Exportação de carne para o Japão repercute em Goiás
Wandell Seixas
A expectativa de abrir o mercado do Japão para a carne bovina brasileira, numa das missões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua viagem a Tóquio, repercute de forma favorável junto aos pecuaristas brasileiros. Além dos compromissos diplomáticos, Lula participa hoje, 25, do Fórum Empresarial Brasil-Japão, com empresários de ambos os países, e terá uma reunião com o primeiro-ministro Shigeru Ishiba.
O segmento, nem sempre simpático ao governo por sua identificação político-ideológica, reconhece a importância e a necessidade de ampliar a exportação de carne bovina. Um detalhe nesse processo: o presidente Ronald Trump com a imposição de tarifas de 25% às importações contribui para o Brasil ocupar esse mercado de proteína animal.
Goiás nesse contexto vê uma abertura de um mercado importador que pode provocar o consumo de carne nos demais países asiáticos. O Estado ao lado do Mato Grosso são os maiores abatedores de bovinos brasileiros.
Ao longo da viagem, Lula é acompanhado por uma comitiva de 11 ministros, além dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, além do senador Rodrigo Pacheco, o deputado federal Arthur Lira, entre outros parlamentares.
IMPORTÂNCIA DO JAPÃO
Do ponto de vista comercial, em 2024, o Japão foi o terceiro maior parceiro comercial do Brasil na Ásia e terceiro maior destino de exportações brasileiras à região, com intercâmbio comercial de US$ 11 bilhões e superávit de US$ 148 milhões. Segundo o Banco Central (BC), em 2023, o Japão respondia por um total de US$ 35 bilhões em investimentos diretos no país, sendo o nono maior estoque de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) no Brasil e o segundo maior investidor asiático.
De acordo com a diplomacia brasileira, um dos objetivos da viagem ao Japão é conseguir um compromisso político do país para que envie ao Brasil uma missão técnica das autoridades sanitárias japonesas para inspecionar as condições da produção de carne bovina do país. Esse seria um dos passos necessários para o Brasil acessar o mercado de carne bovina japonês, o terceiro maior importador de carne do mundo, um dos mercados mais cobiçados do segmento de proteína animal.
No Vietnã, que se tornou o quinto maior consumidor dos produtos agropecuários brasileiros, o objetivo também é fortalecer a parceria, tanto em nível comercial como diplomático. Um dos objetivos dessa visita é consolidar as etapas necessárias para elevar o Vietnã a parceiro estratégico do Brasil.
Em 2024, Brasil e Vietnã registraram um volume de comércio de US$ 7,7 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 415 milhões. Em 2002, na última visita de Lula ao país, o comércio entre as duas nações era de apenas US$ 500 milhões.
AGENDA DO BIOCOMBUSTÍVEL
A tecnologia brasileira para a produção e uso de biocombustíveis é o foco da missão do setor sucroenergético e de bioenergia nesta semana no Japão, promovida com apoio da ApexBrasil. Lula participará do Fórum Brasil Japão 2025 no dia 26, realizado pelo Itamaraty com o apoio da CNI e a presença de 500 empresários. Evandro Gussi, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia, participará do painel “Descarbonização e Estratégias Energéticas”.
“O etanol brasileiro é o de menor intensidade de carbono do mundo, com menor preço pelo carbono evitado. O etanol de cana-de-açúcar e milho de segunda safra brasileiro reduz entre 75% e 80% as emissões de carbono comparadas com a gasolina”, afirma. A agenda do setor segue no dia 27 com o workshop Brasil-Japão – Biocombustíveis para descarbonizar os transportes, realizado pela Unica em parceria com o Instituto de Economia da Energia do Japão, uma think tank que estuda questões energéticas e prevê tendências futuras.
Na programação estão temas como o uso de combustíveis neutros em carbono no Japão, o potencial do etanol para o transporte marítimo, a mistura de etanol à gasolina para a mobilidade terrestre, assim como sua infraestrutura e distribuição.
A meta do Japão é elevar a mistura de etanol para 10% até 2030, ampliando a demanda diária de etanol até 12,2 milhões de litros, totalizando 4,45 bilhões de litros anuais. Além disso, o país também avança no marco regulatório para o desenvolvimento do Combustível Sustentável de Aviação, que tem no etanol uma das rotas mais promissoras.
O Brasil, por outro lado, irá compartilhar a experiência na produção, logística, infraestrutura e regulação de biocombustíveis, adquirida ao longo de 50 anos de uso do etanol em larga escala na matriz de transportes. Essa expertise foi desenvolvida em um ambiente favorecido por políticas públicas que reconhecem os atributos ambientais e socioeconômicos do biocombustível, como o RenovaBio (2027), o Mover e o Combustível do Futuro (2024).