Tendência

HF enfrenta paradoxo: alta de vendas, produtividade, queda de preços e margens de lucro apertadas

Preços dos legumes caíram 19% em 2025 ante 2024, embora a produção tenha aumentado 5,7%, segundo o Cepea; nas frutas, preço e produção empataram

Foto Embrapa


O setor de hortifrútis (HF) brasileiro está enfrentando um grande desafio com as margens de lucro em queda, mesmo que a produção e a produtividade se mantenham em alta. O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) chamou esse processo de “paradoxo do hortifrúti”. De acordo com o Cepea, a produção de legumes no Brasil cresceu 5,7% em volume em 2025, ante 2024, mas o preço caiu 19%, portanto, o faturamento do produtor teve queda de 14,3%. No caso das frutas, o volume produzido subiu 3,9% no ano passado, os preços acompanharam a alta de 3,9% e o faturamento ficou inalterado em relação ao ano anterior.

“Os principais desafios do HF hoje são as margens acirradas e o crédito”, afirma a engenheira agrônoma e sócia-proprietária da distribuidora Hortiflora, especialista em HF e tomate, Cecília Bittar, no Podcast Ascenza. No bate-papo com a gerente de marketing e desenvolvimento de mercado da Ascenza Brasil, Patrícia Cesarino, Cecília comenta que esse cenário traz insegurança para as distribuidoras de insumos, que têm a necessidade de diversificar o negócio e a forma de atender o agricultor.

Cecília lembra que o HF tem custo operacional alto, o que é um complicador diante das margens que vêm sendo reduzidas. “Temos que entender como vai ficar daqui para a frente. Um caminho é enxergar melhor a entrega do serviço, oferecer serviços diferenciados e tecnicamente relevantes. Cada vez mais as tecnologias e informações estão disponíveis para o produtor no mercado e a distribuidora tem que estar preparada para levar isso para ele de forma eficiente”, afirma.

A margem do produtor de hortifrúti enfrenta forte compressão motivada pela combinação de custos operacionais elevados e alta volatilidade nos preços de venda. Diferentemente do cultivo de grãos, a fruticultura e a olericultura são atividades intensivas em mão de obra, insumos, energia para irrigação e pós-colheita, custos que subiram nos últimos anos. Perdas causadas por eventos climáticos e gargalos de distribuição reduzem o lucro do agricultor.

Nesse cenário de margens espremidas, o crédito é o motor da operação e do risco financeiro para os distribuidores de insumos. Com a rentabilidade escassa, o produtor de HF passa a depender do crédito fornecido diretamente pela revenda, como prazos estendidos, para custear a safra. O distribuidor atua quase como uma instituição financeira, exigindo gestão de risco e análise para não comprometer seu próprio caixa.

Foto Divulgação Ascenza

Botão Voltar ao topo