentuais haviam sido de 29,8% e de 21,7%, respectivamente.
Cresce o percentual de estudantes que sofrem bullying motivado pela aparência do corpo
Um dos tópicos pelo qual a PeNSE investigou a prática de bullying questionava se, nos 30 dias anteriores à pesquisa, o escolar havia se sentido humilhado por provocações de colegas. Em Goiás, a resposta foi positiva para 41,8% dos estudantes de 13 a 17 anos.
Dentre eles, 23,1% citaram a aparência do corpo como motivo do bullying, um acréscimo de 5,3 p.p. em relação a 2019 (17,8%). Também houve aumento das provocações por cor ou raça (5,6 p.p.), por religião (4,9 p.p.) e por identidade de gênero ou orientação sexual (4,1 p.p.).
Os escolares foram questionados, ainda, sobre a ocorrência de agressão física por algum dos colegas e sobre ameaças, ofensas ou humilhações nas redes sociais ou aplicativo de celular, nos 30 dias anteriores à pesquisa. Quanto ao primeiro caso, 15,4% dos estudantes goianos declararam ter sido fisicamente agredidos por colegas. Quanto ao segundo, 13,7% se identificaram como vítimas do bullying nas redes sociais ou aplicativo de celular.
Consumo de ultraprocessados é comum para mais de 95% dos estudantes
. O resultado é bastante similar ao de 2019 (96,1%). No Brasil, houve um declínio ligeiramente maior (0,4 p.p.) entre as edições de 2019 e 2024, mas o percentual mais recente (96,9%) se manteve acima do registrado em Goiás.
Na análise por dependência administrativa, a PeNSE identificou que o consumo de ultraprocessados em escolas públicas goianas (95,6%) foi inferior ao consumo em escolas privadas (97,7%), acompanhando o cenário nacional.
Entre as bebidas ultraprocessadas mais consumidas, destaca-se o refrigerante (45,8%). Embora comum na dieta de quase metade dos estudantes, seu consumo apresentou redução de 2,7 p.p. em Goiás, na comparação com 2019 (48,5%). No Brasil, a tendência nesse mesmo período foi de aumento (1,9 p.p.), mas a média nacional (42,8%) se manteve abaixo da taxa goiana.
Já em relação aos alimentos ultraprocessados salgados, os mais citados pelos escolares goianos foram pão de forma, pão de cachorro-quente ou pão de hambúrguer (34,7%) e produtos cárneos (33,7%), que englobam salsicha, linguiça, mortadela e presunto. Enquanto o consumo do primeiro sinalizou crescimento (1,1 p.p.) frente a 2019 (33,6%), o segundo registrou queda (-2,3 p.p.).
Consumo de frutas não é citado por quase metade dos estudantes
A PeNSE também investigou o consumo de alimentos marcadores de alimentação saudável. Nesse sentido, foi observado que, em Goiás, quase metade (46,9%) dos escolares de 13 a 17 anos não consumiram frutas no dia anterior à pesquisa. No Brasil, a proporção foi ainda maior (51,4%).
A divergência entre o estado e o país aumenta quando se analisa o consumo de verduras ou legumes. Em Goiás, elas foram parte da dieta do dia anterior de 60,9% dos estudantes, resultado bastante superior à média nacional (50,9%). Também há diferença significativa entre o consumo delas por dependência administrativa. Nas escolas públicas goianas, o percentual de alunos que consumiram verduras ou legumes foi de 59,8%, consideravelmente abaixo do registrado para escolas privadas (67,4%).
Ressalta-se que não há comparabilidade de dados entre as edições de 2019 e 2024 da PeNSE para os itens referentes às frutas e às verduras ou legumes. Em 2019, o questionário investigava o consumo feito nos sete dias anteriores à pesquisa. Em 2024, porém, foi abordado o consumo apenas no dia anterior.
Três em cada quatro estudantes realizam outras atividades durante as refeições
Em Goiás, 77,2% dos estudantes de 13 a 17 anos – o equivalente a mais de três em cada quatro deles – declararam fazer suas refeições concomitantemente a outras atividades. No Brasil, o percentual foi similar (76,8%) e, assim como no estado, sinalizou aumento em relação à edição anterior da pesquisa (2019), quando era de 72,0% no país e 75,0% em Goiás.
Tempo de tela é superior a duas horas por dia para mais de um terço dos estudantes
Um dos quesitos investigados pela PeNSE em 2024, pela primeira vez, foi o tempo de tela sedentário. O termo se refere ao tempo de permanência assistindo a filmes, séries, novelas e a outros programas em plataformas digitais de vídeo ou na televisão.
Em Goiás, mais de um terço (37,1%) dos escolares de 13 a 17 anos manifestaram tempo de tela sedentário superior a duas horas por dia, excluindo-se sábados, domingos e feriados. O Brasil apresentou percentual ligeiramente inferior (36,7%).
Na análise por sexo, a proporção de estudantes homens goianos (38,9%) com tempo de tela sedentário foi maior que a de estudantes mulheres (35,2%). Já em relação à dependência administrativa, houve pouca divergência entre as escolas públicas (37,0%) e privadas (37,4%) em Goiás.
Percentual de estudantes que sofrem agressão física por policiais quase dobra em 5 anos
O tema Segurança abordou, entre outros quesitos, as agressões físicas e sexuais sofridas pelos escolares de 13 a 17 anos. Entre os agressores investigados, foi identificado notável aumento de agressões físicas aos estudantes goianos por policiais. Em 2019, 6,9% dos alunos declaravam ter sido agredidos fisicamente por policiais alguma vez nos 12 meses anteriores à pesquisa. Em 2024, o percentual foi quase duas (1,8) vezes maior, atingindo 12,5%. No Brasil, houve pouca divergência entre os resultados de 2019 (7,0%) e 2024 (7,1%).
Também houve alta expressiva para a proporção de escolares que relataram agressão física provocada pelo namorado (a), ex-namorado(a), ficante ou crush em Goiás, com acréscimo de 5,0 p.p. entre 2019 (9,0%) e 2024 (14,1%). No Brasil, por outro lado, a taxa caiu de 12,3% para 10,8%.
Uma em cada quatro estudantes mulheres é vítima de agressão sexual
Quanto às agressões sexuais, 17,9% dos escolares goianos de 13 a 17 anos relataram que, alguma vez na vida, alguém já o(a) tocou, manipulou, beijou ou expôs partes do corpo contra a sua vontade.
Entre as estudantes mulheres, o percentual foi significativamente maior (26,5%) que entre os homens (9,4%), atingindo ao menos uma em cada quatro delas. Em relação a 2019 (19,5%), foi notável o aumento das agressões sexuais declaradas pelas alunas (7,0 p.p.).
Também foi questionado aos alunos se alguém já os ameaçou, intimidou ou obrigou a ter relações sexuais ou qualquer outro ato sexual contra a vontade. Em Goiás, a resposta foi positiva para 7,8% deles. Na análise por sexo, mais uma vez, o resultado das mulheres (11,5%) foi bastante superior ao dos homens (4,2%).
Em relação à identificação dos agressores, o mais citado pelos estudantes goianos em ambos os quesitos foi outro familiar diferente de pai, mãe, padrasto ou madrasta. Segundo o levantamento, outro familiar foi o responsável por 27,3% dos casos em que alguém tocou, manipulou, beijou ou expôs partes do corpo contra a vontade das vítimas; e por 34,5% dos casos em que alguém ameaçou, intimidou ou obrigou os escolares a terem relações sexuais ou qualquer outro ato sexual contra a vontade deles.
Quase 70% das vítimas de agressão sexual têm menos de 13 anos de idade
Um dos resultados que merece destaque diz respeito à idade que o estudante que foi ameaçado, intimidado ou obrigado a ter relações sexuais ou qualquer outro ato sexual tinha quando isso aconteceu. A PeNSE identificou que, em Goiás, 68,6% dessas vítimas eram menores de 13 anos. O percentual já é expressivo por si só, mas chama a atenção também o aumento de 8,7 p.p. observado na comparação com 2019 (60,0%).
No Brasil, a proporção assinalada por estudantes agredidos sexualmente nessa faixa etária é ligeiramente menor (66,2%), mas seu crescimento frente a 2019 (53,2%) foi ainda mais relevante.
Consumo de álcool entre os estudantes cai, mas cresce o de cigarro eletrônico
Considerando-se as drogas cujo consumo foi investigado pela PeNSE, a bebida alcoólica se mantém como a mais comum entre os estudantes. Em Goiás, mais da metade (51,5%) dos escolares de 13 a 17 anos já a experimentaram alguma vez na vida. Apesar disso, seu consumo apresentou queda considerável quando comparado a 2019 (64,7%). Em termos nacionais, a redução também foi significativa (-9,7 p.p.).
Em contrapartida, 39,2% dos alunos goianos declararam já ter experimentado cigarro eletrônico, vaper, pod ou e-cigarette, percentual acima do registrado para o Brasil (29,6%) e bastante superior ao de 2019 (22,8%). Entre as mulheres, o consumo cresceu ainda mais (23,0 p.p.), atingindo 41,6% e ultrapassando o consumo entre os homens (36,9%) do Estado.