Tendência

CropLife Brasil promove encontro regional sobre sorgo em Imperatriz, MA



 Expansão de 30% de área cultiva marca a cultura na safra 2025/26; Conexão reúne elos da cadeira para discutir usos e perspectivas ao grão 


A CropLife Brasil promoveu, nesta sexta (14), em Imperatriz (MA), o “Conexão Sorgo Brasil”, encontro regional para falar sobre o grão em ascensão no país. O evento reuniu especialistas da pesquisa, da indústria, representante públicos e do setor produtivo para discutir os usos do sorgo, seu potencial para a produção de etanol e o aproveitamento dos coprodutos na alimentação animal no mercado doméstico.

Segundo levantamento da CLB, um crescimento de quase 30% de área cultivada marca a cultura agrícola na safra 2025/26 (~550 mil hectares), favorecido pelo atraso na colheita da soja e a consequente redução da janela de plantio do milho segunda safra.  “O sorgo é um dos cereais mais versáteis e resilientes do agronegócio brasileiro. Produzido principalmente na safrinha, é tolerante à seca e resistente à cigarrinha. Sua importância vai além da porteira, com papel crescente na produção de etanol e na nutrição animal. Justamente por isso viemos discutir esse potencial de mercado com outros parceiros da cadeia. Nossa indústria de sementes e de melhoramento vegetal está atenta a essas oportunidades e comprometida com o desenvolvimento de tecnologias mais resilientes e produtivas para contribuir com essa cultura tão importante na segurança alimentar e transição energética”, explicou a diretora de Biotecnologia e Germoplasma da CLB, Catharina Pires. 

Palestras

 A programação contou com palestras do chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Milho e Sorgo, Frederico Botelho; do diretor de Relações Governamentais e Sustentabilidade da União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), Thiago Skaf; do Seeds Field Agronomist da Corteva Agroscience, Elóis Rodrigues de Carvalho; com mediações da diretora e da especialista em Assuntos Regulatórios de Germoplasma da CLB, Catharina Pires e Caroline Barbosa, respectivamente. O evento também contou com a presença do deputado Federal, Hildo Rocha. Juntos os convidados difundiram conhecimento sobre o grão e suas oportunidades de mercado no planejamento da safra.  “O sorgo é hoje um componente importante na diversificação das matérias-primas utilizadas na produção de etanol. O Brasil já produz cerca de 12 bilhões de litros de etanol pelo milho e, com a expansão da produção e a construção de novas fábricas na fronteira agrícola, especialmente no MATOPIBA, o sorgo começa a ganhar espaço. Na nossa primeira fábrica no Nordeste, na região de Balsas, no Maranhão, por exemplo, ele já representa cerca de 10% da capacidade anual da unidade. Essa diversificação traz vantagens e segurança para toda a cadeia. Assim como o Brasil produz etanol a partir da cana-de-açúcar e, há pouco menos de dez anos, passou a produzi-lo também a partir do milho, o sorgo surge como uma nova fronteira”, ressaltou o diretor da UNEM, Thiago Skaf. 

“O sorgo tem diversas características que o potencializam como uma cultura de sucessão no Brasil, principalmente pela maior tolerância ao estresse hídrico, em janelas restritivas, e outros fatores como sistema radicular [raízes] mais profundo e estruturado. Isso contribui para que ele tenha um desempenho mais longo. Além disso, apresenta uma janela de plantio até 20 dias superior à do milho no fechamento da janela. Essas características favorecem sua expansão, especialmente em regiões mais desafiadoras para o cultivo de safrinha, ampliando seu potencial como alternativa para o produtor”, explicou o representante da Embrapa Milho e Sorgo, Frederico Botelho. 

“A cultura do sorgo é hoje fundamental para o agronegócio brasileiro, tendo em vista o seu espaço na produção de alimentos e na indústria de etanol. Hoje o Maranhão já é o maior produtor de etanol do Norte e Nordeste brasileiro. A planta é muito resistente à seca, que, quando não tem água ou sofre estresse, interrompe o seu crescimento, mas não morre, diferente do milho. (…) Conseguimos relatar um projeto de lei que cria o “Dia Nacional do Sorgo” que faz com que o sorgo tenha a cada ano um momento de divulgação, de desenvolvimento e fortalecimento dessa cultura”, destacou o deputado Federal, Hildo Rocha, relator na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). 

Mercado externo  

Em janeiro de 2026, o Brasil retomou as exportações de sorgo para a China – principal parceiro comercial agropecuário do país – com embarque de 25,83 toneladas em sua primeira leva, após mais de 10 anos de intervalo. O feito teve impulso em 2025, quando o país asiático reconheceu o pré-listing brasileiro, sistema que permite a habilitação de empresas cerealistas interessadas na comercialização. A parceria comercial contou com negociação diplomática, apoiada pela CLB, pela ANEC e pela ABRAMILHO. A expectativa do setor é de ampliação dos volumes ao longo deste e do próximo ano, impulsionada pela entrada da nova safra e pela crescente demanda chinesa pelo cereal.
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