Goiás pode multiplicar exportações de carnes, grãos e minérios, diz ministro em Goiânia
Wandell Seixas
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, participou no auditório da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg), ontem, 17, da solenidade de abertura da agenda Conexões Produtivas – Oportunidades para o Desenvolvimento da Indústria Brasileira, como parte do Fórum Empresarial. Em sua palestra, abordou o tema “Do Tarifaço às Novas Oportunidades: a Estratégia do Brasil para Expandir Mercados e Fortalecer a Indústria”.
Na oportunidade, disse que o “mercado global pode aumentar até vinte vezes nos próximos dez anos”. E incluiu Goiás no processo exportador, com ênfase para as carnes, os grãos e minérios, sobressaindo as discutidas terras raras.
Sobre as terras raras, minerais necessários para a produção desde itens como motores de carros elétricos e turbinas eólicas até robôs, refrigeradores de data centers e caças de defesa militar, o ministro foi enfático, ao dizer que “não vamos entregar nossas riquezas minerais para o estrangeiro”. O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, concorda com a posição do ministro do MDIC sobre a importância das terras raras, entendendo que “a sua prospecção deva continuar”. Reconheceu, também, o valor da agroindústria para a economia goiana.
Segundo Márcio Rosa a “Apex identificou 295 produtos em Goiás”. Os goianos, lembrou, ocupam no ranking das exportações sétimo lugar no País, sobretudo na área de grãos, como milho e soja.
Na sua visão, o Brasil é uma vitrine para exportação, observando que apresenta produtos e serviços em plataformas digitais ou ambientes online voltados a compradores internacionais e fornecedores de serviços de comércio exterior.
Esse comportamento amplia a visibilidade das empresas brasileiras no exterior, facilitando o acesso de compradores a ofertas qualificadas e fortalecendo oportunidades de negócios no exterior. Bem como facilitar o acesso das empresas das empresas brasileiras ao ecossistema público e privado na exportação.
Promovida pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e pela ApexBrasil, a iniciativa reúne representantes do setor produtivo, entidades empresariais e instituições públicas para debater os desafios e as oportunidades para a indústria brasileira diante das transformações no comércio internacional.
A agenda tem promovido encontros em diferentes estados para debater temas estratégicos para a indústria brasileira. Entre eles, inovação, produtividade e inserção internacional, considerando as vocações econômicas e os desafios de cada região. As discussões envolvem oportunidades de mercado, ambiente de negócios, desafios regulatórios e alternativas para fortalecer a presença da indústria nacional em um cenário de mudanças nas relações comerciais.
Segundo o presidente da ABDI, Olavo Noleto, Conexões Produtivas tem o objetivo de reunir governo, empresas e entidades representativas para construir soluções alinhadas aos desafios da indústria brasileira e às oportunidades de desenvolvimento do país.
“Nenhuma política industrial se constrói apenas dentro do governo. Ela precisa incorporar a experiência de quem investe, produz, gera empregos e enfrenta, diariamente, os desafios da competitividade. É esse o papel do Conexões Produtivas”, afirma.
A sanção da lei que cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), voltado a estimular a instalação e a ampliação de centros de processamento de dados no país, encontrou eco nas discussões do fórum que envolveu entre outras lideranças econômicas goianas, o presidente da Fieg, André Rocha; Joel Santana, secretário da Indústria e Comércio; Marcelo Baiocchi, presidente da Fecomércio; Paulo Afonso Ferreira, João Carlos, do Sebrae.
As trativas
Ao longo dos encontros, também são apresentados instrumentos e iniciativas de apoio ao desenvolvimento industrial, incluindo financiamento produtivo, inovação, transformação digital, sustentabilidade e internacionalização das empresas brasileiras.
Entre as ações de fortalecimento está o programa Brasil Mais Produtivo, coordenado pelo MDIC para apoiar micro, pequenas e médias empresas na transformação digital e na adoção de tecnologias nacionais inovadoras por meio de consultorias e trilhas de aperfeiçoamento profissional.
Coordenado pelo MDIC e executado pelo Sebrae e pelo Senai, com parceria da ABDI, da Finep, da Embrapii e do BNDES, o programa atendeu até o final de agosto, entre operações concluídas e em andamento, 134.943 empresas, das quais 60.205 industriais e 74.566 de comércio e serviços.
“O Brasil Mais Produtivo é um programa extremamente importante e estratégico dentro da Nova Indústria Brasil. Ele tem contribuído para aumentar a produtividade e a competitividade de um elo fundamental no ecossistema industrial, que são as pequenas e médias empresas”, afirma o secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do MDIC, Uallace Moreira Lima.
“Dados do Sebrae e do Senai mostram que as empresas atendidas pelo programa elevaram sua produtividade em 28%, na média, o que é muito bom. Estamos trabalhando para que o Brasil Mais Produtivo se posicione como uma ferramenta poderosa para continuar a levar recuperação e crescimento ao setor produtivo do país”.
A iniciativa busca contribuir para a identificação de gargalos que afetam a execução de projetos e subsidiar discussões relacionadas ao ambiente de negócios e à formulação de políticas voltadas ao desenvolvimento industrial.
“Começamos pelo segmento de fertilizantes, mas a ideia é trazer cada cadeia produtiva para dentro dessa estrutura unificada, conectando política industrial, financiamento e apoio governamental. Nosso objetivo é criar condições para que as demandas das empresas encontrem respostas mais rápidas e coordenadas, aproximando o setor produtivo das políticas públicas e dos mecanismos de apoio disponíveis”, explica Olavo Noleto.
Cenário internacional
O debate ocorre em um momento de mudanças relevantes no comércio internacional. A perspectiva de implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia e a adoção de novas medidas tarifárias por parte dos Estados Unidos têm mobilizado governo e setores produtivos em diversos países.
Nesse contexto, os encontros promovem discussões sobre os efeitos dessas transformações para a indústria brasileira, incluindo oportunidades de ampliação de mercados, ganhos de competitividade e os desafios associados à adaptação a novos padrões de concorrência internacional.
O presidente da ApexBrasil, Laudemir Muller, ressalta que, diante das transformações no comércio internacional, inteligência de mercado e acesso a informações estratégicas são fatores essenciais para que as empresas brasileiras ampliem sua competitividade e aproveitem novas oportunidades de exportação.
“O Acordo Mercosul-União Europeia abre uma perspectiva importante para a indústria brasileira ampliar sua inserção internacional, mas transformar esse potencial em negócios exige preparação, competitividade e inteligência de mercado. A ApexBrasil atua para conectar as empresas a informações estratégicas e ferramentas que apóiem decisões mais qualificadas, contribuindo para ampliar sua presença nos mercados internacionais.”
Entre as iniciativas desenvolvidas está o Painel Acordo Mercosul-União Europeia: Oportunidades por Estado, plataforma gratuita que reúne informações sobre o potencial exportador de cada unidade da Federação, oportunidades por produto e mercado, além de dados sobre tarifas e cronogramas de redução tarifária previstos no acordo.