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Do rúmen ao tanque: como a cultura de levedura pode aumentar a eficiência de vacas leiteiras

sIvens Haponiuk, especialista em Nutrição de Ruminantes – Leite da Vaccinar
Nutrição Animal 



Em vacas leiteiras de alta produção, atender às exigências de energia, proteína, fibra, minerais e vitaminas é apenas parte do desafio. Tão importante quanto fornecer nutrientes em quantidade adequada é criar condições para que eles sejam efetivamente aproveitados. E boa parte dessa eficiência começa no rúmen.À medida que aumenta a produção de leite, cresce também a necessidade de dietas com maior densidade energética e, normalmente, maior participação de carboidratos fermentáveis. Esse cenário permite sustentar altas produções, mas também aumenta o desafio de manter um ambiente ruminal estável. Quando a produção de ácidos supera a capacidade de utilização e absorção pelo rúmen, o pH pode diminuir e comprometer principalmente a atividade das bactérias responsáveis pela digestão da fibra. É nesse contexto que as culturas de levedura têm ganhado espaço na nutrição de vacas de leite. 

Mais do que simplesmente levedura

 

Nem todo produto à base de derivados de fermentação é igual. A cultura de levedura é obtida a partir de um processo controlado de fermentação, no qual são formados diferentes metabólitos e compostos capazes de interagir com os microrganismos naturalmente presentes no rúmen. Dessa forma, cepa, meio de fermentação, processo produtivo e perfil metabólico final também fazem parte da tecnologia.

Na prática, o objetivo é favorecer um ambiente ruminal capaz de manter elevada atividade fermentativa sem comprometer a digestão da fibra. Estudo avaliando vacas submetidas a dietas com diferentes concentrações de amido, observa que a suplementação com cultura de levedura reduziu a concentração de lactato em condições de maior desafio fermentativo, aumentou o pH médio do rúmen e reduziu o período em que o pH permaneceu abaixo de 6,0. 

Além da estabilidade ruminal, existe uma relação importante com o metabolismo energético. Entre os ácidos graxos voláteis produzidos durante a fermentação, o propionato tem papel estratégico por ser um dos principais precursores da glicose nos ruminantes.

Após ser absorvido, participa da gliconeo gênese hepática e contribui para o fornecimento de glicose à glândula mamária, onde é utilizada principalmente para a síntese de lactose, componente diretamente relacionado ao volume de leite produzido. Culturas de levedura também podem favorecer populações bacterianas envolvidas na utilização do lactato, como Megasphaera elsdenii e Selenomonas ruminantium.

Assim, seu efeito potencial vai além da manutenção do pH: envolve a forma como os nutrientes são fermentados e quais substratos ficam disponíveis posteriormente para o metabolismo da vaca.

 Do rúmen ao resultado produtivo
 
Quando diferentes estudos são avaliados em conjunto, essa resposta se torna ainda mais interessante. Meta-análise envolvendo 36 estudos e 69 comparações com uma cultura comercial de levedura, observa aumento médio de aproximadamente 1,18 kg de leite/vaca/dia, além de incrementos próximos de 60 g/dia de gordura e 30 g/dia de proteína do leite. Resultados semelhantes foram observados em condições brasileiras.

Avaliação de vacas Holandesas em meio de lactação suplementadas com 7 g/vaca/dia de cultura de levedura, encontrou produção média de 28,04 kg de leite/dia, frente a 26,78 kg/dia no grupo controle, diferença de 1,26 kg/vaca/dia. A produção de gordura passou de 1,04 para 1,11 kg/dia e a de proteína de 0,90 para 0,94 kg/dia.

 Um detalhe importante é que, nesse estudo, os percentuais de gordura e proteína não aumentaram significativamente. O ganho ocorreu na quantidade total de sólidos produzidos por vaca ao dia, aspecto particularmente relevante em sistemas que buscam maior eficiência produtiva. Esses resultados não significam que a cultura de levedura substitua os fundamentos da nutrição.

Qualidade do volumoso, consumo de matéria seca, equilíbrio entre fibra e carboidratos fermentáveis, manejo de cocho e formulação adequada continuam sendo determinantes. A tecnologia deve ser entendida como parte de uma estratégia nutricional bem construída, capaz de favorecer o aproveitamento da dieta e aumentar a oportunidade de transformar nutrientes em leite e sólidos. 

TECNOLEITE HD+: eficiência que começa no rúmen
 
É justamente dentro dessa proposta que o TECNOLEITE HD+, núcleo para vacas em lactação da Vaccinar, incorpora a cultura de levedura entre suas tecnologias nutricionais. A proposta é ir além do atendimento das exigências nutricionais, atuando também sobre um dos pontos centrais para vacas de maior produção: a eficiência do ambiente ruminal e o aproveitamento dos nutrientes fornecidos na dieta. Porque, em sistemas de alta produção, não basta pensar apenas no que chega ao cocho. É preciso considerar o que acontece com esses nutrientes depois que a vaca os consome. Antes de chegar ao tanque, boa parte do resultado começa dentro do rúmen.
 

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